25 de fevereiro de 2014

Campo dos Sonhos (1989) - Papel e Película (Coluna)


“Se você construir, ele virá”. É essa enigmática frase que o fazendeiro Ray Kinsella (Kevin Costner) escuta no meio de seu milharal. Ele decide, então, construir um campo de beisebol no lugar de vários hectares da plantação que sustenta sua família. Todo mundo acha que isso é loucura, até que jogadores começam a aparecer no campo. E não são jogadores quaisquer: são os ídolos da infância de Ray, que já estão mortos!

Isso é só o começo. A sanidade de Ray passa a ser questionada, e em um desses momentos de humilhação pública, em uma reunião de escola, ele tem outra pista: deve ir atrás do fictício autor beatnik Terence Mann (James Earl Jones), um ranzinza recluso de Nova York. Depois de alguns momentos de desconfiança, Terence decide se juntar a Ray nessa empreitada maluca.

W. P. Kinsella (ou William Patrick Kinsella) escreveu o livro durante uma oficina para escritores no início dos anos 80. Este foi seu primeiro romance, e ele escolheu um de seus temas preferidos: o beisebol. Ele se baseou em um escândalo ocorrido no esporte em 1919, quando vários jogadores foram suspensos, entre eles “Shoeless” Joe Jackson (interpretado no filme por Ray Liotta), após envolvimento com corrupção para comprar resultados dos jogos.

O autor não dá ao protagonista seu próprio sobrenome por puro narcisismo: Ray Kinsella é o nome de um personagem de um conto de J. D. Salinger. No livro original, o escritor beatnik recluso que Ray procura é o próprio Salinger. Quando começou o processo de adaptação do livro, os produtores ficaram preocupados que Salinger pudesse processá-los por usar seu nome, então reescreveram o papel já com James Earl Jones na mente.

Outra figura real é Archibald “Moonlight” Graham (o veterano Burt Lancaster em seu último filme), que esteve em apenas um jogo do campeonato principal e desistiu do beisebol para se dedicar à medicina. A trama de Graham envolve não uma, mas duas viagens no tempo. Outra curiosidade é que, enquanto o nom do livro é “Shoeless Joe”, os produtores decidiram chamar o filme de “Field of Dreams”, um nome mais romântico. Ao falarem isso para o autor, Kinsella disse que o título do livro foi imposto pela editora, pois ele queria mesmo que a obra chamasse “Dream Field”. 

O tema fantástico nem é tão difícil de engolir, visto que hoje somos inundados por este tipo de ficção nos livros e nos filmes. O beisebol pode afastar algumas pessoas, em especial aquelas que não estão nem um pouco acostumadas com o jogo. Mas a história é mais do que tudo isso: é sobre acreditar e sobre olhar a família de outra forma. Desde o início do filme me ficou bem claro quem viria se Ray construísse o campo de beisebol. E é esta visita mais do que especial que pontua o clímax.

Dois atores ainda iniciantes, Matt Damon e Ben Affleck, foram extras na multidão do jogo de beisebol a que Ray e Terence assistem. Menos de dez anos depois, os dois jovens ganharam o Oscar. E, por falar em prêmios, “Campo dos Sonhos” foi indicado em três categorias: Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. O filme saiu do Oscar com as mãos abanando, mas permanece como uma das fantasias mais tocantes do cinema dos anos 80.

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