27 de janeiro de 2013

Hemingway no Cinema - Coluna Papel & Película


Sem dúvida, Ernerst Hemingway foi um dos maiores escritores da literatura norte-americana e um dos mais influentes de todo o mundo. Ernest representou a voz de toda a geração que pensou e criou depois da Primeira Guerra Mundial. Como homem de sua época, é óbvio que Ernest também se envolvesse com o cinema.

A própria vida de Hemingway é digna de um personagem de ficção. Ainda adolescente, ele foi para o front italiano durante a Primeira Guerra Mundial, servindo como motorista de ambulância. Dois meses após chegar à Europa, foi gravemente ferido, mas mesmo assim carregou um soldado até uma área segura, ganhando por isso uma medalha de bravura. Este período foi importante para sua carreira como escritor, mas sem dúvida o momento que mais o influenciou foi a década de 1920, quando morava em Paris com a primeira esposa. Lá ele conheceu grandes nomes da literatura e da pintura, como Ezra Pound e Pablo Picasso. De Paris ele contribuía para o jornal “Toronto Star” e também escrevia contos. A “geração perdida”, com a qual convivia e da qual fazia parte, foi retratada em “The sun also rises”, publicada em 1926 e que demorou trinta anos para virar filme, que recebeu o título em português de “E agora brilha o sol”.

Os primeiros escritos de Hemingway foram publicados em 1926, quando ele tinha 27 anos. Seis anos depois, ele vê a primeira adaptação de “Adeus às armas” para as telas. A história do tenente Henry havia virado peça de teatro dois anos antes e ganhou um remake no cinema em 1957. Para a publicação do livro, muitas palavras foram censuradas e, na segunda versão, já feita sob o código de decência de Hollywood, alguns detalhes foram abrandados.

Em 1944, o diretor Howard Hawks fez uma aposta com o autor. Hemingway duvidava que Hawks conseguisse realizar um filme a partir daquele que considerava seu pior romance: “To have and have not”. Hawks usou muito pouco da obra para filmar “Uma aventura na Martinica”. O roteiro ficou por conta do também famoso escritor William Faulkner, que preferiu focar em estágios anteriores da vida dos personagens Steve e Marie ‘Slim’ Browning. No entanto, a cena mais famosa de todo o filme e que bem demonstra o relacionamento fora das telas dos atores Humphrey Bogart e Lauren Bacall foi escrita pelo próprio Hawks. Logo após as filmagens, e apesar da diferença de 25 anos entre eles, Bogart e Bacall se casaram e permaneceram juntos por 13 anos, até a morte dele.

No começo da história da televisão, Ernest também estava presente: durante a década de 1950, várias de suas histórias foram adaptadas para as telinhas. Em sua maioria, séries que tinham por objetivo transportar obras de outros meios para a recém-nascida televisão condensavam toda a ação em episódios de não mais de uma hora de duração.

Em várias de suas obras, Hemingway se concentra muito mais no desenvolvimento psicológico ou nas relações das personagens do que na ação externa, embora o cenário seja bastante propício para isso. Um bom exemplo é “Por quem os sinos dobram”, que virou filme em 1943. A premissa de uma missão para explodir uma ponte durante a Guerra Civil Espanhola serviria para um movimentado filme de ação, mas, para desapontamento de alguns espectadores, o que se escolhe é o foco no relacionamento de Maria (Ingrid Bergman) e o soldado americano Robert (Gary Cooper) e também o esforço do militar para convencer os habitantes do local para ajudá-lo. E tudo isso em uma produção de quase três horas de duração! Olhe que Hemingway poderia dar detalhes do conflito, uma vez que foi correspondente de guerra da Espanha, mas preferiu manter seu estilo de escrita e dar mais atenção ao desenvolvimento das personagens.

Seus escritos deram origem a filmes de diversos gêneros. No filme noir, ele esteve presente com o conto “The Killers”, que em 1946 virou o filme “Os Assassinos”, que marcou a estreia de Burt Lancaster como protagonista. O romance que rendeu a Hemingway seu Nobel de Literatura, “O velho e o mar”, foi adaptado para o cinema em 1958 e a película ganhou um Oscar de Melhor Trilha Sonora. Ele não fez fartura apenas nos países de língua inglesa, mas também, a partir da década de 1990, teve seu trabalho transformado em curtas de diversos países, entre eles Grécia, Espanha, Dinamarca e Rússia. 

Em 2012, o conto mais curto de Ernest, e talvez o menor de toda a história, foi transformado em curta-metragem. Novamente através de uma aposta, Hemingway escreveu uma história com seis palavras (sete, ao ser traduzida para o português) que fizesse o leitor chorar. O resultado foi: “À venda: sapatos de bebê. Nunca usados.” (“For sale: baby shoes. Never worn”). No mesmo ano, o feitiço virou contra o feiticeiro e o escritor virou personagem em “Hemingway e Gellhorn”, filme feito para a televisão que trata da relação de Ernest com a jornalista Martha Gellhorn. Hemingway foi interpretado por Clive Owen.

Ernest Hemingway não apenas influenciou vários outros escritores, mas também está presente em muitas áreas. Famoso por seu gosto por bebidas, ele deu nome a bares e restaurantes. Seu estilo de escrita, embora imitado por muitos, é único e deu origem a uma gama de produções igualmente notáveis.


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