25 de junho de 2013

O Silmarillion (J. R. R. Tolkien) - Crítica / Resenha


Sinopse
O Silmarillion, relata acontecimentos de uma época muito anterior ao final da Terceira Era, quando ocorreram os grandes eventos narrados em O Senhor dos Anéis. São lendas derivadas de um passado remoto, ligadas às Silmarils, três gemas perfeitas criadas por Fëanor, o mais talentoso dos elfos. Tolkien trabalhou nesses textos ao longo de toda a sua vida, tornando-os veículo e registro de suas reflexões mais profundas.

Tolkien é um clássico. Como tal todos esperam ler grandes obras quando estas levam seu nome na capa. Nesse contexto O Silmarillion não decepciona sendo uma muito bem escrita coletânea de histórias sobre o rico universo da Terra Média.

A proposta do autor é confeccionar um relato mítico da criação e das grandes eras do seu mundo. Ao mesmo tempo é também um apanhado histórico, já que tais Mitos não são apenas alegorias e sim a realidade literal. Diante dessas duas demandas o livro vai muito bem, produzindo tramas criativas e interessantes do início ao fim; além de ser igualmente competente em seu modo de narrar. 

Porém, como a intenção é ser uma espécie de "testamento", a obra descreve acontecimentos com brevidade, não se preocupando portanto em criar uma atmosfera para deixar o leitor "preso". Nada que possa ser considerado problemático pela proposta historiográfica, entretanto tal característica tende a afastar os leitores causais que costumam preferir as tramas focadas em desenvolvimento de personagens. 

Por essa razão, O Silmarillion exige disposição daqueles que não são muito fãs de narrativas míticas/históricas. Masse esse obstáculo não for um problema, a leitura seguirá tranquila e sem quaisquer deficiências relevantes. 

Tolkien consegue mesclar com rara competência um estilo de escrita simples com descrições fortes; o resultado são várias pequenas histórias facilmente compreensíveis mas que impressionam e cativam pela qualidade. 

Cabe mencionar a possibilidade de confusão diante dos nomes de tantos personagens e linhagens. Eu mesmo tive que recorrer ao glossário diversas vezes e admito que em alguns casos não tive lá muita paciência e acabei passando batido por certos nomes. Mais uma vez nada que possa realmente ser considerado um problema, todavia pode interferir na fluidez na leitura.

No todo O Simarillion é uma obra muito boa que oscila um pouco mas que nunca chega a ser ruim ou fraca. Todas as histórias ligam-se bem afastando a sensação de "colcha de retalhos" recorrente em certas obras episódicas. Assim é uma leitura que só não é recomendada àqueles que tem horror ao estilo empregado.


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