8 de abril de 2013

A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971 e 2005) - Coluna Papel & Película


Que criança não adoraria uma excursão a uma fábrica de chocolates e outras guloseimas, com o adicional de poder se tornar dona de tudo ao fim do passeio? Mas não pense que será tarefa fácil: só alguém de bom coração poderá herdar as maravilhas modernas da propriedade de Willie Wonka.

Wonka (respectivamente, em 1971 e 2005, Gene Wilder e Johnny Depp) promove um concurso para escolher cinco crianças que ganharão uma visita à sua fábrica e entre essas cinco apenas uma se tornará herdeira de seu império de guloseimas. Para escolher as crianças, foram escondidos cinco bilhetes dourados em barras de chocolate Wonka, o que gerou uma corrida sem precedentes para lojas de doces.

As cinco crianças e seus acompanhantes são até bem parecidas entre si, com exceção de Charlie (Peter Ostrum e Freddie Highmore). Os demais são todos meninos ricos e mimados, que fizeram seus pais comprar centenas de barras de chocolate até encontrar o bilhete dourado. Charlie, ao contrário, é pobre e tão sem recursos que cola na parede do quarto os papéis de todas as barras de chocolate Wonka que já comeu na vida.

O autor britânico Roald Dahl, quando criança, ouviu um boato sobre espiões que se infiltravam em fábricas de doces para roubar fórmulas secretas dos produtos para a concorrência. Já adulto, ainda com a história guardada na mente, ele escreveu “Charlie and the Chocolate Factory”, publicado em 1963 e que teve o título mudado para “Willie Wonka and the Chocolate Factory” na primeira adaptação para o cinema a pedido de um patrocinador do filme, a Quaker Oats, que havia acabado de lançar uma linha de doces com o nome Wonka. Enquanto Dahl ajudou a criar o roteiro do primeiro filme, sua viúva e filha observaram atentamente o processo de adaptação em 2005, e, com total controle sobre a produção, escolheram Tim Burton para dirigir a película e Johnny Depp para interpretar Wonka, um papel muito cobiçado em Hollywood. Na primeira versão, o papel principal foi muito cobiçado na Inglaterra, pois todos os membros do elenco de Monty Python expressaram interesse em interpretar Wonka.

Essa não é a única relação de Roald Dahl (1916-1990) com o cinema: além de ter sido casado com a atriz Patricia Neal por 30 anos, ele foi responsável também por outras histórias de sucesso para crianças que se transformaram em filmes, como “Matilda”, “James e o pêssego gigante” e “O fantástico Sr. Raposo”. Dahl também inseriu pequenas partes musicais em seu livro, mas apenas uma canção foi usada no filme de 1971.

Claro que mais de 30 anos fizeram diferença na tecnologia usada no cinema. Ambos os filmes são extremamente coloridos, embora o primeiro tenha seu visual datado, porém charmoso. Com o desenvolvimento da computação gráfica no cinema, esperava-se que vários elementos fossem computadorizados, mas não foi bem assim que aconteceu. Os 165 oompa-loompas, figuras simpáticas e diminutas que ajudam Wonka na fábrica e cantam para dar lições de moral às crianças, foram interpretados por um único ator, Deep Roy, que repetiu cada performance minuciosamente para cada um dos oompa-loompas. Trinta anos antes, os oompa-loompas foram difíceis de encontrar, pois o filme foi rodado na Alemanha, cuja maioria dos anões pereceu durante o regime nazista, e foi necessário contratar anões de outros países, sendo que muitos deles não falavam inglês.

O roteirista do remake, John August, só viu a primeira versão depois de terminar o roteiro, que por sinal segue como mais fidelidade a história original, e ficou bastante surpreso ao ver um pouco de humor negro num filme infantil. Seguindo a linha de “O maravilhoso mágico de Oz”, vemos várias punições até chegar à moral da história.

Muitas surpresas de dar água na boca estão presentes nas duas versões. Em 1971, um terço dos doces usados no cenário e na decoração eram reais. Em 2005, mesmo com milhares de barras Nestlè em meio ao cenário, muito chocolate falso também foi usado, sem nenhum prejuízo ao visual.

Como uma nota alegre e muito oportuna, o livro só virou filme graças a uma criança: foi Madeline Stuart, filha do diretor Mel Stuart, que leu o livro aos dez anos de idade e sugeriu que o pai fizesse uma adaptação para o cinema. Ela não imaginava como estava certa ao fazer este pedido, pois “A fantástica fábrica de chocolate” alcançou um grande público na época do VHS, tornou-se popular a ponto de uma expressão irônica de Gne Wilder em uma das cenas virar meme nas redes sociais e, prova maior de sua estima, ganhou um remake perfeito para ser visto com toda a família, saboreando um bom chocolate.


Letícia

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