7 de abril de 2014

O Pequeno Nicolau (2009) - Papel e Película (Coluna)



Há mais de dez anos vemos uma safra de filmes franceses fofos, que encantam pessoas de todas as idades. Tudo começou com “O fabuloso destino de Amélie Poulain” (2001). Esta fase ainda parece estar longe de acabar, como mostra um filme fofo de 2009, adaptado de uma série retrô de quadrinhos infantis.

Nicolau (“Nicolas” no original, interpretado por Maxime Godart) é um garotinho simpático que diz logo no início que não quer que sua vida em família mude. Embora seus pais, cujos nomes nunca são revelados, briguem um bocado, ele não troca essa realidade familiar por nenhuma outra. Quando seu colega de escola Joaquim (Virgil Triard, filho do diretor do filme) chega com a novidade de que ele ganhou um irmãozinho, a imaginação fértil de Nicolas faz com que ele comece a desconfiar que terá também um irmão em breve.

É o desentendimento do processo reprodutivo que gera muitas confusões. Como Joaquim começa a faltar à aula, a hipótese que surge é que a família dele preferiu ficar com o irmãozinho e Joaquim foi abandonado na floresta, como na história de “O Pequeno Polegar”. E o plano dos meninos passa a ser contratar um gângster para se livrar do irmãozinho de Nicolas!

A história se passa na França dos anos 1950, como fica claro pelas roupas e carros. Os personagens estudam em uma escola só de meninos e deixam a jovem professora louca. Os meninos são atrapalhados, mas amáveis. As tentativas frustradas de se fazer uma peça, um desfile cívico e um coral com a classe são hilárias.

Os colegas da escola muitas vezes roubam a cena e, mesmo um pouco estereotipados, estão longe de serem personagens planos. Destaco Agnaldo (“Agnan”, interpretado por Damien Ferdel), o queridinho da professora, Clotário (“Clotaire”, Victor Carles), um garoto não muito esperto, mas adorável com seus cabelos bagunçados, e Geoffrey (Charles Vaillant), o menino rico da classe. Nicolas é quem serve de amálgama para essa turma, e hoje, com nossa mentalidade atual, é ao mesmo tempo de se estranhar e admirar o fato de que meninos tão diferentes são tão bons amigos.

Um dos autores das histórias em quadrinhos sobre Nicolas é René Goscinny, criador das tirinhas dos guerreiros gauleses Asterix e Obelix. René era responsável pela história, enquanto Jean-Jacques Sempé fazia os desenhos. Os quadrinhos do pequeno Nicolau foram publicados de 1956 a 1964. O personagem Asterix foi criado em 1959, e inclusive faz uma “participação especial” aqui no filme.

“O Pequeno Nicolau” se tornou o maior sucesso de bilheteria da França em 2009. Um ano depois o filme chegou ao Brasil, atraindo um bom público e inclusive sendo usado na sala de aula para ensinar francês! Quem ficou feliz com o sucesso do filme pode comemorar: em julho de 2014 chegará às telas da França a continuação, “As férias do pequeno Nicolau”. Entretanto, o personagem principal será interpretado por um ator diferente. Mas não espere até lá: delicie-se hoje com esta inocente e fofíssima comédia.



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