10 de março de 2013

Os Descendentes (2011) - Coluna Papel & Película


Um dos locais mais cobiçados para se passar férias, o ensolarado Havaí com suas ondas radicais e dançarinas de hula, serviu no cinema como pano de fundo para vários dramas, e não apenas aqueles relacionados com Pearl Harbor. Como o próprio protagonista faz questão de afirmar logo no começo de “Os Descendentes”, muitos de seus amigos do continente pensam que ele vive no paraíso, mas na realidade ele está passando por um momento de verdadeiro inferno astral.

Matt King (George Clooney) é um bem-sucedido advogado que está cuidando de um importante negócio da família: a venda e repartição do lucro de um imenso lote de terras passado de geração em geração, mas que agora tornou-se um estorvo. Neste momento, ele precisa também enfrentar outro drama: a morte iminente de sua mulher, que sofreu um acidente de lancha. E isso não é tudo: ele deve ajudar suas duas filhas, a menina travessa Scottie (Amara Miller) e a adolescente rebelde Alexandra (Shailene Woodley), a lidar com a situação. Pensa que acabou? Não! Matt ainda descobre que sua mulher o traía.

As belezas paradisíacas do Havaí não poderiam deixar de ser exploradas, ainda mais se combinadas com a imagem do ator mais cobiçado pelas mulheres dentro e fora da indústria do cinema. As casas são charmosas, e de fato dá vontade de passar férias no local. Para quem quer se acostumar com a ideia, a trilha sonora incluindo várias músicas havaianas já ajuda bastante.

Você já pôde notar que apesar do visual encantador do local, a jornada de Matt está cheia de percalços. A situação o faz reavaliar o legado de sua família de origem nobre e, por conseguinte, repensar a venda das terras. Ele percebe que o excesso de trabalho e mimos acabou marcando profundamente as filhas e transformando-as em garotas que fazem de tudo para chamar a atenção, inclusive fazer mal a si mesmas ou aos outros. 

A autora Kaui Hart Hemmings tem em “Os Descendentes” seu romance de estreia. Antes da publicação do livro, Kaui já havia começado a criar a história, apenas com Matt e Scottie, em um conto chamado “Guerras Menores”, publicado em coletâneas e bastante elogiado por críticos. Misturando drama, comédia e um pouco de cinismo, ela consegue construir um enredo capaz de agradar a todos que se interessam por uma boa história sobre dramas familiares tão atuais. Para provar o humor do livro, basta dizer que é descrito que Scottie usa uma camiseta com o escrito “senhora Clooney” para provocar o pai. No fime, Kaui aparece brevemente como secretaria de Matt. Poucas mudanças foram feitas e uma delas, sem explicação aparente, foi a mudança do nome da esposa de Matt: no livro ela é Joan, no filme, Elizabeth. Como era de se esperar, o clímax tanto do livro quanto do filme é o encontro de Matt com o amante de sua esposa, ele próprio um homem casado e pai de família.

O panorama de crise econômica que abalou o mercado imobiliário americano em 2008 justifica um dos temas do filme, bem como o grande interesse gerado por ele. Sim, os primos de Matt são os herdeiros preguiçosos que já foram tão bem retratados no cinema. Outros personagens estereótipos são Alexandra e seu namorado Sid, ambos adolescentes rebeldes que, felizmente, mudam ao longo do filme, com Alexandra transformando-se na confidente do pai e cabeça do plano para encontrar o amante da mãe.

Indicado a cinco Oscars, ganhou apenas um, de Melhor Roteiro Adaptado, sendo um dos responsáveis pela adaptação o próprio diretor Alexander Payne. Clooney disputou a preferência com Jean Dujardin, mas vale lembrar que hoje o galã já tem dois prêmios: o de Melhor Ator Coadjuvante por “Syriana – A indústria do petróleo” (2005) e agora o de produtor, uma vez que Argo ganhou como Melhor Filme em 2013. Mesmo assim, George foi escolhido melhor ator pelos críticos de cinema, no Festival de Cinema em Hollywood e ganhou o Globo de Ouro. Quem acabou com mais glórias pelo filme foi Shailene Woodley que, vinda da televisão, ganhou nada mais nada menos que 15 prêmios por sua atuação, sendo apontada como revelação e chamando a atenção dos poderosos de Hollywood, de modo que agora está cotada para vários filmes muito aguardados, como a adaptação ainda indefinida de “A culpa é das estrelas” para o cinema.

Pense bem antes de ir para o Havaí com a ideia de ver-se livre de todos os seus problemas. Pense enquanto assiste ao filme ou lê o livro, porque é impossível não imaginar o que nós faríamos na pele de Matt. Mas não pense duas vezes para dar uma chance a esse sucesso de público e de crítica.

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