1 de julho de 2013

As Virgens Suicidas (1999) - Papel e Película (Coluna)


Filho de peixe, peixinho é, e nem sempre isso é bom. Sofia Coppola, filha do cineasta Francis Ford Coppola, responsável por grandes sucessos como “O poderoso chefão”, em que Sofia aparece ainda bebê, e “Apocalipse Now”. Em sua estreia como diretora, certamente Sofia sentiu o peso do sobrenome e a expectativa gerada por seu precioso gene cinematográfico. Entretanto, ela não poderia ter escolhido filme melhor para começar. Adaptando ela mesma um livro para as telas.

Um grupo de meninos, um deles narrando a história 25 anos depois, fica obcecado com cinco irmãs que vivem na frente da casa de um deles. Elas são filhas do professor de matemática do colégio local, Ronald Lisbon (James Woods) e vivem num regime muito severo. É a década de 1970, e o cotidiano familiar é apenas um pouco melhor que o de Carrie, a estranha. É a filha mais nova, Cecilia (Hanna Hal), de 13 anos, que pede socorro ao tentar se suicidar cortando os pulsos. A partir daí, e com outros acontecimentos como a ida das meninas à festa da escola, os pais começam a tratá-las de maneira mais e mais severa, até iniciar um regime de vigilância total.

Embora haja apenas um narrador, um dos meninos, não identificado, já adulto, o livro é escrito na primeira pessoa do plural, exatamente para colocar o leitor na mesma posição de voyeur dos narradores. As meninas, sabendo da curiosidade de seus vizinhos, transformam o assunto do suicídio em um verdadeiro espetáculo, se exibindo cada vez mais para os meninos, até o clímax da história. 

Lux (Kirsten Dunst) é a irmã com maior destaque, aquela cuja vida é explorada mais a fundo. As outras meninas ~soa vistas apenas de relance, tanto no livro quanto no filme. Estrela infantil, esse foi o primeiro grande papel de Kirsten, então com 17 anos.

O autor Jeffrey Eugenides teve a ideia desse seu romance de estreia depois de uma conversa com uma babá, que lhe contou que na adolescência ela e as irmãs haviam tentado suicídio. Adicionando um pouco de sua experiência pessoal como adolescente que cresceu no Michigan na década de 1970, Jeffrey pôs um pouco de nostalgia no livro, mesmo criticando parte do modo de vida americana. Embora o filme siga fielmente o livro, inclusive com diálogos inteiros iguais, alguns detalhes menos "fofos" e que arrastariam a história de forma desnecessária foram deixados de lado.

Em momentos que precedem algo importante ou trágico no filme, aparece uma imagem impressa da Virgem Maria.

Sofia dá a esse longa de estreia a sensação de câmera mágica que seguiria em outros filmes. Se em "Maria Antonieta" (2006), também com Kirsten Dunst, ela deu ares mais pop à rainha francesa, aqui a cineasta ainda é tímida nas licenças poéticas. Vez ou outra podemos ver uma cena filmada com mais sensibilidade, tons pastel ou mesmo o reflexo do sol visto através de folhas, que depois se tornaria marca registrada da diretora. Entretanto, foi por pouco que esse projeto de Sofia não se realizou. Depois de muito trabalho na adaptação do livro, ela descobriu que uma produtora já tinha planos para adaptar o livro. Sua única saída era mostrar o que ela já havia feito com o roteiro. Felizmente, a produtora, que não estava satisfeita com o roteiro que tinha, optou por usar o de Sofia.

Às vésperas do lançamento de seu aguardado quinto longa metragem, "Bling Ring: A gangue de Hollywood", nada melhor que repassar a curta porém adorável filmografia de Sofia Coppola, que além de dirigir também foi roteirista de todos os seus filmes e ganhou um Oscar de Melhor Roteiro em 2003. Ela pode não estar ainda no panteão de Hollywood como seu pai ou outros membros da ilustre família Coppola, mas está deixando sua marca não só com "As virgens suicidas", mas com todos os seus trabalhos.



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