22 de outubro de 2013

Amor e Outras Drogas (2010) - Papel e Película (Coluna)


Anne Hathaway, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2013, é a nova queridinha de Hollywood desde sua estreia. Passeando por vários gêneros e roteiros tão díspares, ela compôs com bons resultados personagens muito diferentes. Seu talento é mostrado sempre, mas sua sensualidade foi mais explorada em “Amor e outras drogas”, que pelas cenas de nudez já criaria polêmica, mas que vai mais além ao tratar de um tema espinhoso: a ganância da indústria farmacêutica e até que ponto a saúde está à frente dos lucros.

Jamie (Jake Gyllenhaal) acaba de encontrar o trabalho perfeito: o de representante da indústria farmacêutica Pfizer. Graças ao seu charme e sua lábia, ele é perfeito para o serviço de oferecer amostras de remédios em vários consultórios. Mas a nova maravilha desenvolvida pela empresa em meados dos anos 90 nem precisa de intermediário: ela se vende sozinha. O Viagra surge como um medicamento revolucionário. Se essa “droga do amor” promete mudar a vida de milhões de pessoas, quem vem mudar a vida de Jamie é uma moça que depende de remédios tanto quando ele para sobreviver, mas por outro motivo: a jovem e animada Maggie (Anne Hathaway) sofre do Mal de Parkinson, mas não aceita ser tratada diferente por causa da doença.

A relação é conturbada porque o objetivo profissional de Jamie é ser promovido a representante da Pfizer em Chicago, o que o afastaria de Maggie (eles moram em Pittsburgh), mas que está a um passo de ocorrer a partir do momento em que ele se torna o representante exclusivo de vendas de Viagra. Maggie, por outro lado, é corroída pela sensação de que ela pode estar atrapalhando Jamie e que um relacionamento entre eles só seria possível se ela se curasse do Parkinson.

O autor do livro “Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman” é Jamie Reidy, um ex-representante da Pfizer. Servindo como guia para a profissão do protagonista, o livro curiosamente não apresenta nenhuma trama amorosa, e o motivo para isso é ainda mais curioso: o autor disse que ficaria com vergonha de contar sua vida amorosa no livro porque sabia que sua mãe leria! É bom que Jamie, o autor, tenha deixado bem claro para a mãe que o romance e seus detalhes foram criados em Hollywood, uma vez que o filme é bastante, digamos, picante.

A indústria Pfizer curiosamente é citada por nome tanto no livro quanto no filme, ao contrário do que o senso comum sugeriria. Não é de se espantar que as técnicas usadas pelos vendedores sejam pouco ortodoxas e, convenhamos, há vendedores desse tipo em qualquer ramo em que atingir metas seja necessário. A Pfizer anunciou que não teve nenhum envolvimento com a produção do filme, uma vez que lhe foi assegurado que nada de mau gosto seria feito com o nome da empresa. De fato, apesar de seus muitos defeitos, Jamie consegue sua redenção e, conforme apontado pela crítica do inglês The Guardian, fica implícito que os funcionários da Pfizer são pessoas legais.

Anne Hathaway, que surgiu para o mundo pelas mãos da Disney em adaptações da série literária “O Diário da Princesa”, faz par romântico pela segunda vez com o ator de nome difícil Gyllenhaal, com quem já havia contracenado em “O Segredo de Brokeback Mountain”, cinco anos antes. Críticas adoraram comparar o desempenho, e todos concordam que a primeira parceria foi melhor. Vez ou outra, é verdade, o filme se perde explorando a intimidade do casal e deixa a história de lado.

Tanto o livro quanto o filme têm seus momentos cômicos, mas no geral são muito diferentes. Nenhum dos dois é memorável nem está fadado a se tornar um clássico obrigatório e definidor de uma geração. O livro é bastante honesto em relação à indústria de remédios e o autor não tem vergonha de tratar com a mesma honestidade seus defeitos pessoais. O filme é simpático e uma boa forma de passar o tempo, mas o Leia Literatura adverte: algumas cenas serão demasiado fortes para pessoas sensíveis e menores de idade ingênuos.

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