6 de maio de 2013

8ª Feira do Livro de Poços de Caldas - Flipoços 2013


Viver em uma cidade que possua algum evento literário, seja este uma feira anual ou uma bienal, é o sonho e a alegria de qualquer leitor. Mesmo vivendo em uma cidade não muito grande, tenho a sorte de ter visto o nascimento e a evolução de um festival literário que ganha cada vez mais prestígio e espaço na mídia nacional: o Flipoços.

Desde 2006, entre o final de abril e começo de maio, época de início do frio nesta cidade incrustada nas montanhas, os amantes da leitura se juntam em um só lugar para comprar livros a preços mais acessíveis, fazer amizades, conhecer, ouvir e discutir com escritores consagrados. Ariano Suassuna, por exemplo, que esteve mais uma vez nesta edição, é figurinha carimbada do festival.

Entre alguns autógrafos, muitas fotos e entrevistas, os autores também têm a chance de conhecer melhor seu público, fazer palestras diversas e dar conselhos. O leitor tem a oportunidade de conhecer um ídolo de perto e se informar muito, além de encontrar os mais diversos livros a preços bastante tentadores. O aspirante a escritor ou escritor iniciante encontra neste oásis algumas oportunidades de negócio, de vender seu peixe, de conhecer gente nova e expandir suas relações no mercado editorial e também muitas dicas durante as palestras.

A cada ano uma nova gama de grandes nomes desfila pelo Espaço Cultural da Urca. Por aqui já passaram Luís Fernando Veríssimo, Rubem Alves, Fabrício Carpinejar, Thalita Rebouças e Laurentino Gomes. Como esta edição fez questão de ressaltar a imortalidade na literatura, nos lembramos com um gosto agridoce de personalidades já falecidas que compareceram em outras edições, como José Mindlin e Moacyr Scliar.

Como nem só a literatura alimenta o conhecimento, a música sempre esteve presente no Flipoços, seja através de palestras com músicos diversos ou com mesas-redondas de natureza musical. Neste ano foi acrescentada a arte cinematográfica. Na verdade, já aconteciam exibições paralelas às outras edições, mas agora foram inseridos debates após os filmes, contando inclusive com a presença de autores que tiveram suas obras adaptadas para o cinema. Destaco João Ubaldo Ribeiro e seu “Deus é brasileiro”, que virou filme em 2003, e o supracitado Suassuna e sua obra mais famosa, “O auto da compadecida”, adaptado para o cinema em 2000.

Muito destacado é o fato de ser necessário incentivar as crianças a ler. Pois bem, no Flipoços muitos estandes são destinados exclusivamente para os juveníssimos leitores, para alegria dos pais mais entusiasmados. As visitas por parte de escolas, apesar de ruidosas, são frequentes. Além da literatura infantil propriamente dita, os leitores que estão entrando nesse mundo também têm acesso à contação de histórias, apresentações de mágica e literatura de cordel.

É complicado descrever um evento de uma semana em poucas linhas. Não é fácil passar ao leitor dos quatro cantos do país e quiçá do mundo a alegria pueril de uma ávida leitora que entra numa espécie de livraria gigante e que conhece pessoas interessantíssimas. Que mais posso dizer? A feira é quase perfeita (sou daquelas que acreditam que perfeição não existe) e eu, como muitos outros frequentadores, já estou esperando pela edição de 2014.

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(obrigado pela visita, volte quando puder)