15 de julho de 2013

Alfred Hitchcock: Um Midas das Adaptações Cinematográficas - Papel e Película (Coluna)


Além de mestre do suspense, Alfred Hitchcock bem poderia ser chamado de mestre das adaptações. Sim, ele se adaptava às exigências dos estúdios em seus primeiros tempos em Hollywood e também às limitações de roteiro, espaço, recursos tecnológicos e orçamento de cada película, mas o mais interessante é que boa parte de sua obra é formada por adaptações de livros, contos, peças de teatro e outros relatos, em sua maioria medíocres, mas que se tornaram obras-primas nas mãos de Hitch.

Nos tempos do cinema mudo, com vinte e poucos anos, Hitchcock fazia de tudo um pouco junto ao diretor Graham Cutts. Uma dessas funções era criar o roteiro, que muitas vezes era baseado em livros. Seu único roteiro original, ainda que em parceria com escritores não-creditados, foi “The Ring”, de 1927.

Daphne du Maurier foi uma escritora relativamente famosa até meados do século XX e se seu nome subsiste na literatura devemos isso Hitchcock. Começando com “Estalagem Maldita / Jamaica Inn”, em 1939, Hitch dirigiu algumas adaptações de obras da autora que se tornaram filmes inesquecíveis. Um deles, o primeiro do diretor em solo americano, é “Rebecca”, ganhador do Oscar de Melhor Filme em 1941, apesar de não ser o que mais merecia. E, em 1963, foi a vez de um conto da autora se transformar no hoje reverenciado “Os pássaros”.

O tratamento das histórias de Daphne era feito com a retirada de detalhes supérfluos e a mudança de pontos a fim de adicionar suspense à trama. Assim ficamos na ponta da poltrona, nervosos por não saber se a segunda Senhora de Winter sobreviverá ao final de “Rebecca”. Ao mesmo tempo, “Os pássaros” se torna mais interessante ao ter como protagonista uma moça elegante ao invés de um fazendeiro, o que retirou mensagens subliminares da Guerra Fria e adicionou várias especulações. Outra autora que passou pelo crivo de Hitchcock foi Patricia Highsmith. O primeiro livro da autora, também conhecida por adicionar muito suspense às suas obras, a ser adaptado para o cinema foi “Pacto Sinistro”, em 1951. Uma pena que Hitch não tenha trabalhado com mais obras dela.

Em Hollywood, embora nunca sendo creditado como roteirista, Hitchcock trabalhava lado a lado com os responsáveis pelo roteiro, já visualizando a maneira como iria filmar e editar as cenas. Uma de suas colaboradoras frequentes era a esposa Alma Reville, que adaptou a história de “A sombra de uma dúvida”, que mais tarde Hitchcock confidenciaria a François Truffaut ser seu filme predileto. Além disso, ela foi responsável por outros vários filmes dirigidos não só por Hitchcock, e também trabalhou como editora, continuista e editora assistente de películas. 

Aquele filme que é considerado sua obra-prima, “Psicose”, surgiu de um livro e Hitchcock fez questão de comprar todos os exemplares disponíveis para que o público não se adiantasse e descobrisse o final da história sem ver o filme. E a obra que recentemente ganhou o posto de melhor filme de todos os tempos segundo a revista Sight & Sound, “Um corpo que cai / Vertigo”, veio de um livro francês e foi rodado pouco depois que Hitchcock perdeu a oportunidade de adaptar “As diabólicas”, dos mesmos autores do livro que se tornaria "Vertigo" , para as telas. 

De seus filmes, seis foram criados a partir de roteiros originais e a qualidade desses filmes varia: desde o aclamado “Interlúdio” (1946) até “Cortina Rasgada” (1966), que, convenhamos, veio depois de Psicose e portanto era difícil superar seu predecessor. Na semana em que os nove filmes que Hitchcock dirigiu de 1925 a 1929, ainda durante o cinema mudo, se tornaram patrimônio da humanidade segundo a UNESCO, nada melhor que relembrar este grande artista com qualquer uma de suas sempre boas películas, originais ou adaptadas.

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