13 de novembro de 2013

Carol (Patricia Highsmith) - Resenha


Sinopse
Na história, Therese Belivet trabalha como vendedora na seção de bonecas de uma loja de departamentos. O emprego funciona como um bico para juntar dinheiro: o que ela de fato quer é construir uma carreira como cenógrafa de teatro. É época de Natal em Nova York, e a loja está lotada. Em meio a tantos rostos desconhecidos, Therese fica hipnotizada ao ver uma distinta cliente se aproximar. É Carol. “Alta e clara, com um longo corpo elegante dentro do casaco de pele folgado (...), seus olhos eram cinzentos, claros e, no entanto, dominadores, como luz ou fogo”.
Assim começa o romance entre a jovem Therese e Carol – recém-separada e mãe de uma filha –, um amor repentino e fatal, que se transforma em uma constante troca de experiências. Mas, numa tentativa de escapar dos olhares reprovadores dos amigos e familiares, elas saem de carro em uma viagem pelos Estados Unidos. Essa aventura acaba se tornando perigosa quando elas percebem que estão sendo seguidas por um detetive.

Histórias de amor são aquilo que há de menos original em termos de produção artística, mas quando bem-feitas sempre cativam pela identificação quase automática com os leitores

Em Carol a célebre Patricia Highsmith narra o relacionamento conturbado entre duas mulheres que encontram problemas em vivenciar seu amor. As duas enfrentam forte preconceito e incertezas sentimentais; situações que nas mãos da autora transformam-se em suspense. 

Ainda que seja uma história sobre apaixonadas é curioso como o foco está na tensão dramática. Os trechos que valorizam a relação romântica são constantes, porém servem para sustentar a apreensão do leitor na expectativa do que vai acontecer a seguir. 

Highsmith consegue construir assim um thriller onde o suspense se sustenta pelos sentimentos e pressões sociais, substituindo a presença material ameaçadora que normalmente move a ação nas obras do gênero. É verdade que existem momentos de perseguição convencional, mas são apenas parte da subjetiva conjuntura opressora.

O relacionamento lésbico nesse ínterim é sim bem trabalhado e não soa como artificial; mesmo cumprindo em simultâneo o papel de principal elemento para incentivar o clima constantemente tenso. 

Em termos de qualidade de escrita não há muito o que dizer. A escritora consegue colocar em prática todo o drama romântico de forma competente, mantendo o leitor interessado e genuinamente envolvido na história; graças também à linguagem plenamente acessível. 

Carol assim está longe de ser o melhor dos romances ou o mais instigante dos thrillers, entretanto consegue unir os dois gêneros de forma orgânica gerando uma leitura empolgante e verossímil com notável qualidade.




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