9 de setembro de 2013

O Iluminado (1980) - Papel e Película (Coluna)


Nesta semana o cinema perdeu mais um de seus legendários ícones. Não, felizmente ninguém faleceu, mas Jack Nicholson, ator intenso e ganhador de três Oscars, anunciou sua aposentadoria. Atuando desde meados da década de 1950 até 2010, Jack esteve em vários grandes filmes e também alguns dos quais ele não deve se orgulhar. Mas carreira tão longa permitiu que ele trabalhasse com grandes diretores, e um deles foi ninguém mais ninguém menos que o gênio injustiçado de Hollywood, Stanley Kubrick, em sua adaptação popular e eletrizante do livro de Stephen King “O Iluminado”.

Jack Torrance (Jack Nicholson) é um não muito jovem aspirante a escritor casado com Wendy (Shelley Duvall) e pai de Danny (Danny Lloyd). Com a necessidade de ajudar nas despesas da casa, ele une o útil ao agradável ao aceitar o emprego de vigia em um hotel, onde ele poderá usar seu tempo livre para escrever sua obra-prima. O hotel em questão é o Overlook, prédio imenso que fica inacessível nos meses de inverno, com as estradas cobertas de neve. A única forma de contato do vigia com o mundo é através de um rádio comunicador. Wendy tem uma cozinha industrial para fazer comida para três e Danny pode explorar todos os quartos andando em seu triciclo. Quer dizer, quase todos os quartos, pois em um deles o antigo vigia matou sua mulher e as filhas e agora o aposento é considerado proibido.

Aos poucos Jack começa a ser afetado pelo sinistro local e pela lenda que ronda o destino de seus antigos e malfadados ocupantes, incluindo uma tribo de índios que lá foi enterrada. E não é apenas ele afetado por essa realidade. Danny tem uma percepção extrassensorial e é capaz de ver espíritos, inclusive os das meninas assassinadas, que se tornaram icônicas e dignas de muitas imitações. Assim, pai e filho têm contato com fantasmas, e Jack fica cada vez mais violento.

Hoje Stanley Kubrick é considerado um gênio intocável do cinema, mas na época ele nem sempre gozava de boa fama. Saindo de um grande fracasso, o longo “Barry Lyndon” (1975), ele viu na obra de Stephen King publicada em 1977 a oportunidade de criar um filme de qualidade e que atraísse o público.

Stephen King, famoso por afirmar que deixa qualquer cineasta em início de careira adaptar um de seus livros para o cinema por apenas um dólar, não gostou do resultado. No livro, Jack tem problemas com o álcool, que King também enfrentou, e é um personagem mais simpático. O autor acreditou que um ator com um “visual mais comum” seria mais interessante para o papel, uma vez que Nicholson estava ligado a um filme sobre a loucura, “Um Estranho no Ninho” (1975), que lhe deu seu primeiro Oscar. Outras opções descartadas por Kubrick foram Robert De Niro (que “não era psicótico o suficiente”) e Robin Williams (que “parecia psicótico demais”). 

Não pensem que foi agradável rodar essa obra-prima. Kubrick, diretor, produtor e co-roteirista da película, mudava os planos a toda hora. Assim, as filmagens que deveriam durar 17 semanas acabaram durando 46. Shelley Duvall reclamava constantemente com o diretor e chegou a desmaiar no set. Jack Nicholson também reclamou da longa jornada de trabalho e se enfurecia com as novas falas que eram sempre adicionadas.

Logo depois de ter seus dois primeiros livros publicados, Stephen King resolveu viajar com a família em busca de novos ambientes para seus livros, e acabou em um hotel vazio no Colorado. Pronto: naquela noite ele já tinha sua ideia. Um sucesso de público, o livro será relançado em outubro de 2013 em edição limitada autografada pelo autor e King trabalha em uma sequência, intitulada “Doctor Sleep”, focada em Danny Torrance, agora adulto e trabalhando em um hospital.

O livro é mais centrado em Danny, enquanto o filme foca em Jack. De fato, parece mais acertado ter Jack Nicholson como estrela, já que o jovem Danny Lloyd fez apenas dois filmes e tornou-se professor de Biologia em uma universidade. Falar das carreiras posteriores de Duvall, Kubrick e Nicholson depois do filme é repetir fatos consumados, mas o talento deles não foi reconhecido através do filme, que foi indicado para dois Razzies (hoje conhecidos como “Framboesa de Ouro”), os prêmios para os piores do cinema. Kubrick não foi reconhecido pelas grandes premiações, uma vez que ganhou apenas um Oscar, de Melhores Efeitos Especiais por “2001 – Uma odisseia no espaço”, mas é tido como um dos maiores diretores de todos os tempos e sua obra-prima do terror atrai tantos fãs que houve um frisson ao ser divulgado o final deletado do filme, que pode ser encontrado AQUI.


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