2 de agosto de 2017

Batalha das Tabocas: O Início do Fim (Cláudio Skora Rosty) - Resenha



Ao monte das Tabocas fui meses atrás. E lá rezei para Nossa Senhora de Nazaré. De lá pude ver o Tapacurá cercando tal monte. Subi por pedras altíssimas onde Fernandes Vieira tinha visão privilegiadíssima da paisagem. Desci para chegar à margem do Tapacurá por onde Dias Cardoso transitava com intimidade de quem conhece bem por onde pisa. Nenhuma surpresa de ver abandono com descaso por hoje no local onde se gerou nosso sentimento de Pátria: também onde surgiu nossas forças armadas terrestres. É de praxe no Brasil, também em Pernambuco, mas principalmente na minha cidade vitoriense do glorioso pai Antão.

E lá, com os olhos de quem já leu mais da metade do livro feito pelo coronel Rosty, pude relembrar várias façanhas pernambucanas contra muitas perversidades batavas. Contemplei do dia três em agosto pelos meados do século XVII boa parte da sua movimentação marcial. Pernambuco por trás dos tabocais a mandar uma saraiva de tiros nas hostes flamengas logo depois do sol a pino. Batavada caindo de madura para túmulos após atravessar o Tapacurá caudaloso de tempos chuvosos. E Fernandes Vieira com olhos atentos ao lances militares no ponto mais alto do monte. Pelo sopé Dias Cardoso vai no tabocal denso feito trincheira para deter o passo batavo. 

Tais lances até findar a batalha vão descritos organizadamente no livro do coronel. Livro fino mas denso de conteúdo. Conteúdo marcial que só poderia ser bem descrito por alguém militar. Em frases praticamente sem floreios, diversamente portanto das minhas, o coronel traça com detalhes as batalhas tanto de Tabocas quanto das duas em Guararapes. O livro se detém mais na primeira. Certamente que tal volume tem seus pecadilhos como por exemplo falta de coesão: são vários artigos desconexos reunidos quase sem a preocupação de formar um único texto. Contudo vem a ser pouca coisa que nunca desmerecerá tanto trabalho do coronel.

Tanto trabalho? Sim. O livro foi publicado por alguém que sabe sua vida dedicar à rememoração dos grandes feitos ancestrais. Sei pois o meu pai lhe fez companhia tantas vezes em suas andanças no monte das Tabocas... Nas suas homenagens a minha cidade... Na sua persistência por exigir o cumprimento do dever pelos poderes públicos a dar o valor devido para quem soube defender nosso chão comum tempos atrás... Tal livro vem a ser produto desse trabalho. Trabalho trabalhoso mas certamente semeador de bons frutos vindouros. E vejo por um dia três futuro na praça que vai defronte nossa câmara de vereança todo Pernambuco matinalmente tocando dobrados, a cantar hinos... Também repleta de gente mil nossa procissão da Virgem de Nazaré... Sem contar na margem do Tapacurá mais gente para ver uma belíssima queima de fogos crepusculares após ter tomando banhos mil em um rio com águas claras de limpeza... 

Sonhar custa nada!


4 de 5 (Muito Bom)
e-mail: sergio@leialiteratura.com

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