13 de fevereiro de 2013

O Lado Bom da Vida - Cinefilia Literária (Coluna)



Entrou em cartaz recentemente, “O lado bom da vida”, indicado em oito categorias no Oscar é baseado no romance de estreia do escritor Matthew Quick, e se mostra uma boa opção nesse gênero tão castigado por comédias românticas tolas e esquecíveis. 

É óbvio que não se deve esperar de Hollywood há um bom tempo, grandes estudos profundos sobre personagens com problemas psíquicos, ou qualquer outro tipo de estudo profundo, pode até acontecer, mas não é comum. Então se apegar ao fato de que o filme é superficial em relação às nuances de pessoas psicologicamente desequilibradas é reclamar por implicância, no mínimo. 

Outra, dizer que o enredo se desenvolve bem, até o romance acontecer de fato, e que o final “presumível” não ajuda, também não deveria servir como desmerecimento. De repente, só podemos valorizar o que se aproxima ao máximo do real? E será que o real é SEMPRE mais triste e melancólico do que uma comédia romântica poderia demonstrar mesmo esta que tenta fugir de vários clichês? 

No meu entender, tudo tem um limite e O lado bom da vida foi um ótimo entretenimento num fim de semana cansativo, não atentando descaradamente contra minha inteligência, como tantos outros que se declaram filme sem ser. 

O grande mérito neste caso, como se pode ver e ler em vários outros meios e veículos, é do casal de ator e atriz principal. Todos os elogios feitos a ambos e suas respectivas indicações ao Oscar por tais papeis foram mais do que justos. Surpreendeu-me positivamente o desempenho de Bradley Cooper no papel de Pat Solitano, esperava menos dele e isso contou ao seu favor. 

Já Jennifer Lawrence... Estará já enjoada de receber elogios? Com apenas 22 anos esta já é a sua segunda indicação ao Oscar e merecida, vale ressaltar. Falei bastante sobre o quanto ela havia realizado um ótimo trabalho no papel de Katniss Everdeen em Jogos Vorazes, ao ponto do filme, valer a pena ser visto só por causa dela. Aqui, a maneira dela atuar continua primorosa, quem leu o livro afirma que mais outra vez a personagem foi desempenhada com extrema verossimilhança.

Ainda temos um coadjuvante de luxo que atende pelo nome de Robert De Niro. Fazia tempo e filmes que eu não levava a sério as interpretações dele, estavam todas automáticas e iguais. Neste filme, temos um vislumbre do grande ator que ele é. 

Não falei quase nada do enredo né? Acho que quase todo mundo já sabe, mas enfim, Pat (Bradley Cooper) sofre de distúrbios psíquicos, que no filme são caracterizados como transtorno bipolar. Sabemos em algum momento do enredo que ele passou 8 meses internado numa clínica psiquiátrica, mas por algum motivo que não consigo lembrar agora, tive a impressão de que seria mais tempo e comprovei ao ler algumas resenhas sobre o livro: a internação dele durou por volta de 4 anos, mas ao sair da clínica ele não faz ideia disso. 

O desejo de Pat é retomar a vida ao lado da (ex) esposa por quem ainda está apaixonado. Entre vários acontecimentos, ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence) que também possui certos distúrbios, estes não nomeados no filme, mas percebemos bem o quanto ela lida de maneira diversa com a vida, de uma forma nada sonhadora, ela é mais segura de si do que Pat e as conversas entre ambos são interessantes e divertidas. 

Recomendo muito como distração não prejudicial ao intelecto de ninguém, só talvez dos seres mais aborrecíveis por natureza. 


Ficha Técnica 
Ano de lançamento do filme: 2012 
Livro escrito por: Matthew Quick 
Ano de lançamento do livro em Inglês: 2008; em Português: 2013 
Direção: David O. Russell 
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Chris Tucker, Julia Stiles, Shea Whigham, Anupam Kher, Jacki Weaver, Dash Mihok


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