2 de dezembro de 2013

Lincoln (2012) - Papel e Película (Coluna)


Sem dúvida, Abraham Lincoln é o mais popular presidente norte-americano e também o mais conhecido fora dos Estados Unidos. E ele alcançou esta fama de maneira difícil: eleito para dois mandatos, enfrentou a Guerra de Secessão e travou uma batalha política e intelectual pela libertação dos escravos. É sobre os bastidores dessa batalha que trata o filme “Lincoln”, recente sucesso de Steven Spielberg.

Spielberg há muito vinha planejando um filme sobre o presidente Lincoln, e quando o livro “Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln”, de sua consultora para assuntos históricos Doris Kearns Goodwin, foi publicado, ele percebeu que deveria concentrar a história apenas no segundo mandato do presidente, quando ele lutava para que a escravidão fosse abolida. Para chegar a esse roteiro, foram necessários anos de trabalho com várias mudanças de roteiristas. Se a ideia de Spielberg vingasse rápido, “Lincoln” poderia ter estreado nos cinemas dez anos antes.


O roteiro foi difícil, mas a escalação do elenco teve um só problema, ainda assim de suma importância: quem seria Lincoln? O amado líder que já foi interpretado por Henry Fonda e Gregory Peck precisaria de um ator à altura. De 2005 a 2010, o escolhido era Liam Neeson, protagonista de “A lista de Schindler”, também dirigido por Spielberg. Entretanto, Neeson se desligou do projeto após perder a esposa, e justificou que estava muito velho para o papel (Neeson completou 58 anos em 2010, Lincoln faleceu aos 56). Daniel Day-Lewis foi a opção seguinte, mas foi necessária muita insistência por parte de Spielberg. O ator inclusive chegou a mandar uma carta educadíssima ao diretor recusando o papel. Em seu discurso no Oscar, ele brincou com o fato dizendo que Meryl Streep, que lhe entregou o prêmio, era a primeira escolha para interpretar Lincoln, e que ele gostaria de ver o filme com ela como protagonista.

A vitória de Daniel Day-Lewis no Oscar foi um dos prêmios mais previsíveis da noite. Sem dúvida a caracterização do ator, agora recordista em prêmios da Academia, está perfeita. Fisicamente, ele é o Abraham Lincoln das fotos, e sua voz baixa e suave, bastante diferente do que se pode imaginar para um grande líder, foi desenvolvida com muitos ensaios e pesquisa histórica. Não podemos nos esquecer do veterano Tommy Lee Jones, impecável como Thaddeus Stevens, um parlamentar pouco convencional, e de Sally Field, cujo único defeito é ter pouco tempo em cena.

Sem dúvida a abolição no Brasil também foi fruto de acordos e talvez até alguma corrupção e troca de favores, bem no estilo do que é mostrado no filme. Sem muita ação e até bastante longo para um filme histórico, “Lincoln” é um retrato fiel dos bastidores da política e, uma vez que somos absorvidos pela história, pelos cenários construídos com cuidados, pelos figurinos, intrigas e atuações excelentes, nem vemos o tempo passar.

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