24 de fevereiro de 2013

Love Story (1970) - Coluna Papel & Película


Histórias de amor são os temas mais explorados do cinema. O que então faz um filme cujo título é exatamente “uma história de amor” se destacar e, mesmo quarenta anos depois de sua estreia, ser ainda um sucesso e uma referência?

Oliver Barrett IV (Ryan O’Neal) estuda Direito em Harvard. Um dos prédios da faculdade foi batizado em homenagem à família dele, riquíssima. Em uma visita à biblioteca, ele conhece Jennifer ‘Jenny’ Cavilleri (Ali MacGraw), estudante de música, e os dois mostram desde o início uma química explosiva, não do jeito que hoje estamos acostumados, mas sim com uma enxurrada de provocações, em especial por parte de Jenny.

A essência dos amores impossíveis no cinema e na literatura é esbarrar em alguma objeção da família dele, dela ou de ambos. Como Phil Cavilleri, o simpático pai padeiro de Jenny, aprova o namoro, resta a oposição de Oliver Barrett III (Ray Milland), que não quer que o filho se envolva com uma moça de uma classe social inferior. Muitas brigas em família, dramas e dificuldades estão garantidos. 

Escrito num momento em que os tempos começavam a mudar, não apenas no cinema com a busca de novas estrelas, mas também no mundo real, com as mudanças no papel da mulher na sociedade, “Love Story” é um pouco ambíguo. Jenny é uma mulher independente, formada, que não policia as palavras que saem de sua boca e que está prestes a ir a Paris com uma bolsa de estudos, mas ao conhecer Oliver passa a pensar mais no bem-estar do amado que em si própria.

Em uma manobra bastante incomum, aqui o filme surgiu praticamente antes do livro, mas não para o público. Erich Segal, cuja primeira experiência no cinema foi como roteirista de “Submarino Amarelo”, filme dos Beatles de 1968, escreveu primeiro o roteiro de “Love Story” e então adaptou-o para um livro, que foi lançado estrategicamente no dia dos namorados de 1970, dez meses antes do filme. Para criar o protagonista, Erich baseou-se em dois alunos de Harvard que mais tarde tornaram-se figuras públicas: Al Gore, vice-presidente dos EUA, e Tommy Lee Jones, que faz sua estreia como ator neste filme.

O autor conseguiu fama com este best-seller ultrarromântico e aproveitou para lançar, oito anos depois, uma sequência, “A história de Oliver”, com enredo e narrativa igualmente cinematográficos. Assim como o livro, o filme foi um imenso sucesso e catapultou ao estrelato seus protagonistas. Outro destaque é a emocionante e inesquecível trilha sonora, composta pelo francês Francis Lai, que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora naquele ano. Em 1971, foi acrescida letra à melodia e a música foi batizada como “Where do I begin?”. Mais um detalhe que ficou é a melosa frase dita por Jenny: “Amar significa nunca ter de pedir desculpas”. Votada como uma das frases mais inesquecíveis do cinema, dois anos depois ela foi objeto de piada no filme “Essa pequena é uma parada”. Quando Barbra Streisand pronuncia a frase, seu par romântico, interpretado também por Ryan O’Neal, diz que “essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi”.

O diretor Arthur Hiller desligou-se do projeto que daria à luz “O Poderoso Chefão” para dirigir este filme, e sua carreira, queira ou não, estará sempre relacionado à película. Ali MacGraw virou estrela instantânea e, em seu filme seguinte, conheceu e se apaixonou pelo ator Steve McQueen. Divorciando-se do marido, um produtor da Paramount, Ali perdeu vários papéis importantes. Ryan O’Neal, antes um lutador de boxe amador, foi o protagonista de “Barry Lyndon” (1975) e tem mais destaque na vida pessoal, por ser pai de Tatum O’Neal, mais jovem atriz a ganhar um Oscar, e por seu longo relacionamento com Farrah Fawcett.

Além do Oscar de Trilha Sonora, o filme ganhou cinco Globos de Ouro, incluindo Melhor Filme Dramático, Melhor Atriz, Diretor e Roteiro. Foi o maior sucesso de bilheteria do ano e, quiçá, um dos maiores da década de 1970. Cultuado até hoje, é um filme perfeito para um encontro romântico, uma noite fria ou qualquer momento em que muitos lenços estiverem à mão.


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