26 de janeiro de 2014

Estande - Coluna Insolência Quinzenal


Recebi convite de colega para lhe dar ouvidos em uma palestra sua na Bienal de Pernambuco de 2013 que se findou. Com mais alguém assim para lhe ver fui.

Tal colega se chama Letícia Santos. É difícil nós encontrarmos hoje pessoas que nem ela pois estas fazem curso superior principalmente para praticar seus estudos e não só receber um diploma. Também com alegria posso dizer que Letícia não só faz jus em ser estudante nomeada mas consegue trabalhar nas suas pesquisas além do dever cumprido. Portanto feliz estou por tê-la conhecido.

Sua palestra foi sobre milagres e maravilhas. Explico. Tratando de literatura medieval, com maior precisão romances de cavalaria, temos a fantasia rolando solta por suas páginas. Existem nelas fantasia de dois tipos: as primeiras praticadas pela divindade mais as segundas exercidas por existências no mundo que só podem ser encontradas raramente.

Vamos aos exemplos. Das primeiras temos as intervenções divinas. E das segundas o bestiário medieval: que nem a besta ladradora.

Santos atentou para minha fascinação com tal besta. Na verdade tenho fascínio pelo bestiário medieval completo. Fascínio misturado com medo. Sim: admito. Criaturas esdrúxulas em princípio mas tão reais de fato... Dragões existem. Ornitorrincos não. Entendo de bestiários... E que Sofia nos proteja do mal!

Mas é tão difícil!... Tudo vai de mal para pior. Enquanto na Bienal percebi do real interesse das pessoas em leitura: nenhum. Apesar dos estandes. E das palestras. Até dos livros! Ou vão para lá comprar os mais vendidos. Ou vão para lá dizer que lêem sem ler. Talvez a fantasia role mais solta pelas bandas hodiernas que passadas. A besta da vez podemos chamar imbecil. Nociva demais! Quem vai lhe dar cabo?

Com mais alguém assim para ver Letícia fui. Quem? Seu nome: Pedro Barros.

Uma pessoa rara. Tão inteligente quanto Letícia. Mais consciente que Santos até do perigo bestial nos rondando ladrando suas ignorâncias... Ai de quem não as acatar! Entretanto Pedro Barros tem coragem para jamais acatá-las. A minha parceria portanto de cavalaria. Cavalaria? Qual cavalaria?

Sabemos, mais até pelos romances do romantismo que propriamente medievais, a nobreza dos ideais cavalheirescos. Coragem. Cortesia. Fé no melhor. Raimundo Lúlio primorosamente nos esclarece sobre. Bem... Ao remeter uma leitura de Lúlio sigo sem mais explicações.

Hoje, quando quase todas as pessoas medrosas ou masoquistas dão de mamar a besta que ladra falsos conhecimentos, Pedro Barros tenta no mínimo mostrar que monstros não são na verdade crias fofas e meigas. O máximo? Matar o dragão: ora!

Valei-nos, São Jorge!

Também estou disposto para tanto. Por todos os lugares então tratamos de conversar assuntos importantes e não coisas frívolas. Até que, depois de sua palestra, Letícia Santos nos acompanhava presenciando diante de si debates dos mais acalorados.

Uma justa. Entre Pedro Barros e Sérgio Gonçalves. Dois duques. Diante da princesa Letícia que joga seu lenço para dar a justa seu princípio começamos a nos bater. Nossa justa, bom observar, não se dá com armas físicas mas espirituais. Usamos inteligência para combater assim.

Camões e Pessoa: quem é melhor? Pedro Barros sai na defesa do primeiro. Mas eu fico com o segundo. Na refrega Letícia pende para Pedro. Porém tenho bons argumentos! Camões é melhor em obra findada: seus “Lusíadas”... Entretanto Pessoa foi quatro personalidades poéticas em vez duma só...

Resultado: talvez empate. Contudo se depender de Portugal perdi feio.

Curiosamente me pergunto durante tal embate: quem discutirá literatura que nem nós por aqui na Bienal? Deixo para quem me lê dar a resposta.

Sei que não é grande coisa: deveria ser normalidade. Mas temos interesse real na leitura: não fictício portanto. Três pessoas legais por serem raras e nossa tara por livros. A Letícia Santos e Pedro Barros vão meus agradecimentos por tão boa companhia! Melhor inclusive que muitos estandes cheios de livros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)