10 de junho de 2013

Rimas (Luís de Camões) - Crítica


Perto de mim está boa parte da lírica camoniana. Boas poesias não se lêem uma vez só. Nem duas. Tampouco três. Sempre devem ser lidas. E na verdade lidas com atenção. Que nem a que damos quando rezamos. São as melhores orações as poesias. E Camões faz a beleza se tornar presente na nossa língua materna. Nada de mais belo pode ser que não seja divino.

Leio Sá de Miranda também. E percebo diferença sem limite na linguagem dura deste com a maleável do grão vate português. Principalmente nas medidas novas trazidas por Sá mas íntimas da língua portuguesa só com Camões. É gênio! Nem Antônio Ferreira... Tampouco qualquer outra mão poetisa do classicismo de Portugal cantou tão afinadamente. Só comparar “O Sol é Grande”, melhor do poeta menor exemplo cá tratado, com muito soneto camoniano.

Também em medidas velhas Camões vai bem. Ele faz a ponte da lírica popular portuguesa, tão conhecida principalmente nas trovas simples com as personagens femininas que desejam suas amizades, com a lírica clássica, mais erudita de formas novas. Sei que mulheres cantadas nas redondilhas são mais próximas de nós, do cotidiano, do que das mais elevadas nos cânticos em medida nova por palavras sublimes. Entretanto toda mulher camoniana vem a ser espelho da perfeição. Certamente divina portanto.

Camões sabe da conexão entre beleza mais o sumo bem. Lembremo-nos assim de Platão salmodiado na recomposição maravilhosa do cântico de saudade judaico. Qual? Babel e Sião! Conseqüentemente suas damas não são adoráveis? Dinamene, que foi pelos Lusíadas trocada, não é pois “...imagem e semelhança de Deus”?

Muita gente considera Camões melhor em sua parte lírica. Todavia Dinamene foi preterida por um épico que fez de Camões gênio mundial. Não resolverei por aqui tal questão. Mas sabemos quão Petrarca foi mestre de Camões. Enfim... Precisamos ler Petrarca também.

Apesar disso tudo não temos melhor lírica na língua cá lida do que camoniana. Pessoa não foi lírico. Digo lírico de cantar o feminino. Feminino que quase se faz eterno na poesia. Mesmo que Pessoa seja gênio mais alto que Camões aquele não foi nem epicamente, tampouco no retrato feminino, bom até: muito menos pode passar perto do quinhentista. Contudo sabemos também que no canto da "tuba belicosa” muitas vezes a “frauta ruda” toca com galhardia.

Faço minhas as homenagens tanto de Bocage quanto de Garrett. Tarde demais veio seu reconhecimento? Talvez quem faz poesia de primeira só pode pensar em ser imortal: sem mais. Não quero livrar a cara do ser humano contudo por sua falta de tato para perceber as Musas. Constantemente são maltratadas pelo "Desconcerto do Mundo”...

Podemos assim deixar passar em branco sua primeira publicação de quatrocentos e cinqüenta? Não. As devidas honras para quem nos ensinou falar um português belo. Também universal. Que conhece bem qualquer mulher. E profundo que nem os mares navegados por caravelas. Leiamos as Rimas camonianas.

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