31 de agosto de 2012

O Casamento (Nicholas Sparks) - Primeiras Impressões

Quem já leu algum livro de Nicholas Sparks sabe bem como é o estilo do autor misturando simplicidade (que beira a superficialidade) com fortes teores de um drama constante e muito sentimental (muitas vezes chegando ao dramalhão). 

Em O Casamento, a lógica parece ser a mesma considerando o primeiro capítulo da obra (leia também clicando aqui). O escritor já usa e abusa de seu narrador sentimental que neste caso é um homem preocupado com os rumos do seu casamento.

Como sempre, o amor é o tema primordial descrito daquele jeito de narrar tão dramático que mais parece uma novela. Não é que seja ruim, mas certamente tem a capacidade de afastar aqueles que não são muito chegados a um melodrama.

Aparentemente, este é mais um livro que segue o padrão "Nicholas Sparks" rigorosamente e portanto deve agradar aos fãs do autor sem qualquer problema. É verdade que a trama centrada num casal já próximo à terceira idade pode não ser de interesse de muitos jovens que talvez não se identifiquem, mas o modo de escrita é o de sempre.

Assim, ao que tudo indica, O Casamento é velho Sparks de sempre. Em outras palavras, quem gosta deve adorar e os demais certamente continuarão não suportando. 

Recomendo Para Quem:

- Gosta do estilo do autor
- É chegado num drama forte
- Quer uma leitura simples e não impactante ou agressiva

30 de agosto de 2012

The Walking Dead #100 (Image Comics) - Crítica / Resenha


Antes de ler a crítica abaixo sobre a edição 100, você pode conferir nossa opinião sobre a série como um todo clicando aqui.

É difícil avaliar uma HQ de linha considerando que sua história é apenas uma pequena parte de um todo, mas tive de abrir exceção para a centésima edição de The Walking Dead; minha série de quadrinhos predileta na atualidade.

Recorde de vendas, este número respeita fielmente a ideia de continuidade prosseguindo com a trama onde Rick e seu bando estão de olho em um novo povoado; ao mesmo tempo que paira a ameaça do temível vilão Negan.

Todo fã esperava que nesta edição ocorresse algum daqueles fatos extremamente impactantes e violentos que já viraram marca registrada da obra; Kirkman, felizmente, não decepciona. 

The Walking Dead #100 realmente traz o acontecimento forte que marca a mudança para uma nova perspectiva da história, onde Rick e seus amigos ocuparão uma posição bem complicada (e interessante) diga-se de passagem. 

Assim, a HQ se destaca justamente por não tentar fugir de seu padrão apresentado quase tudo que o leitor poderia esperar de uma edição da série: cenas fortes, realismo, drama, expectativa....

Entretanto, ela não consegue ser exatamente surpreendente como em outras ocasiões, já que não é difícil prever o que vai ocorrer até o final da história. Agora seria uma dificuldade realmente complicada de contornar, considerando que todos os leitores já tem a certeza do acontecimento impactante  (muito embora não saibam qual será) antes de ler o quadrinho.

Assim, The Walking Dead #100 certamente não é o auge do que a série pode propiciar, mas funciona muito bem no contexto da grande saga ao representar com competência um momento de mudanças significativas através do padrão "Kirkman e Adlard" de qualidade. 


4 de 5 (Muito Bom)



29 de agosto de 2012

Ou Livros Bons ou Nada! - Coluna Insolência Quinzenal



Com estupefação presencio tantas empolgações por besteira. Todas elas não se dão conta de que se perdem em futilidades. A vida foi feita para ser vivida. Só se pode viver bem a procura do melhor. Já temos tão pouco de tempo na travessia chamada pela “Salve Rainha” de “Vale de Lágrimas”...

Entretanto por causa desse vale de sofrimento muita gente se perde nas drogas. Elas todas que dão sensações agradáveis no momento: depois nos lascam pelo resto da vida. Não trato da cocaína. Sem cigarro! Nem da maconha. Tampouco da popular cachaça.

Vejamos as leituras que são oferecidas a quem pretende ler hoje.

Na sua maioria porcaria.

Cinco segundos na porta da livraria já basta para vermos em letras graúdas os títulos que são grandes fenômenos de vendas. Ao pegar qualquer um deles normalmente nas suas traseiras críticas que de tão favoráveis chegam a ser inacreditáveis. Inacreditáveis: repito.

Sem dúvida tanto Folha de São Paulo quanto Veja são confiáveis indicando livros... Para peso de papel. Peso de papel? Sim. Pesos de papel caríssimos: Eike Batista compra! 

Já li para criticar, mocinha de Crepúsculo: pára com tuas donzelices e vá ler algo menos ruim... Pelo menos!

Ao ler porcaria tenho dores de cabeça... Piedade!

Mais: a multiplicação de quem escreve sensaboria. No máximo temperos insossos que nos empurram goelas abaixo. Pior: sem a justificativa de serem saudáveis. Lamentável... Nem com o velho sal se resolve! São pedidos mil para ler a novidade da praça. Multidão chamada rebanho segue com solicitude servil toda moda posta como boa nas prateleiras vendáveis das livrarias.

Só para constar: a comparação, que suponho corriqueira, de Sêneca com qualquer intelectual por aqui não cabe. Não me venham oferecer como solução um proceder estóico! Bem... E Sêneca cometeu suicídio por causa de Nero.

Nem me passa pela cabeça dolorida cometer suicídio: portanto critico. Na pressão. Ou livros bons ou nada!

Precisão nenhuma tenho de conseguir gente que leia só para fazer figura no meio social citando meia-dúzia de beletristas... Também de Josefas acabadas de sair da menarca que desejam “príncipes” meiguinhos... Maquiavel na cabeça! Das qualidades que podemos obter inteligência não vem a ser única. Busquemos outras...

Como dificilmente se muda qualquer coisa vou procurar agora paciência. Mas não estóica pois continuarei com minhas insolências.



e-mail: sergio@leialiteratura.com

foto: Youpix

28 de agosto de 2012

Sonhos: The Soul Seekers #1 (Alyson Noël) - Crítica / Resenha

Editora Leya
Sinopse
Daire Santos é uma adolescente de 16 anos, filha de uma maquiadora de Hollywood, que namora estrelas de cinema e viaja com a mãe por todo o mundo. Até que coisas estranhas começam a acontecer com ela: visões com corvos e pessoas brilhantes, o tempo que para de andar, sonhos com um belo menino de olhos azuis-gelo.
Os médicos acham que se trata de um caso psiquiátrico. Sua avó, curandeira respeitada na pequena cidade de Encantamento, Novo México, afirma que pode curá-la com suas ervas e poções. Sem alternativa, Daire vai para uma cidade perdida no meio do nada, longe da mãe, e com a avó que até então não conhecia.
O que parecia ser o fim, no entanto, revela-se o início de uma grande aventura: guiada pela avó, Daire descobre ser uma Buscadora de Almas, descendente de uma linhagem poderosa que, através dos tempos, vem garantindo o equilíbrio entre o bem e o mal tanto no nosso mundo quanto em outros mundos e outras dimensões.


Muitos dos livros para adolescentes na atualidade seguem um modelo de sucesso. A receita é contar a história de uma menina com vida aparentemente normal que se descobre detentora de poderes mágicos ou que encontra essas mesmas capacidades especiais em um misterioso e sedutor amante.

Sonhos cumpre esta estrutura ao narrar a história de Daire Santos como uma jovem que vê sua vida mudar quando começa a ter estranhas visões. Como manda o figurino, ela inicialmente rejeita tudo aquilo como indicativo de doença, mas ao ir morar com sua simples e e mágica avó ela abre os olhos para um mundo místico que foi esquecido pela ignorância da civilização tecnologicamente avançada.

Todo este escopo, como fica claro, pode ser visto em diversas outras tramas que tem a magia como foco. Noël não parece se preocupar em bombardear o leitor de clichês: relação com a natureza, casas simples, roupas modestas... Tudo isso coroado por mais uma trama que segue aquele velho esquema do mestre ensinando a jovem promissora que tem potencial para ser a mais forte de toda a sua linhagem.

Essas repetições teriam um efeito minimizado se a autora, por exemplo, desenvolvesse mais a fundo seus personagens, mas isso não ocorre. Daire, a protagonista, é uma adolescente irritadiça e sua personalidade não vai muito além disso antes que ela aceite seus poderes; é  tão genérica quanto o seu entorno.

Nem sequer a narrativa em primeira pessoa é capaz de dar uma tonalidade mais forte à jovem que realiza descrições com uma dramaticidade pouco pessoal.

Assim, Noël se demora em grande parte da obra contando uma história sem maiores diferenciais que é pouco cuidadosa quando a intenção é desenvolver detalhes de trama que poderiam tornar a leitura algo mais prazeroso.

O livro, porém, melhora um pouco quando o ambiente muda para a escola. Não é um contexto  muito diferenciado, mas Noël minimiza esse aspecto conseguindo um desenvolvimento um pouco mais profundo e portanto mais convincente; ela parece ter mais naturalidade quando o pano de fundo é o colegial.

Até Daire fica pouco mais interessante pois ganha o contorno de ser uma "buscadora de almas"; tudo bem que continua não indo muito além disso, mas é um ganho ao menos do ponto de vista emocional onde ela ganha todo um grupo que conta com namorado, amigos e atraente inimigo.

Os personagens novos. é verdade, também seguem a cartilha dos esteriótipos (deficiente visual sábia, grupo de 3 meninas populares e cruéis, gêmeo bom e gêmeo mal), entretanto eles dão uma tonalidade maior de identificação com o aspecto humano da narrativa, se fossem mais desenvolvidos seriam uma grande qualidade. 

Já na parte sobrenatural tem algumas coisas que são próprias, mas há certa pobreza na descrição deste mundo alternativo, principalmente quando se compara com algum livro de fantasia clássico. Não há grande coerência ou consistência no desenvolvimento do mito que salta aos olhos do leitor como mal elaborado.

Noël demonstra em Sonhos que sabe escrever bem, mas escorrega ao fazer uma história genérica e um tanto superficial que não tem capacidade para conquistar aqueles que não são fãs do gênero. 

Quem, por outro lado, gosta deste tipo de estrutura narrativa pode até se divertir com o livro, mas dificilmente ele ocupará uma posição entre seus prediletos com sua história que soa como repetição sem grandes elementos de destaque. Talvez seja algo que possa ser consertado nos livros seguintes da série, mas que não muda o começo consideravelmente fraco.



2 de 5 (Regular / Fraco)




27 de agosto de 2012

Prosopopeia (Bento Teixeira) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa
Informações

Título: Prosopopeia
Autor: Bento Teixeira
Primeira Publicação: 1601
País: Brasil

Sinopse
"Prosopopeia", poema épico de Bento Teixeira, tem grande valor histórico. Nele, o escritor fala sobre a vida e o trabalho de Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da Capitania de Pernambuco, e seu irmão, Duarte. É a primeira obra com finalidade meramente literária publicada em solo brasileiro.

Leia o livro online abaixo:

26 de agosto de 2012

Conta Comigo (1986) - Coluna Papel & Película


Ação, aventura, amizade, saudosismo, horror e comédia. Tudo isso reunido em um mesmo filme da década de 1980. Inspirado em um conto de Stephen King e estrelando garotos talentosos que mais tarde seriam astros do cinema, “Conta Comigo” é uma celebração dos amigos de infância e da curiosidade juvenil.

Quatro garotos ficam sabendo que o corpo de um menino da idade deles foi encontrado em uma mata próxima à cidade em que vivem. Reunidos em seu clube secreto, sem nenhum adulto importunando, eles montam um plano com um único objetivo: percorrer vários quilômetros a pé apenas para ver o corpo, afinal, nenhum deles havia visto um morto. Eles são diferentes entre si, mas se completam: Gordie (Will Wheaton) é o líder do grupo que tem que lidar com a morte do irmão mais velho, Chris (River Phoenix) é decidido e corajoso, porém carente, Teddy (Corey Feldman) é violento e Vern (Jerry O’Connell) é medroso. Para completar, um dos vilões, o garoto mais velho Ace, é interpretado por Kiefer Sutherland.

O filme difere pouquíssimo da história original. Apenas alguns detalhes foram modificados, por exemplo, no livro, Gordie narra os finais bastante sombrios de seus amigos. Como a maioria das obras de Stephen King, há um quê de terror, em especial no objetivo mórbido da aventura dos meninos. Os momentos dramáticos ficam por conta das histórias familiares de cada um deles. O que prevalece é mesmo a aventura, a jornada, com algumas pitadas de humor. O suspense também está presente, pois pelo caminho eles encontram alguns obstáculos e problemas.

Gordie tem um talento especial para contar histórias e é isso que ele faz para entreter seus amigos durante a noite. Mais tarde é revelado que o próprio está se lembrando da história e escrevendo-a em seu computador (notem como a máquina é bastante primitiva).

Amado por diferentes gerações, de cinéfilos a saudosistas, “Conta Comigo” foi até parodiado em um episódio da série Family Guy. Apesar do status que ele tem hoje, o filme foi indicado a apenas um Oscar, Melhor Roteiro Adaptado. Seus protagonistas, no entanto, receberam muitos elogios e se tornaram grandes artistas. Will Wheathon tem uma sólida carreira, tendo participado de Star Trek e várias séries de TV, como The Big Bang Theory e Eureka. River Phoenix fez vários filmes bem-sucedidos, mas veio a falecer aos 23 anos. Corey Feldman, que tinha feito anteriormente “Os Goonies”, continua no ramo cinematográfico. Entre os trabalhos de Jerry O’Connell estão Jerry Maguire e várias participações em séries de TV. O sucesso dos astros mirins de “Conta Comigo” só perde para a fama da música-título, Stand by Me.

A amizade é um assunto abordado com frequência nas obras de King, e aqui vemos uma das mais alegres formas de amizade. Os amigos de infância compartilham medos, segredos e sonhos, se apoiam mutuamente na às vezes dura passagem para a adolescência e em muitos casos acabam se afastando quando chega a idade adulta e cada um segue seu caminho, mas as lembranças ficam e sempre voltam para nos fazer sorrir. É exatamente isso que acontece com Gordie e com todos que veem esse filme.

25 de agosto de 2012

Livros Mais Vendidos da Semana - 29 de Agosto de 2012


Mais uma vez voltamos com a nossa sessão com os livros mais vendidos da semana, nesta edição sem mudança entre os líderes e quase nenhuma alteração considerável quando consideramos o top 5 em cada categoria

Veja abaixo algumas informações e links sobre o top 5 de cada categoria; para os "vencedores da semana passada (22 de agosto) clique aqui.


Ficção: Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James)



1° Cinquenta Tons de Cinza - E L James 
Editora: Intrínseca / Posição na Semana Anterior: 1° (-)

2° A Dança dos Dragões - George R. R. Martin
Editora: Leya / Posição na Semana Anterior: 2° (-)

3° A Guerra dos Tronos - George R. R. Martin
Editora: Leya / Posição na Semana Anterior: 4° (1 >)

4° Herança - Chistopher Paolini
Editora: Rocco / Posição na Semana Anterior: 3° (1 <)

5° A Escolha - Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito / Posição na Semana Anterior: 5°(-)

Tudo praticamente idêntico no comparativo com a semana anterior tendo como óbvia consequência Cinquenta Tons de Cinza mantendo a liderança sem grandes dificuldades. 

A única, e mínima, alteração nesta categoria foi uma alternância de posições entre terceiro e quarto colocados.


Não Ficção:  Nunca Fui Santo (Marcos e Mauro Beting)


1° Nunca Fui Santo - Marcos em Depoimento Para Mauro Beting
Editora: Universo dos Livros / Posição na Semana Anterior: 1° (-)

2° Guia Politicamente Incorreto da Filosofia - Luiz Felipe Pondé
Editora: Leya / Posição na Semana Anterior: 5° (3 >)

3° Uma Breve História do Cristianismo - Geoffrey Blainey
Editora: Fundamento / Posição na Semana Anterior: 2° (1 <)

4° Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil - Leandro Narloch
Editora: Leya / Posição na Semana Anterior: 3° (1 <)

5° Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter
Editora: Novo Conceito / Posição na Semana Anterior : 6° (1 >)

---- Saíram do top 5: "30 Minutos e Pronto - Jamie Oliver"

Enquanto Nunca Fui Santo permanece em primeiro, o livro Para Sempre volta ao top 5 retirando 30 Minutos e Pronto de Jamie Oliver.

As outras três posições couberam a livros que só se alternaram em colocações entre si com destaque para Guia Politicamente Incorreto da Filosofia voltando a ficar no segundo lugar.


Autoajuda e Esoterismo: Agapinho (Padre Marcelo Rossi)


1° Agapinho - Padre Marcelo Rossi
Editora: Globo / Posição na Semana Anterior: 1° (-)

2° Desperte O Milionário que Há em Você
Editora: Gente / Posição na Semana Anterior: Não Estava Presente

3° Ágape - Padre Marcelo Rossi
Editora: Globo / Posição na Semana Anterior: 7° (4 >)

4° O Monge e O Executivo - James Hunter
Editora: Sextante / Posição na Semana Anterior 4° (-)

5° Encantadores de Vidas - Eduardo Moreira
Editora: Record / Posição na Semana Anterior: 1° (3 <)

--- Saíram do top 5: "A Menina do Vale - Bel Pesce" e "Nietzsche Para Estressados - Allan Percy"

Agapinho permanece líder e Padre Marcelo Rossi pode comemorar duplamente pois Ágape volta ao top 5  em grande estilo: 3° lugar.

Quem também retorna é Desperte O Milionário que Há em Você e, a exemplo do best-seller católico, mostrando a que veio na segunda posição. No mais, os outros livros alternam posições com destaque para o ex-líder Encantadores de Vidas caindo para quinto. 

TOP 5 de Editoras


1° Leya (13 Pontos)
Posição na Semana Anterior: 1° (-)

2° Globo (8 Pontos)
Posição na Semana Anterior: 2°(-)

3° Universo dos Livros / Intrínseca (5 Pontos)
Posições na Semana Anterior: 3° (-)

4° Gente (4 Pontos)
Posição na Semana Anterior: Ausente

5° Fundamento (3 Pontos)
Posição na Semana Anterior: 5° (1 <)

Como é feito esse cálculo maluco? Nós pegamos os livros do top 5 em cada categoria e atribuímos 5 pontos ao primeiro lugar, 4 ao segundo, 3 ao terceiro, 2 ao quarto e o 1 ao quinto. É, nada de genial.

Com informações de "revista Veja"


24 de agosto de 2012

Os Vingadores (2012) - Crítica de Adaptações


Conheci Joss Whedon anos atrás quando ele foi responsável por assinar uma série de histórias dos X-Men. A elogiada HQ realmente era muito boa, justamente por resgatar o tipo de narrativa simples com temática de grupo que fez da equipe o sucesso mundial que veio a se tornar. 

O autor levou essa mesma experiência de conhecedor do gênero (nerd nos moldes clássicos) para confeccionar um filme que acerta justamente por parecer uma daquelas ingênuas e divertidíssimas tramas clássicas dos quadrinhos de super-herói.
Joss Whedon

Desde que surgiram em 1967 (como imitação de A Liga da Justiça), Os Vingadores tem como grande atrativo a interação dos personagens famosos num único local onde expõe suas diferenças ao mesmo que se unem em prol de um inimigo maior e mais poderoso. Como sugere a própria proposta da equipe, eles estão unidos para enfrentar os vilões que um herói sozinho não poderia vencer.

Whedon então abusa de sua experiência para usufruir destas interações de personagens (muito divertidas) com simplicidade, sem, no entanto, tratar o espectador como imbecil. 

O roteiro é cuidadoso o suficiente para não deixar nenhum dos integrantes completamente esquecido. Cada um desempenha uma determinada função específica na narrativa com a intenção de torná-lo necessário para a história.

Capitão América aparece como o líder de operações da equipe e simboliza o idealismo. O Hulk é o homem mais forte do mundo que é simplesmente invencível. Thor se faz importante porque seu irmão Loki é o grande vilão. Gavião Arqueio é arma secreta do vilão que posteriormente quer vingança. Por fim a Viúva Negra media várias situações entre personagens. 

Vingadores 1 (1967)
Isso sem contar os principais membros da S.H.I.E.L.D (não pertencentes aos Vingadores) que representam um papel individualizante, nem que seja um pouco. 

E o Homem de Ferro? Bom, nem precisa dizer nada do protagonista do filme que sempre está nas cenas mais importantes esbanjando seu carisma em diversos comentários e gracejos.

Aliás, Tony Stark é o exemplo de como Whedon acerta também do ponto de vista mercadológico quando eleva o herói mais querido do público ao status de principal agradando todas as pessoas que jamais leram um quadrinho de super-herói na vida sem, no entanto, causar maiores desconfortos nos grandes fãs. Óbvio que alguns mais radicais podem achar ruim, mas dificilmente o sucesso de bilheteria (terceira maior da história) seria o mesmo se estes ficassem contentes. 

Todos esses detalhes são coroados por excelentes cenas de ação e tomadas humorísticas repletas com vários clichês "quadrinísticos" divertidíssimos. Grande destaque para a sequência onde os heróis se unem em círculo ao som da ótima e épica trilha-sonora de Alan Silvestri. Esta cena empolga os espectadores em vários níveis. Desde aquele que só viu este filme, passando por aquele que acompanhou a construção dos personagens nos filmes individuais chegando até no conhecedor dos super-heróis que vê aquele grupo que tanto acompanhou nas HQs se unindo, só que agora como seres humanos reais (emocionante).


Admito que um probleminha ou outro pode ser constatado, mas são insuficiências advindas da proposta. Desta forma surgem alguns exageros e superficialidades típicas dos quadrinhos e outras escorregadelas advindas das concessões feitas para agradar o grande público. 

Mesmo assim, Os Vingadores continua sendo muito bom, pois tem como grande qualidade ser um filme de super-herói legítimo que só aprendeu a se adaptar aos nossos tempos; mostrando, como faziam os quadrinhos clássicos, que este é um gênero voltado para o público infantil ao não se levar tão a sério, mas que tem todo potencial de divertir adultos.



4 de 5 (Muito Bom)



23 de agosto de 2012

Tintim na África (Tintin au Congo - Hergé) - Crítica / Resenha

Editora Record

Sinopse
Tintim é enviado ao Congo, a grande colônia belga da época. Uma série de peripécias o levam ao reino de Babaoro'm, onde ele torna-se ofeiticeiro nomeado. Por um jogo de cincunstâncias, ele se encontra confrontado com um bando de gângsters afiliados a Al Capone, que quer controlar a produção de diamantes. Naturalmente, ele consegue os deter e deixa o país pouco depois.


Muitos já devem ter ouvido falar da HQ Tintim na África (Tintin au Congo no original) que chegou a quase ser proibida devido ao seu teor racista. Recentemente resolvi reler a edição e na realidade a história jamais seria tão lembrada não fosse a polêmica. 

O quadrinho possui as aventuras que consagraram o personagem, mas o desconhecimento de Hergé sobra a África propicia várias situações absurdas que tiram aquela toque de realismo que o repórter e seu cãozinho eternizaram.

No mais, a narrativa não tem grandes méritos alternando alguns momentos divertidos com outros corridos e desconexos. A impressão é que seria uma trama até razoável se o autor não conhecesse tão pouco sobre a África que retrata. 

E o racismo? Está lá 100% aparente, principalmente se considerarmos que o Milú (como cachorro) é mais inteligente que todos os habitantes do continente sem maiores esforços. Até o traço dos negros (absolutamente caricatos) evidencia como era o pensamento à época (1931 na Bélgica) que Hergé reproduzia.

Tudo bem que é uma questão contextual, mas é difícil não se incomodar com Tintim se tornando o grande sábio e mestre dos simplórios habitantes do Congo (muito simplórios diga-se de passagem) sem suar. Aliás, todo líder de instituição que funciona por lá é um branco, pois os negros surgem tão rudimentares que quase só sabem falar "branco mal" e "senhor".

Menos importante, mas ainda incômodo para quem tem um apreço maior pelos animais, é o tratamento cruel de Tintim para com os coitados. O momento extremo provavelmente é quando ele faz buraco em um rinoceronte para colocar uma bomba dentro dele (!!!)

Assim, Tintim na África é uma história sem maiores brilhos que não funciona lá muito bem, mesmo não levando o racismo como deficiência. Agora desconsiderar o pré-conceito é um tanto desafiador, só que daquele tipo de desafio que não vale muito a pena transpor pois a trama quase sempre regular (com alguns poucos momentos interessantes) não vale o esforço. 

É importante ressaltar que esta edição lida por mim é uma versão de 1975 da história original tendo alguns aspectos já minimizados, como, por exemplo, menos crueldade com os animais e Tintim menos colonialista (o Congo era colônia da Bélgica na época) .



2 de 5 (Regular / Fraco)







22 de agosto de 2012

Sobre Notas de Rodapé mais Afins - Coluna Insolência Quinzenal


Estou na livraria tendo problemas sérios com um livro. Por qual motivo? Notas de rodapé gigantescas! Alguém pode me dizer que posso ler seu conteúdo sem precisar me remeter a cada passo das indicações de notas às próprias notas... Mas as leio depois? Entende-las assim dificilmente vou sem contexto. Só quando ler duas ou três vezes é que poderei ter idéia do conjunto da publicação: infelizmente.

Contudo teimosamente continuo lendo tais notas: assim a leitura do texto, que deixou de ser corrida faz tempo, parando constantemente. 

Quem tem culpa de tais notinhas ao pé de página: Beda. Venerável nota de rodapé? Não!

Pior que notas de rodapé são as suas afins. Exemplo? Temos as notas ao fim ou de capítulos ou do livro completo... Santíssima Virgem de Cimbres: haja paciência! Sem qualquer agrado me vejo nas idas e voltas do capítulo que leio para suas notas ao final mais vice-versa com retornos mil para vir de novo santo Deus! São tantas e diversas notações longas por demais que me tiram do sério.

Só, por enquanto, nas colunas polemistas atrevimento tenho para dizer a quem escreve seus bloquinhos de mais de cem páginas o seguinte: suas notas poderiam estar no corpo do texto. Que preguiça tamanha não colocar todas ou maioria contextualizadas! Existem exceções todavia são raras: indolência sim! Hei de deixar para quando prosseguimento der aos meus projetos com meus alfarrábios de jamais ou no máximo raramente fazer uso de tais subterfúgios que molestam leituras agradáveis.

Agora contudo vou largar tal livro que me traz muitos aborrecimentos e paquerar da livraria qualquer atendente linda de morrer. Até vez próxima!



e-mail: sergio@leialiteratura.com

Imagem: toofarfromtheurbancenters.tumblr.com

Entrevista - Mirella Ferraz Nogueira

fotos: blog da autora 
O Brasil tem ganho constantemente novos escritores de talento, sobretudo no gênero fantasia. Uma destas é Mirella Ferraz Nogueira que não só assinou a obra Sereias - O Segredo das Águas como vivencia a experiência de ser (de alguma forma) esta criatura mística. 

Simpaticíssima, a autora nos concedeu a entrevista abaixo onde falou sobre sua obra e vários outros assuntos da literatura. No final vocês conferem os links para conhecê-la ainda melhor e, se gostarem da conversa, saber mais sobre o livro.


Leia Literatura: Com o seu livro falando sobre Sereias, não podemos deixar de perguntar: de onde surgiu o fascínio por estas criaturas?

Mirella Ferraz: Primeiramente, quero dar um olá a todos os queridos leitores de seu blog. Bem, de onde surgiu meu fascínio pelas sereias é uma pergunta bem difícil, por assim dizer, porque simplesmente eu não sei..rs. Ele surgiu junto comigo, assim que eu nasci. Minha mãe sempre disse que minha primeira palavra foi “sereia”, e até para meus pais isso é um mistério, pois esse amor que nutro por esses seres, veio antes que eu pudesse ter visto qualquer filme ou desenho com a representação de uma sereia. Eu simplesmente nasci com elas em meu coração e esse amor por elas é tão grande que direcionei toda a minha vida em torno do mundo delas. Casei-me na praia com conchinhas no cabelo e um colar de sereia no pescoço; fiz faculdade na área ambiental e trabalhei com golfinhos em diversas praias maravilhosas desse país. Quando eu era criança e me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, eu respondia categoricamente: Sereia! E acho que talvez, só isso, já explique tudo.


Fale um pouco sobre o seu trabalho de "sereia" para além de literatura. Vimos alguns dos seus belos vídeos inclusive.

Jura que vocês viram meus vídeos? Hahaha. Que legal! Fiquei feliz! Pois é, isso é outra grande paixão minha que consegui realizar depois de adulta. Eu sempre sonhei com o dia em que nasceriam em mim, a almejada cauda de sereia, e como ela, infelizmente, não veio, eu resolvi confeccionar uma! Hahaha. Deu uma trabalhei enorme, mas hoje já estou com a terceira cauda e faço uma das coisas que mais gosto: mergulhar com elas. Depois de um tempo, resolvi postar esses vídeos no youtube e acabou virando um tremendo sucesso. Tenho vídeos lá que contam com mais de 2 milhões de visualizações! Eu nem imaginava que as sereias eram tão queridas assim. E hoje em dia eu me divirto a beça, pois ajudo outras pessoas (não digo crianças só, pois tem bastante adulto também) com esse mesmo sonho que o meu e recebo mensagens do mundo inteiro. Até da Ilha de Java! Hahaha.


Escrever por si só não é uma atividade que causa grande retorno financeiro. Onde começou o seu desejo de colocar suas ideias no papel mesmo diante das dificuldades?

Novo autor brasileiro é um guerreiro por excelência! Pois não é fácil ter que lidar com o preconceito dos leitores com a literatura brasileira, ainda mais a literatura fantástica, e também com os “portões fechados” da maioria das grandes editoras, que preferem publicar livros de autores estrangeiros ou de brasileiros quando esses são famosos ou celebridades. Por isso eu tiro o chapéu a TODOS os autores brasileiros, principalmente os novos autores. Realmente a literatura é para quem ama, e não para quem almeja ganhar dinheiro com ela (claro que unir os dois não seria nada ruim, hein?... hahaha).

Meu desejo por escrever também veio bem cedo e alavancada por uma já predisposição genética, pois meu avô foi escritor, poeta e compositor, e meu pai, que é meu maior ídolo, é um escritor maravilhoso (eu babo nos escritos dele, e não é porque sou sua filha que digo isso, mas o cara é fera), e poeta. Meu primeiro livro eu escrevi aos 8 anos de idade. Depois me interessei por poesias e chegava até a ser “contratada” pelas amigas para escrever poemas para os namoradinhos delas... hahaha. Eu acho que certas pessoas, como nós autores, tem a necessidade de externalizar os sentimentos, ou simplesmente fugir da realidade e alçar voo. É assim que eu me sinto. E escrever pra mim é, antes de uma realização pessoal, uma paixão.


Como foi o processo de escrita de "Sereias - O Segredo das Águas"? Houve Momentos onde você pensou em desistir?

Bem, há muito tempo eu já pensava em começar a escrever um livro. Eu já sabia que seria sobre sereias, mas com a correria do trabalho, nunca tinha parado mesmo pra escrever. Então certo dia em que eu estava meio “jururu”, minha mente começou a vagar e eu meu vi ainda mais deprimida com o fato de que havia muito tempo que eu não ia para uma praia (explico: eu meio que passo mal quando fico muito tempo sem ir para o mar. Fico emburrada, chata e chorona, só meu marido, pobrezinho, me aguenta!). Então eu pensei assim: “Ah, de hoje não passa! Vou começar a escrever meu livro e espantar essa tristeza”. E foi assim que tudo começou. Eu peguei tanto gosto pela coisa, e já tinha muito da história na minha cabeça, que num curtérrimo período de dois meses eu escrevi o livro. Não pensei em desistir em momento algum.


Geralmente é um momento de grande felicidade quando o autor vê seu primeiro livro ser aceito para publicação. Como foi a sensação?

Foi maravilhosa! Eu nem consegui dormir por umas duas noites consecutivas... hahaha. Como sou ariana e bem dramática, comigo é “oito ou oitenta”. Ou eu explodo de alegria intensa, ou eu me acabo na tristeza. Então você deve imaginar a euforia que tomou conta de mim.


Existe uma resistência de muitas pessoas com a fantasia. Qual a importância você atribui a este gênero que trabalha com a imaginação?

Realmente aqui no Brasil eu sinto essa resistência. E não entendo porquê. E isso não é somente na literatura não, e sim em todos os âmbitos artísticos. Eu noto muito isso comigo, por causa de minha “cauda de sereia”. Nos outros países como os EUA, Japão ou mesmo vários outros países da Europa, parece que o povo vive mais a fantasia, curte mesmo esse universo. A gente vê nas convenções de cosplays, nos desfiles de ruas, enfim. Parece que eles tem a cabeça mais aberta, liberal, do que o brasileiro, que costuma tem vergonha de tudo e se preocupar deveras com a opinião alheia. Infelizmente nós estamos nos tornando um povo chato! Esses dias eu estava conversando com meu marido sobre as novelas brasileiras, já que são uma das maiores representações artísticas e populares em nosso país. Antigamente as novelas enfocavam bem a fantasia. Era mulher que virava onça, homem que virava flor, o outro que tinha que ser amarrado pelos pés para não sair voando até a lua...rs. Enfim, era muito legal! Hoje em dia só vemos novelas que tratam do realismo cotidiano, frio e implacável, e a fantasia foi relegada ao esquecimento. Isso é muito triste, pois um povo que não sonha, não idealiza.


Como conhecedora do assunto, você poderia recomendar alguns livros e outros bons trabalhos artísticos sobre as sereias.

Nunca! Não quero concorrência! Hahaha. Brincadeirinha. Bem, infelizmente (mais uma vez) aqui no Brasil o tema das Sereias não é muito abordado. Nos EUA esse tema anda crescendo bastante e já tem alguns livros de lá que foram lançados aqui, como o “Sereia” da Tricia Raiburn (que é bem legal, mas eu tenho severas birras com ele, já que não gosto quando colocam nós, sereias, como as más da história... eu acho que isso é intriga da oposição! Hahaha), e o recém “Mermaid”, da Carolyn Turgeon, que é bem interessante, pois dá uma versão diferente, sombria e adulta, do conto de Hans Cristian Andersen, o “pai” da Pequena Sereia.


Nossa pergunta temática: Por que ler literatura?

Porque literatura é vida, é sonho, é desejo, é tristeza, é sabedoria, é tudo. Não ter literatura na sua vida é ser pobre de alma, é viver uma vida insossa.


Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Para encerrar fale um pouco sobre os seus projetos futuros na literatura.

Eu que agradeço a oportunidade, o contato e a gentileza. Adorei demais participar dessa entrevista e espero que seus leitores também gostem.

Sobre os meus trabalhos, estou bem empolgada. Meu livro “Sereias – O Segredo das Águas” acabou de ser lançado e já está tendo uma repercussão maravilhosa. Pretendo viajar pelo Brasil todo divulgando-o. Fora isso, fui convidada para participar de uma Coletânea de Contos, junto com mais 12 autores brasileiros. É um projeto que está sendo feito com muito carinho por todos nós e estamos acreditando muito nessa antologia. O tema proposto para os contos é “o amor”, esse sentimento tão importante, e meu conto será logo o primeiro do livro. O título do meu texto é “Amor e vinho”, e eu conto a história de uma mineira que conhece Dionísio, o Deus do Vinho na Mitologia Grega (sou apaixonada por Mitologia Grega) e esse encontro dos dois promete muitas surpresas.

E também já estou escrevendo meu segundo livro (que estou na metade). Dessa vez a obra englobará não só as sereias, como os vikings (uma das civilizações que mais foi fascinada pelas sereias e não poderia deixar esses guerreiros loiros para trás..rs).

Enfim, e isso é tudo pessoal! Um grande beijo a todos, e muitos mergulhos!

E não se esqueçam: boa leitura... ouça seu canto... é difícil resistir!

Gostou da nossa conversa? Então conheça mais sobre o livro e o trabalho da autora nos links abaixo:


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