28 de junho de 2014

Pollyanna (Eleanor H. Porter) - Resenha


Sinopse
A pequena Beldingsville, uma típica cidadezinha do início do século XX na Nova Inglaterra, Estados Unidos, nunca mais seria a mesma depois da chegada de Pollyanna, uma órfã de 11 anos que vai morar com a tia, a irascível e angustiada Polly Harrington. Por influência da menina, de uma hora para outras tudo começa a mudar no lugar. Tia Polly aos poucos torna-se uma pessoa melhor, mais amável, e o mesmo acontece com praticamente todos os que conhecem a garota e seu incrível "Jogo do Contente". Uma otimista incurável, Pollyana não aceita desculpas para a infelicidade e emprenha-se de corpo e alma em ensinar às pessoas o caminho de superar a tristeza.

Monteiro Lobato vence com placar de cem a dois Eleanor H. Porter.

Quê? Por qual motivo colocar Monteiro Lobato na crítica do livro clássico da senhora Porter?

Vejamos.

É Poliana bom livro. Divirto-me bastante com a personagem principal mais seu “jogo do contentamento”. Tal jogo podemos resumir em tirar aquilo que se tem de bom por tudo principalmente nas situações mais difíceis.

Poliana, vinda de família pobre, vai morar órfã na casa de sua tia. Lá com seu jogo muda tanto quem a recebeu quanto todas as pessoas a volta de si.

Ter a sua bondade desejo para mim: ao menos um pouquinho. Certamente recomendo para todas as crianças inclusive com mais de vinte que nem eu.

Contudo na leitura dele cada vez mais penso nas injustiças mundanas. Acerca de crítica literária por exemplo. Nossa literatura de língua portuguesa sabemos que não é comparável com as de língua bretã, franca, russa... Nem espanhola!

Porém ao passarmos as literaturas nacionais percebo na leitura de Poliana que sua nacionalidade, dos Estados Unidos, perde feio se comparada com a nossa. Mas... E por qual motivo temos a dos Estados Unidos mais em voga?

Sinto muito, Bloom, mas única resposta plausível que me vem a cabeça só pode ser a posição atual de relevo dos Estados Unidos no mundo.

Comparar Narizinho com Poliana vem a ser covardia das grandes! As reinações são mais divertidas que qualquer jogo. Todas as crianças, inclusive Poliana, são divertidas em suas reinações e não por suas brincadeiras que lhe são tão externas a ponto de variar oito com oitenta.

Nem em Emília vou pensar pois é derrota violentíssima da pobre Poliana. Pobre Poliana!

Sem contar que tal “jogo de contentamento” traz uma mensagem superficial de dar dó!... Boa: porém nata de leite. Transparece Porter essa superfície, por exemplo, quando Poliana sofre com um atropelamento que tomou.

Toda literatura se propõe mostrar a realidade na sua forma mais sublime. Portanto Narizinho tem mais alma que Poliana.

Não deixo de recomendar Poliana mas observação faço: nós temos algo quase cem vezes melhor que Porter em Lobato.

 
(3 de 5 / Bom)

e-mail: sergio@leialiteratura.com

2 comentários:

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)