25 de março de 2013

Entre Dois Amores (1985) - Coluna Papel & Película



A exemplo de “O paciente inglês”, vencedor de nove Oscars em 1996, por vezes considerado arrastado e entediante, “Entre dois amores” abusa dos cenários grandiosos, boas atuações e natureza impressionante para cativar o público. Assim como o outro filme, feito 11 anos depois, este também baseou-se em um livro. E torna-se ainda mais interessante ao sabermos que conta uma história real.

A dinamarquesa Karen Blixen (Meryl Streep) vai para o Quênia se casar com o barão Bror Finecke (Klaus Maria Brandauer), que usa o dote da esposa para começar uma plantação de café, a qual é quase que exclusivamente comandada por Karen. Desde o início pouco animada com a grande mudança, Karen vê sua situação piorar com o fato de o marido viajar sempre, sabe-se lá para quê. Sua solidão só é aplacada quando ela começa a conhecer melhor o caçador de leões Denys Hatton (Robert Redford), com quem ela já havia se estranhado no trem. 

Não é apenas a relação com seus os homens que é complicada: Karen também tem de lidar com os nativos Masai da região e até mesmo com a realidade da Primeira Guerra Mundial. Tudo seria muito clichê para um filme romântico se não fosse autobiográfico. Todas as emoções ficam mais ainda à flor da pele do espectador quando se ouve a música composta e conduzida por John Barry, responsável também pelas várias trilhas de 007. E falar do talento dos protagonistas seria redundância: Meryl e Robert são dois grandes intérpretes da sétima arte. 

Karen publicou sua história sob o pseudônimo Isak Dinesen, sendo Dinesen seu sobrenome da época de solteira. Nascida em 1885, Karen mudou-se para a África no início da década de 1910. Quando voltou para sua Dinamarca natal, no começo da década de 1930, tornou-se escritora e outros textos seus foram adaptados para o cinema, com destaque para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1988, “A fesa de Babette”, além de “Uma história imortal” (1968), dirigido por Orson Welles, seu grande fã. Os direitos de adaptação do livro “Entre dois amores”, publicado em 1937, já eram assegurados há tempos por Hollywood e pensou-se que tanto Greta Garbo quanto Audrey Hepburn poderiam ser a protagonista. Sábias escolhas que infelizmente não se concretizaram.

Karen Blixen conheceu diversas personalidades após ficar famosa com seus escritos, por exemplo, o compositor Igor Stravinsky, o autor Arthur Miller e sua esposa, a atriz Marilyn Monroe e o escritor e seu admirador, Truman Capote. Seu nome foi usado para batizar a área onde ficava sua fazenda de café na África. Após sua morte, Karen foi homenageada com um museu e um asteroide também ganhou seu nome. Sem ter ganhado o Nobel de Literatura e apesar de ser hoje pouco lembrada, Karen mantém pelo menos um recorde: de, como mostrado no filme, ser a única mulher na história a ser convidada para beber no Muthaiga Country Club, exclusivo para homens.

“Entre dois amores” ganhou sete Oscars e, assim como “O paciente inglês”, recebe críticas diversas conforme o público. Seus concorrentes eram fortes: “A cor púrpura”, “O beijo da mulher-aranha” e “A honra do poderoso Prizzi”. Alguns o consideram demasiado longo, enquanto outros preferem se concentrar em algum detalhe charmoso da obra: trilha sonora, figurino, fotografia, atuação. Há também os que preferem ver o filme como um todo e para isso acabam repetindo a dose várias vezes. Para os fãs de romance, surpresas e algum realismo, um filme imperdível, para os demais, uma boa maneira de passar a tarde.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)