25 de maio de 2014

Urubu Não: Águia! - Coluna Insolência Quinzenal



"Notei porém que as suas observações não roçaram sequer na superfície da questão principal em que eu ousara combater a doutrina (...).

Com um golpe de sua análise amolada e percuciente, arrancou-me um pedaço, uma frase, uma proposição, desprendendo-a dos seus antecedentes, segregando-a dos seus conseqüentes; e sobre ela ergueu um edifício de conjeturas" (Tobias Barreto).


«O homem que possui a Virtude não discute - o homem que discute não possui a Virtude» (Lao-Tsé). 


Vez por outra me pego discutindo com quem quer que seja. Posso dizer que na maioria das vezes não recebi sequer compreensão: quanto mais alguma concordância. Mas quem discute comigo já por a + b conclui que quem jamais nem compreender deseja vem a ser eu. Cá vou tentar explicitar algumas discussões então, sem citar nomes ou quaisquer outras possibilidades de serem identificados, para me defender. Agora quem me lê vai ter de na minha palavra confiar ou fuçar na rede mundial quais discussões foram aqui destrinchadas. E vai ser difícil dar por elas pois são de vários meses atrás. Bem... Boa sorte se vais insistir!


1a. Sobre Doutorado


Duas pessoas abertamente já me declararam que todos os indivíduos que merecem ser chamados de doutores são os que receberam seus diplomas de doutorado. Mas normalmente quem recebe tal título são as pessoas formadas em medicina bastando serem graduadas. A minha chatice, sem perdão nem clemência, disse com todas as letras que tal reclamação é bobagem.

Foi bacafuzada certa!

Vamos as discordâncias duma das pessoas àquilo que foi por mim dito com as minhas tréplicas.


a. Qualquer criatura que concluir seu doutorado merece ser chamada de doutora.

Discordei veementemente. Tem gente que merece receber além de doutoramento mas que nunca freqüentou curso superior. Exemplo? Sócrates (O filósofo: não o jogador de futebol!). Quem tem doutorado mas não merece? Lula.

Títulos só servem quando referendam algo que se fez na realidade. Nós sabemos que por nossas academias, hoje principalmente, tem gente que recebe sem nem saber interpretar um texto: portanto nem merecedora de diploma fundamental!

Melhor não comentar por enquanto das analfabetas funcionais em nossas universidades. Deixo para mais adiante. Seguem algumas coisas por mim ditas em tal debate para finalizar este ponto.

A1. “Sinto muito! Com raras exceções: as universidades brasileiras são péssimas. E sua ‘doutorice’ nem para dar graxa no meu sapato contrato”.

Tem quem engraxe melhor.

A2. “Doutorado, nas universidades medievais (que são fundadoras do sistema vigente), vem a ser título que se dá para quem sabe tanto dar a sua disciplina quanto pesquisá-la. Melhor: é praticamente quem exerce bem a busca do conhecimento. Com raras exceções, maioria nas áreas de saúde como também exatas, não há doutorado por aqui mas só ‘doutorice’. Pedância. Pedância. Mil pedâncias...”

Por aqui quem debatia comigo mal interpretou “... nas universidades medievais...”. Mas como? Bem... Interpretou pejorativamente! Lê tirando tuas próprias conclusões, alma leitora, para ver se xingo nossas universidades ou trato das antigas. Hei de falar aqui mais, repito, sobre más interpretações de texto depois.

A3. “ ... Lei se torna letra morta quando quem diz ter doutorado mal sabe da realidade que nem uma criança com seis anos. Os problemas são mais profundos do que nós pensamos! Não digo "nós" só para querer agradar [Fulana], que sabe de seu valor certamente sem precisar disso, mas é pelo fato de que nós por lidarmos com educação, de maneiras diversas mas "todo caminho dá na venda", desconhecermos muito de qual proposta certa para conhecimento dar a qualquer ser humano

Sem contar que nossas academias atualmente viraram balcões de negócios. Amor ao conhecimento? Nada!”

Debatia com uma professora que citou texto de lei. Nós sabemos que toda lei vem a ser letra morta se não for cumprida. Sabemos, infelizmente, disso demais até! Só ver a nossa constituição.

A4. “Nós não temos educação de qualidade. Pode ter até pessoas de boa vontade mas... As nossas universidades não conseguem formá-las. Dificilmente pessoas com mérito conseguem ensinar em cursos superiores principalmente por causa dos inúmeros patrulhamentos ideológicos...”

A5. “Quem tem mérito se reconhece sem precisar de diploma. Sócrates não tinha. Nem Platão. Nem Descartes. Euclides tampouco. Também Fernão Lopes. E Machado de Assis. Além de Cecília Meireles. Outros exemplos? A musa Clio pode contar”.

Tal ponto foi principal. Mas tem os outros que surgem nas tentativas de melhores explicações. Assumo que sou pessoa prolixa: portanto fui quem mais contribuiu para fazer o debate seguir quilômetros... Mas é que tento convencer com ensinamentos e não (só) para me dar bem.


b. Tem muitas universidades boas em nosso país.

Uma professora diplomada sabe nem interpretar bem um texto. Precisa mais?

Ah! Mas foi no calor da discussão. Eu também já fiz interpretações ruins ao passar os olhos míseros segundos sobre textos que diziam outras coisas que não foram as por mim imaginadas.

Então acrescento: tal professora nem um (Sim: HUM) livro por mês consegue ler!

Ela reclama de ter estudantada que não sabe fazer contas de divisão com frações (Sim: exatas!) mas a leitura dela nem crianças européias de seis anos têm tão pobre.

Nada de falar que são países desenvolvidos. A Romênia também é país europeu.

B1. “Certeza tenho de quem lê doze livros por ano sabe mais do que qualquer indivíduo recém-saído das academias: até de quem está no mestrado mais títulos afins!”

Depois de ter ela reclamado que doze livros são demais rebati...

B2. “Mas é bom saber: quem ensina lá fora lê mais de doze...”

Não peguei leve?


c. Precisamos de mais investimentos para nossas instituições educacionais.

Um redondo NÃO! Se ninguém faz o mínimo para ler UM livro quanto mais dar mais dinheiro!

Relembremos a Romênia.

Preciso dizer mais? NÃO! À segunda.


2a. Sobre “Nudez


Calma! Nada de mulher nua! Bem... Eu gostaria mas... Não. A mulher implicou com meu questionamento que lhe fiz num sítio de relacionamentos. A seguir...

“A nudez: comente”.

Não foi por ser feito com alguma malícia pois quem interpretar assim tem mania de perseguição: digo logo! Porém foi pior: ela não gostou por lhe dar ordem... Bem: imperativo botei na conjugação do verbo comentar! A seguir as minhas explicações pacientes...

“Nunca passou pelas minhas intenções, [Cicrana], de que tal pergunta que fiz pudesse ser interpretada da forma como foi: peço desculpas e dou meus esclarecimentos.

Os modos imperativos do verbo também expressam pedidos.

Exemplar vem a ser o princípio do canto terceiro d’ Os Lusíadas citado tantas vezes por quem faz da gramática seu maior estudo justamente para melhor compreensão de suas explicações. Entretanto cito principalmente por ser uma de minhas preferências literárias. O poeta pretende cantar os episódios históricos portugueses anteriores ao momento que são contados ao rei de Melinde por Gama quando diz:


“Agora tu, Calíope, me ensina
O que contou ao Rei o Ilustre Gama;
Inspira imortal canto e voz divina
Neste peito mortal, que tanto te ama”. 
Jamais passaria pela cabeça do vate dar ordens à Musa! Dar ordens a quem ama? Bem improvável…


Longe de mim querer respostas obrigadas. Concordo que nossas relações humanas necessitam ser pautadas pela gentileza que vem a ser uma das maneiras mais sutis de demonstrar apreço no meio da discórdia reinante. Receio, todavia, que não recebi bom entendimento.

Mesmo com tais esclarecimentos evitarei de fazer questionamentos com os verbos conjugados desta maneira. Gostei de saber das tuas opiniões! Baita susto tomei quando percebi tal conteúdo desta postagem. Apesar da gramática confirmar o sentido divergente do teu no questionamento que te fiz respeito teu modo de lidar com o ‘comente’”.

Com classe respondi. Também com galhardia. Dei tais explicações em seu blogue. Sim! Mereci postagem (Longa: bom dizer) por causa da mísera questão!

Nossa Senhora das Boas Interpretações de Texto: rogai por nós!

Porém... Observação.

Meu querido caçula Moura Gonçalves, editor deste blogue, faz observar que por ser em computador talvez a minha mensagem seria passível de ser interpretada malevolamente. Deveria ter então colocado depois do questionamento “risos” ou qualquer outra coisa que retirasse da pergunta seu possível caráter mal educado. Bem... Pode ser. Mais assim ainda, tomando da minha maior boa vontade, tal mulher exagera demais em sua reação histérica!


No mais encerrando bem acrescento que minhas críticas não são ações praticadas por urubus que desejam ansiosamente cadáveres para si mas vou ser águia pois, além de caçar com primor, ensina para seus pares enxergar longe...

Tomem proveito das minhas insolências pois certeza tenho que mais ajudam em vez de dar atrapalho.

3 comentários:

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)