3 de outubro de 2013

Ponto de Impacto (Dan Brown) - Resenha


Sinopse
Quando um novo satélite da NASA encontra um estranho objeto escondido nas profundezas do Ártico, a agência espacial aproveita a descoberta para contornar uma série crise econômica e de credibilidade, gerando sérias implicações para a política espacial norte-americana e, sobretudo, para a iminente eleição presidencial. Com o objetivo de verificar a autenticidade da descoberta, a Casa Branca envia a analista de Inteligência Rachel Sexton para o local. Acompanhada por uma equipe de especialistas, incluindo o carismático pesquisador Michael Tolland, Rachel se depara com indícios de uma fraude científica que ameaça abalar o planeta com uma profunda revelação. Antes que Rachel possa falar com o presidente dos Estados Unidos, ela e Michael são perseguidos por assassinos profissionais controlados por uma pessoa que é capaz de tudo para encobrir a verdade. Em uma fuga desesperada para salvar suas vidas, a única chance de sobrevivência para Rachel e Michael é desvendar a identidade de quem se esconde por trás de uma conspiração sem precedentes.

No cinema estamos acostumados a ver diversas produções fracas qualitativamente que despertam interesse por algum elemento curioso da trama. Filmes como esses baseiam-se na lógica de que instigar o espectador é o suficiente para alcançar o sucesso, portanto não se preocupam em perder qualidade narrativa por meio de muitos clichês e personagens superficiais. Dan Brown parece ser atualmente o mais bem-sucedido defensor dessa proposta na literatura. 

Em Ponto de Impacto mais uma vez o escritor aposta todas as suas fichas em comprar o leitor pela história. Para tanto ele põe em prática a fórmula literária que parece se repetir em todos os livros de sua autoria: conspiração mirabolante que ameaça abalar o mundo + investigação do protagonista que desvendará o mistério + reviravoltas para surpreender o leitor + tensão amorosa entre o protagonista e o coadjuvante principal. Cabe destacar que a situação conspiratória precisa ter algum vínculo com a realidade, desta forma os leitores incautos podem até ficar em dúvida sobre a veracidade da ficção; gerando mais curiosidade e vendas. 

O grande problema surge na medida em que Brown parece pouco se importar com as qualidades narrativas de seus escritos, assim o livro se desenrola repleto de personagens planos e mal trabalhados que vivem situações pouco verossímeis.

Como a ideia é prender pela curiosidade, o escritor não tenta (ou não consegue) por em prática quaisquer sofisticações no estilo ou originalidade no desenvolvimento da trama. Na realidade ele opta por ir conduzindo o leitor através das reviravoltas e do imenso número de ganchos que aparecem em quase todo final de capítulo; às vezes de maneira bem forçada. 

O resultado é uma narrativa repleta de falhas que conserva unidade por sua intenção de manter o consumidor querendo saber o que virá a seguir. Características semelhantes às nossas novelas atuais: ambas as obras subestimam a capacidade do seu público e acabam empobrecidas em sua crença de que o sucesso deve ser alcançado nivelando-se por baixo. 

Como um filme clichê hollywoodiano ou um folhetim televisivo, Ponto de Impacto é o típico exemplar do "entretenimento para desligar o cérebro".




2 de 5 (Regular / Fraco)




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