6 de fevereiro de 2013

Morte Súbita (J. K. Rowling) - Resenha



Sinopse

Quando Barry FairBrother morre inesperadamente aos quarenta e poucos anos, a pequena cidade de Pagford fica em estado de choque.
A aparência idílica do vilarejo, com uma praça de paralelepípedos e uma antiga abadia, esconde uma guerra.
Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com os maridos, professores em guerra com os alunos… Pagford não é o que parece ser à primeira vista.
A vaga deixada por Barry no conselho da paróquia logo se torna o catalisador para a maior guerra já vivida pelo vilarejo. Quem triunfará em uma eleição repleta de paixão, ambivalência e revelações inesperadas? Com muito humor negro, instigante e constantemente surpreendente,Morte Súbita é o primeiro livro para adultos de J.K. Rowling, autora de mais de 450 milhões de exemplares vendidos.


Depois de ter escrito o incontestável sucesso Harry Potter, J. K. Rowling se tornou famosa o suficiente para conseguir emplacar qualquer livro de sua autoria, mesmo que a trama seja completamente diferente da fantasia aventureira do seu maior best-seller.

Aproveitando-se deste prestígio a autora britânica assina Morte Súbita, uma obra de pouquíssimo comprometimento comercial que só frequenta a lista de mais vendidos graças ao nome da escritora. 

Isso não significa que o livro é ruim. A história é interessante com destaque para os personagens sempre bem construídos; o que parece ser realmente a maior qualidade no estilo de Rowling.

Morte Súbita não tem um protagonista, mas vários habitantes da pequena cidade de Pagford que sentem de uma forma ou de outra a morte do ilustre cidadão Barry Fairbrother. Tal evento fatídico acontece logo no início da trama desencadeando várias situações dramáticas entre os integrantes da narrativa.

Curiosamente, Rowling opta por contar uma história sem qualquer pretensão edificante; tanto que nenhum dos personagens que assumem alternadamente o protagonismo pode ser considerado um ser humano "imaculado"

Mas porque o livro não estaria entre os mais vendidos caso fosse escrito por uma autora desconhecida? Pela natureza completamente minimalista dos acontecimentos e pelo desenvolvimento muito lento da trama que vai completamente de encontro aos títulos comerciais, onde eventos de grande apelo são obrigatórios. 

Em Morte Súbita a escritora não se preocupa nem um pouco em fazer ganchos ou grandes reviravoltas (por exemplo) para atrair atenção, a ideia clara é contar a história por menos dinâmica que seja em alguns momentos.

O próprio desenvolvimento dos personagens - significativo mas sutil - é a melhor representação dessa cadência lenta muito mais realista do que chamativa. 

É até difícil julgar o livro pois é ele é minimalista por proposta, mas no todo ele é bem redondo. A história não tem a capacidade de impressionar mas nem quer fazer isso, a ideia é ser simples, sentimental, dramática e verossimilhante; todos estes objetivos são alcançados. 

O maior incômodo do livro (além do estilo menos popular por natureza) é mesmo a necessidade de inserir elementos problemáticos em tudo. Todas as tramas são ligadas por pessoas que sofrem por um motivo ou por outro (um caleidoscópio das várias mazelas que afligem a sociedade) e esse acúmulo de tristezas quebra um pouco a imersão na proposta realista, afinal de contas existem muitas pessoas que estão bem mesmo sem recorrer ao auto-engano.

Morte Súbita é assim um livro intimista que funciona bem com seus personagens interessantes e trama sólida. Não chega a ser uma obra-prima em seu gênero, mas desempenha sua proposta com uma competência incontestável que só atesta para a capacidade de J. K. Rowling como escritora. 



 
(3 de 5 / Bom)





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