22 de setembro de 2013

As Pontes de Madison (1995) - Papel e Película (Coluna)


Alguns poucos filmes são melhores que os livros que lhes serviram de inspiração, afinal, há muitos roteiristas por aí que são melhores que vários autores. E, quando o filme tem Clint Eastwood na frente e atrás das câmeras, e também a sempre ótima Meryl Streep, é de se esperar que uma grande obra surja. Com muito romance, sentimentos complicados e um cenário adorável, “As Pontes de Madison” mexem até com o mais duro coração.

Os irmãos Michael e Carolyn têm uma grande surpresa na leitura do testamento da mãe, Francesca. Ela deixa expresso que deseja ser cremada e que suas cinzas sejam jogadas em uma ponte. A chave para o mistério que cerca a repentina mudança de planos post-mortem da mãe está em um baú. Lá se encontram edições da revista National Geographic, uma câmera fotográfica profissional, um belo vestido usado uma única vez e três diários contando um caso amoroso que Francesca teve com um fotógrafo durante uma semana em que uma família estava fora de casa. Essa revelação choca Michael e chega na hora em que Carolyn está à beira do divórcio.

O caso de Francesa com o fotógrafo Robert Kincaid é contado em flashback, e o casal é interpretado pelos notáveis veteranos Meryl Streep e Clint Eastwood. O cenário é o estado quase rural de Iowa e a grande marca de que a história de amor proibido se passa nos anos 1960 é a trilha sonora. Robert chega por acaso à casa de Francesca, pedindo informação sobre uma ponte que ele deve fotografar para a National Geographic. Ela o leva até lá, e é exatamente na ponte onde ela, trinta anos mais tarde, decide ter suas cinzas espalhadas, que a história começa. Mas nada acontece de fato sem muita conversa, normalmente na casa dela, onde Robert vai jantar ou passar a noite, e também sem muitas dúvidas e crises de culpa. Robert, divorciado, está livre para relacionar-se novamente, mas Francesca tem marido e filhos que estão inocentes em uma viagem e correm o risco de voltar para casa e encontrar a vida familiar que conhecem destruída.

Quase um ano antes da publicação do livro, os direitos de adaptação para o cinema já tinham sido vendidos para a Amblin Entertaiment, fundada por Steven Spielberg. Eastwood foi escalado como protagonista logo depois, mas foi só após muitas mudanças nos planos e no roteiro que ele assumiu também a direção da película. Foi Clint também quem indicou Maryl Streep para o papel de Francesca, do que Spielbierg não gostou de imediato, mas acabou cedendo. Eastwood decidiu filmar em locação, do ponto de vista de Francesca, e fez isso em apenas 42 dias.

Escrito em apenas 11 dias e inicialmente planejado para ser um presente para amigos e familiares, o livro de Robert James Waller foi melhorado no roteiro de Richard LaGravenese. Foi o roteirista que decidiu ter Francesca como narradora, mesmo que através das páginas do diário. A história original concentrava-se mais na relação de Francesca e Robert, enquanto o filme foca na tortura psicológica que é para a dona de casa sentir desejo por outro homem. Embora recebendo algumas críticas negativas, o livro foi um sucesso de vendas, em parte devido à adaptação para o cinema. 

Não foi apenas Robert que lucrou com seu livro tornado famoso da noite para o dia. O estado de Iowa começou a receber milhares de turistas interessados nos lugares descritos com propriedade por um ex-morador do estado na obra. Depois do filme, as locações passaram a ser atrações turísticas e essa febre durou até 2002, ano em que a famosa ponte do filme foi destruída em um incêndio. Assim como a ponte é o romance dos personagens Francesca e Robert, porém as obras que falam sobre ele, assim como nossas impressões após sermos tragados por este turbilhão de emoções gerados por um amor proibido, são coisas que incêndio algum poderá apagar.

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