30 de dezembro de 2013

Intocáveis (2011) - Papel e Película (Coluna)


Ano Novo é tempo de fazer mudanças, resoluções e melhorias na vida. Só que nem todos conseguem manter aquela dieta ou economizar uma parte do salário todo mês. Para quem precisa de inspiração para começar o ano bem e perceber que tudo é possível, a indicação é o filme “Intocáveis”, produção francesa baseada em fatos reais que tocou milhões de pessoas mundo afora.

O milionário Philippe (François Cluzet) sofreu um acidente que o deixou tetraplégico e precisa de alguém para cuidar dele. Driss (Omar Sy) se candidata à vaga apenas para não ser escolhido e receber o auxílio-desemprego. O plano de Driss parece perfeito, pois ele não tem nenhuma experiência ou vontade de ser cuidador. Mas Philippe é um homem surpreendente e, mesmo paralisado, sabe fazer escolhas e ser teimoso. Ele dispensa todos os outros homens de terno e gravata, com diplomas e muita experiência, por Driss, que inclusive cita a música brasileira como uma de suas “preferências” (quando na verdade são pedidas suas “referências”).

Os primeiros dias são de brigas entre os dois, mas pouco a pouco uma amizade sincera vai florescendo. Driss fica impressionado com o senso de humor de Philippe, que afinal não é o milionário esnobe que aparentava. Philippe despreza a autoridade daqueles que o cercam e que querem regular sua vida por considerarem-no incapaz, e por isso admira a impulsividade de Driss. E, claro, os dois adoram fazer apostas.

O caso real que serviu de inspiração é o de Philippe Pozzo di Borgo e seu cuidador Abdel Sellou. O papel de Abdel, um homem branco da Argélia, foi re-escrito para que o ator Omar Sy, já conhecido dos diretores, pudesse interpretá-lo. E, de fato, Omar acrescentou muito ao personagem, pois sua experiência como morador da periferia parisiense foi bem refletido nos momentos mais sérios da película, em que Driss vive dramas com sua família. Omar Sy foi muito elogiado por sua atuação e apontado como uma das maiores promessas do cinema francês no futuro.

A história de Philippe e Abdel foi contada pela primeira vez em um documentário de 2004 e logo depois Abdel decidiu escrever sua autobiografia (a de Philippe havia sido lançada em 2001). Ambos os livros geraram interessantes pontos de vista diferentes sobre a mesma história. A de Philippe se chama “O Segundo Suspiro”, enquanto que a de Abdel é intitulada “Você mudou a minha vida”. Curiosamente, por estratégia de marketing, os dois livros, quando lançados no Brasil, ganharam as imagens dos atores Cluzet e Sy nas capas.

Mesmo com uma história comovente que surpreende (afinal, Philippe e Driss discutem de sexo a arte moderna com a naturalidade de dois melhores amigos), os diretores contam que ninguém acreditava no projeto deles, incluindo amigos e produtores. Um destes inclusive perguntou se Philippe não “poderia andar um pouquinho no final”. Claro que estes céticos se arrependeram de não ter investido no filme, que se tornou o segundo mais lucrativo do cinema francês.

Omar Sy ganhou vários prêmios por sua atuação, inclusive um César (maior prêmio cinematográfico da França) de Melhor Ator. O filme chegou aos mercados internacionais no ano seguinte, e a única indicação foi ao Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Estrangeiro, tendo sido ofuscado na ocasião e em momentos subsequentes por “Amor”, de Michael Haneke.

Com um humor francês que não chega ao politicamente incorreto dos americanos (e, infelizmente, de alguns brasileiros), mas é incrivelmente mundano e eficaz para contar uma história real, “Intocáveis” sempre teve tudo para ser o sucesso de público e crítica que foi. Se você quiser começar o ano (ou terminar o dia) de forma espetacular, não pense duas vezes e veja este filme!

2 comentários:

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