19 de maio de 2014

As Vantagens de Ser Invisível (2012) - Papel e Película (Coluna)


Ah, a adolescência! Aquele momento de mudanças, crescimento, primeiro amor, primeiras decepções, aprendizado e amizades inesquecíveis... Talvez sua adolescência tenha tido tudo isso. Talvez não. A de Charlie teve, mas não do jeito normal: recém-saído de uma internação, ele quer (re)começar a vida e assim tem início seu ensino médio. Sucesso de público leitor e também nos cinemas, não há como não ser cativado por Charlie.
 
Charlie (Logan Lerman) está começando o ensino médio. Ele não sabe o que esperar, por isso faz uma contagem regressiva dos mais de três mil dias que terá de enfrentar até se formar. Mas a vida sorri para Charlie e ele se torna amigo de um grupo de alunos do último ano: o irreverente Patrick (Ezra Miller), a doce Sam (Emma Watson) e a gótica intelectual Mary Elizabeth (Mae Whitman).
 
Charlie acabou de passar uma temporada em um hospital devido a um trauma, o qual não ficamos sabendo até o final do filme (mas o espectador mais esperto consegue descobrir com as dicas pontuais em flashbacks). O trauma tem como gatilho dois acontecimentos trágicos: a morte da tia de Charlie, Helen, em um acidente de trânsito, e o suicídio do melhor (e único) amigo do garoto. E isso é uma das grandes sacadas: Charlie não tem uma doença terminal nem sofreu bullying, temas usados à exaustão na literatura teen atual.
 
O filme tem muitos pontos a serem destacados, mas o que mais chama atenção é um fato quase único em Hollywood: Stephen Chbosky, autor do livro, não apenas adaptou sua obra para o cinema, mas também a dirigiu. Não é raro que os diretores sejam também roteiristas, mas um diretor que é também novelista é algo a se aplaudir. Isso aconteceu porque John Hughes, realizador de filmes adolescentes marcantes como “O Clube dos Cinco” (1985) e “Curtindo a vida adoidado” (1986), que detinha os direitos de adaptação do livro para o cinema, faleceu antes de começar o projeto. A ideia de Hughes era transformar a história em um filme com humor negro, com Kirsten Dunst como Sam e Shia LaBeouf como Charlie. Chbosky assumiu o projeto a pedido dos produtores e usou parte do roteiro de Hughes na obra final.
 
Há a citação de várias obras literárias que são indicadas a Charlie especificamente pelo professor de inglês, Mr. Rudd, que percebe que o tímido garoto tem grande potencial. Os livros são apenas mostrados, nunca discutidos a fundo, o que é uma pena, pois eles bem poderiam ter a ver com a história de Charlie. Muitos filmes também são citados, mas na película o que se destaca é “The Rocky Horror Picture Show” (1975), e os amigos inclusive participam de encenações e se vestem como os personagens do filme, dublando as músicas.
 
O livro de Chbosky é escrito na forma de cartas, e parte da narração do filme também é feita neste tom. Publicado em 1999, foi muito comparado a “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger, e encontrou uma recepção semelhante (e estranha): foi banido em alguns estados e escolas, depois de protestos de pais preocupados com o conteúdo, que referencia sexo e drogas. A principal motivação de Chbosky para escrever é aquela dúvida que toma a voz de Sam: “por que pessoas boas acabam envolvidas com pessoas que as tratam mal?”. A resposta inspirada de Charlie é “porque aceitamos o amor que acreditamos merecer”. Bem, até chegar a essa resposta, Charlie e seu alter-ego Chbosky (ou seria o contrário?) passam por grandes transformações e aprendizagens. Quem lê e quem vê também sai com novas ideias da experiência de Chbosky. Podemos não nos animar a ficar em pé na capota do carro em túneis de San Francisco, mas ao menos aprendemos o que é importante na vida. Eu não vou contar a moral da história. Descubra-a você mesmo.  

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