17 de junho de 2014

Arabesque (1966) - Papel e Película (Coluna)


Que criança nunca sonhou em ser espiã ou espião, desvendando mensagens cifradas, combatendo o mal e se infiltrando entre os inimigos? Mas o cinema mostra que quando esse sonho de criança se torna realidade sem querer na vida adulta, o que se segue é muito desespero, confusão, alguns ferimentos e momentos de disparar o coração. E é isso que acontece com um professor universitário com jeito de galã...

O professor especialista em hieróglifos David Pollock (Gregory Peck) vê sua pacata vida em uma austera universidade inglesa mudar do dia para a noite. Ela é procurado por um primeiro-ministro do Oriente Médio para servir como agente infiltrado em uma organização que pretende assassinar um chefe de Estado. Obviamente, o que realmente convence David a entrar no caso é a presença de uma bela mulher, Yasmin (Sophia Loren), amante do suposto terrorista. Isso causa um grande problema, pois David não sabe para que lado Yasmin está trabalhando nesta missão.

Tudo o que estava na moda na época foi usado no filme: perseguições, intrigas e tensão entre diferentes nações, um pouco de tecnologia (você vai entender essa parte quando David decifra um código) e uma mulher bonita envolvida no mistério (a comparação óbvia é com as Bond girls do agente 007). E, quando falamos em moda, também estamos nos referindo ao que se veste, pois o guarda-roupa de Sophia Loren é assinado por ninguém mais, ninguém menos que Christian Dior. Os sapatos da moça, mostrados em um closet digno de princesa, também são de fazer qualquer mulher babar.

De fato, este é um filme bonito de se ver. Não digo apenas pelos dotes físicos dos protagonistas, mas pelo estilo geral. O diretor Stanley Donen entendia muito de musicais coloridos e filmes psicodélicos, tanto que, logo antes de “Arabesque”, Donen havia dirigido “Charada” (1963), com um tema muito parecido, belas cenas e muito humor (e a trilha sonora eletrizante de ambos é assinada pelo mesmo compositor). A única diferença entre os dois filmes talvez seja que “Charada” tem um lado cômico mais forte, graças principalmente à presença de Cary Grant.

O autor Gordon Cotler escreveu o romance “A Cifra” usando os bons e velhos clichês da ficção de espionagem, inclusive o do homem que se envolve saem querer com um caso perigoso e não pode desistir, tema que foi usado várias vezes nos filmes de Hitchcock. Entretanto, pouco do livro de Gordon foi usado. A personagem de Sophia, por exemplo, foi criada exclusivamente para a tela, afinal, espião cinematográfico que se preze precisa ter uma parceira. A maioria das contribuições de Gordon aconteceu na televisão, pois foi este meio que mais adaptou suas obras. Gordon também foi roteirista de alguns poucos episódios da série “Os Detetives” (mais conhecida pelo nome original, “McMillan & Wife”).

No final das contas, o filme acaba sendo bem-humorado, simpático, cheio de reviravoltas e com uma curiosidade: apesar de lidar com um tema tão “arábico” (e a própria palavra “arabesco” ser de origem árabe), nenhum árabe esteve envolvido no filme, fosse na produção ou no elenco multinacional. Mistérios de Hollywood, não?

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