5 de novembro de 2013

Cartas Para Julieta (2010) - Papel e Película (Coluna)



A literatura clássica, além de nos legar histórias excelentes, também pode dar origem a lendas e tradições tão incríveis quanto as obras em si. Desde seu surgimento, no final do século XVI, “Romeu e Julieta” foi um sucesso imediato e se manteve como leitura preferida das moças românticas durante séculos. Com muitas adaptações para o cinema, televisão e até ópera, a história nem precisou sair de sua terra para criar uma lenda interessante: em Verona, várias moças com problemas no quesito amor mandam cartas para a protagonista mais famosa de Shakespeare e, pasmem, ela responde.

E é em Verona que a jovem aspirante a escritora Sophie (Amanda Seyfried) toma contato com a lenda e com as secretárias de Julieta, mulheres que fazem o trabalho anônimo de responder às cartas. Em pouco tempo Sophie se torna uma delas e é impossível não se envolver com as histórias contadas nas cartas. Uma em particular chama a atenção da nossa heroína e ela parte em uma cruzada para reunir dois amantes décadas depois de o romance ter começado. Claire (Vanessa Redgrave) fica impressionada ao saber que a jovem se importa com uma história de amor de 1957, mas o neto dela, Charlie (Christopher Egan) considera a maior bobagem remexer no passado.

Enquanto batalha pelo amor de Claire, Sophie enfrenta problemas em sua própria vida amorosa: seu noivo Victor (Gael García Bernal) a acompanhou até Florença, mas preferiu se dedicar a explorar os segredos culinários da cidade (Victor é um chef prestes a abrir seu restaurante) a passar tempo com a noiva. Sem poder contar com seu amado, Sophie terá de sair com Charlie à procura de Lorenzo Bartolini. O problema é que há vários homens com esse nome na região, e o que não faltam são discussões entre Sophie e Charlie.

Embora se trata de um roteiro original, o filme foi inspirado pelo livro de não-ficção de mesmo nome, publicado em 2006. Os autores Lise e Ceil Friedman contam objetivamente a história da tradição de deixar cartas pedindo conselhos amorosos para Julieta em Verona, que são respondidas pelo “Juliet Club”. O livro também analisa os demais impactos que a história de Shakespeare trouxe para a cidade de Verona e apresenta cópias de algumas das cartas.

O livro pode até ter despertado a curiosidade de turistas para a atração, mas a praça onde são colocadas e recolhidas as cartas foi fechada durante as gravações, mas certamente passou a receber mais e mais visitantes após o lançamento do filme. Vale ressaltar que outro ponto turístico muito visitado na cidade é o balcão da mais famosa cena da peça de Shakespeare.

Vanessa Redgrave, que tem pai e irmã também atores, tem interessantes paralelos entre o roteiro do filme e sua história pessoal: ela também passou uma temporada na Itália quando jovem e voltou para sua Inglaterra natal. Para completar, o marido Franco Nero também participa do filme. Os jovens atores não estão apagados, mas a verdade é que os mais experientes dominam a cena. Mesmo não sendo um sucesso absoluto de público e crítica, “Cartas para Julieta” é um filme excelente para adicionar suspiros a seu fim de semana ou feriado.

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