31 de julho de 2012

O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini) - Crítica / Resenha

Editora Nova Fronteira

Sinopse
O caçador de pipas, livro que já vendeu mais de 2 milhões de exemplares só nos EUA, está sendo considerado o maior sucesso da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.

Quando eu conheci o escritor Khaled Hosseini através do livro A Cidade do Sol tive uma grata surpresa pelo seu estilo convincente de contar histórias com muito realismo, valorizando as qualidades e não tentando ousar demais onde não é assim tão bom. Felizmente essas características também estão presentes em O Caçador de Pipas

O livro mostra mais uma vez a triste história do Afeganistão dos últimos tempos com as significativas modificações ocorridas após o fim do domínio da URSS; entre elas cabe destacar a ascensão do regime Talibã. 

O destaque desta vez fica por conta do personagem Amir que narra a sua infância no país asiático e posterior juventude/vida adulta nos EUA onde se torna um bem-sucedido escritor de romances.

Hosseini usa a história do filho de família abastada para falar de diversos temas relacionados ao povo afegão, desde as diferenças de classe aos costumes típicos do país em sua esfera religiosa (e nem tanto); passando até pela vida destes cidadãos no cotidiano estadunidense. No final, ele conclui a narrativa com uma visão entristecida do Afeganistão destruído que emergiu do domínio Talibã.

Não posso dizer que a narrativa seja fidedigna à realidade do país, mas a perspectiva do escritor passa uma sensação de realismo muito convincente envolvendo o leitor sem maiores dificuldades.

Assim, como em A Cidade do Sol, a força de Hosseini está no entendimento de qual é sua grande força: a história tocante e crível. Desta forma, o estilo de escrita se dá muito bem em sua extrema simplicidade por não tentar sobrepujar a trama.

O Caçador de Pipas "entende suas limitações" e trabalha no sentido de potencializar aquilo que tem de melhor. Apesar de não ter o poder de arrebatar, a obra funciona muito bem entretendo sem esquecer de provocar uma constante reflexão; tudo isso proporcionado pela autenticidade da narrativa confeccionada pelo escritor.

30 de julho de 2012

Alma Inquieta (Olavo Bilac) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa
Informações

Título: Alma Inquieta
Autor: Olavo Bilac
País: Brasil

Sinopse

"Alma Inquieta" é uma coletânea de poemas de Olavo Bilac que segue a linha sensual e realista da poesia bilaqueana, assim como a linha contemplativa, com poemas que se fixam nos temas da vida gasta, da velhice. Predomina o tom meditativo e melancólico, no qual é constante a preocupação com a morte e o sentido da vida.
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu em 1865. Foi jornalista, poeta brasileiro e membro fundador da Academia Brasileira de Letras que criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Conhecido por sua atenção a literatura infantil e, principalmente, pela participação cívica, tinha forte ligação republicana e nacionalista. Escreveu a letra do Hino à Bandeira e foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros em 1907. Morreu no Rio de Janeiro em 1918.

Leia o livro online abaixo:

29 de julho de 2012

Capote (2005) e Até Onde Um Escritor é Capaz de Chegar - Coluna Papel e Película


Que o americano Truman Capote foi um grande escritor, responsável por diversos sucessos literários, ninguém duvida. Tanto é que em 2005, a exemplo do que acontece com outros grandes nomes, ele ganhou uma cinebiografia. Este filme conta apenas alguns anos da vida dele, quando estava escrevendo o romance responsável por dar-lhe grande prestígio: “A Sangue Frio”.

Um crime choca uma pequena cidade do estado do Kansas. Quatro pessoas da mesma família são assassinadas e muitos jornalistas vão cobrir o ocorrido. Capote decide que fará desse crime o assunto para seu próximo livro e se envolve com as pessoas da cidade, em busca de relatos. O que sucede é impressionante: o escritor se aproxima de um dos assassinos e aos poucos vai ganhando sua confiança para obter informações. A jornada de Truman se torna sofrível à medida que o condenado nutre afeição pelo escritor, interessado apenas em seu trabalho.

A inspiração é um dos tópicos mais curiosos da escrita. Sempre é interessante descobrir de onde um autor retirou sua trama, seus cenários e personagens. Vez ou outra surge uma história inspirada em um sonho psicodélico ou um acontecimento, do presente ou do passado, que tenha ocorrido ou sido lembrado no momento certo. As crônicas surgem de observações dos fatos do dia-a-dia, enquanto romances e novelas podem sair de qualquer canto da imaginação. E quando nada disso ocorre e um fato verídico é o que inspira um livro, pode ter certeza de que o escrito atrairá ainda mais atenção.

Quem ajuda Capote nessa empreitada é a amiga de infância e também conhecida escritora Harper Lee (interpretada por Catherine Keener), que também usou experiências pessoais para escrever sua obra-prima, “O Sol é para Todos”. No entanto, os acontecimentos verídicos que Capote deseja retratar não ocorreram com ele e, muitas vezes, coletar a verdade dos fatos se torna antiético ou mesmo reprovável. Harper não se cansa de aconselhar Truman a seguir caminhos contrários e não se envolver tanto com o condenado que é sua fonte de informação.

Esta cinebiografia diferente, que conta apenas um pedaço da vida de um personagem real, sai um pouco da onda de filmes carregados de efeitos especiais e cores e nos faz pensar. Refletir sobre jornalismo e jornalistas (que sempre foram retratados como figuras dúbias), sobre mídia e processo criativo. E, principalmente, sobre ética, tão necessária a qualquer profissão. 

O filme conseguiu boas críticas e foi indicado a cinco Oscars, dando o de Melhor Ator para Philip Seymour Hoffman que, aliás, ganhou vários prêmios de interpretação naquele ano Ele perdeu quase vinte quilos para o papel e também foi produtor executivo do filme. Muitos colocam sua atuação como uma das melhores dos últimos tempos ou até mesmo da história do cinema. Para quem não conhece os hábitos de Truman Capote, assistir à película é ao mesmo tempo uma descoberta e um choque. Descoberta da personalidade de um dos mais reverenciados escritores americanos, e choque ao saber do que ele foi capaz para chegar a esse patamar.

28 de julho de 2012

Lanterna Verde (Filme / 2011) - Crítica de Adaptações


Como muitos, nunca fui exatamente um grande admirador do Lanterna Verde enquanto personagem, sobretudo por não acompanhar suas histórias regularmente. Entretanto, conheço o herói suficientemente para saber que o filme não mostrou o que ele tem de melhor.

Como aqueles que entendem de quadrinhos de super-heróis já sabem, a alcunha Lanterna Verde é compartilhada por centenas de seres e vários deles humanos. Porém, o mais célebre a ostentar o anel esmeralda foi sem dúvida o piloto de testes Hal Jordan e por essa razão ele merecidamente foi o escolhido para o cinema.

Entretanto, o personagem interpretado por Ryan Reynolds pouco faz lembrar o original. Enquanto o Jordan dos quadrinhos é conhecido pela seriedade e pelo comprometimento, a sua versão cinematográfica segue aquele velho esteriótipo do "irresponsável-descolado-conquistador".

Mas o problema nem é tanto a personalidade divergente, pois existem versões mais juvenis de Hal e em última instância esta poderia ser uma possível fase ainda imatura do grande herói que surgiria com o tempo. 

O grande incômodo é o desenvolvimento pífio que não passa qualquer sensação de realismo. O audaz piloto de testes do cinema não tem um pano de fundo construído a contento e quando ele se torna o Lanterna Verde é só o garotão irresponsável que perdeu o pai ganhando poderes.

Envolvimento com o herói e com qualquer outros personagens então é muito difícil (quase impossível). Se até o protagonista é tratado com total superficialidade, o seu interesse amoroso e o "amigo nerd" ficam ainda mais apagados (ou nunca chegaram a ficar "acesos").

Grande parte dessa deficiência vem das poucas, e sofríveis, cenas dramáticas canastronas que toda vez que aparecem jogam um melodrama exacerbado e tonto, resultado: não convencem e não parecem pertencer ao desenvolvimento lógico da história.

O mais surpreendente, porém, é que até as tomadas de ação também não são lá essas coisas! Se existe algo que dificilmente se erra em filmes de super-heróis são os trechos de batalhas, mas em Lanterna Verde eles não são nada criativos ou soam como muito absurdos.

Em algum dos confrontos eu fiquei em dúvida se a ideia era ser empolgante ou cômico. Tudo bem que a ideia é correlacionar a imaginação de Jordan com os poderes mas eu tenho certeza de que qualquer pessoa teria imaginado algo melhor do que amarrar dois jatos nas próprias costas (!).

Aliás, os poderes ilimitados do herói abririam um espaço gigantesco para a inventividade que simplesmente não é usada;  mesmo com a grandiosidade que só o cinema pode proporcionar.

Para não parecer que Lanterna Verde só tem defeitos, ele tem sim bons efeitos especiais (exceto aquela máscara tosca) e em nenhum momento (ou quase nenhum) chega a ser uma "bomba" ao pior estilo Batman de Tim Burton.

Entretanto, o filme não adapta bem o personagem para o cinemas em sua superficialidade e situações genéricas. No final das contas, nada funciona muito bem e o resultado é algo que nem pode ser considerado um filme realmente bom; menos ainda uma adaptação digna aos olhos dos admiradores do heroísmo esmeralda.


2 de 5 (Regular / Fraco)







26 de julho de 2012

O Melhor da Disney: As Obras Completas de Carl Barks (Vol.1) - Crítica / Resenha


Quem já leu uma HQ da Disney deve conhecer os roteiros clássicos que misturam aventuras inusitadas com toques de humor ingênuo e físico de uma forma muito própria. O que poucos sabem, porém, é que este consagrado método de confeccionar narrativas deve e muito ao quadrinista Carl Barks que criou o universo do Pato Donald em quadrinhos como conhecemos hoje.

Nessa bela coletânea de histórias vemos a arte de Barks personificando este espírito que ele concedeu ao Donald com histórias simples e curtas; cheias de elementos nostálgicos e divertidos.

Tudo bem que as narrativas de 10 páginas presentes na edição não são daquelas que marcam o leitor por muito tempo (única "falha"), mas sem qualquer dúvida elas propiciam bons minutos de um feliz saudosismo para os fãs antigos do personagem; estes podem reencontrar o Donald das HQs simplesmente na melhor de sua forma.

Na coletânea estão presentes os sobrinhos, o Tio Patinhas (em sua forma mais muquirana), o Professor Pardal e todo aquele jeito de criar tramas com vários e deliciosos desenvolvimentos divertidos e inusitados (por vezes completamente absurdos) que, se não provocam risos, sempre causam aquele satisfatório e contente sorrisinho de canto de boca.

Já no que se refere aos desenhos nada pode ser dito de negativo; é simplesmente o Donald dos quadrinhos em sua representação mais fidedigna com aquelas paisagens que conquistam pelas cores vibrantes e pelo detalhamento, apesar da simplicidade do traço.

Cabe ainda um elogio especial à edição cuidadosa e bela da Abril com textos introdutórios interessantes que nos ajudam a conhecer melhor o processo criativo de Barks em detalhes raramente mencionados sobre o genial autor.

Nem preciso dizer que recomendo bastante As Obras Completas de Carl Barks Vol.1, provavelmente os únicos que podem não gostar são aqueles que antipatizam com os próprios personagens do universo Disney nas HQs.



4 de 5 (Muito Bom)





4 Ideias Simples Para Tentar, Finalmente, Terminar de Escrever Um Livro


Não são muitos aqueles que tem facilidade em escrever todos os dias. Vários fatos podem impedir uma escrita regular, principalmente quando se trata de um romance que vai ocupar muito tempo da vida do escritor com apenas uma única história.

Tudo bem que eu não sou um especialista no assunto (até hoje não terminei livro algum), mas lendo informações aqui e acolá (incluindo a minha mente como fonte), reuni algumas despretensiosas ideias que parecem bastante lógicas para concluir uma obra literária diante de todos os estímulos externos que teimam em impedir o ponto final de sua história.

Então vamos a elas.


1- Escrever Diariamente

Este é o mais comum de todos os clichês na hora de escrever regularmente porque é bastante óbvio. Mas a ideia é mesmo tornar o processo um hábito rotineiro, daqueles que você sente realmente falta quando deixa de fazer. 

Evidentemente, existem aqueles dias onde compor o livro é mais complicado (quase impossível) e por mais que você esprema as ideias não saem direito. Neste caso creio que vale escrever algo, nem que seja para ser descartado no dia seguinte ou sobre outra história; o objetivo primordial é manter a rotina da escrita.


2 - Escrever Aquilo que Gosta e Sabe

Muitas pessoas tentam, às vezes sem se dar conta, escrever coisas segundo outras demandas que vão de encontro àquilo que se sabe ou que se quer fazer. Claro que não é errado, mas enveredar por caminhos menos interessantes e mais complexos tende a ser bem mais difícil e por tabela mais complicado para se terminar.

Futuramente pode ser interessante tentar escrever aquela obra-prima sem falhas cheia de complexidades estilísticas e cuidados narrativos, entretanto talvez seja melhor optar no início por algo mais simples para se livrar do peso "do livro que nunca termina de ser escrito".


3 - Continuar Lendo

Todo escritor costuma ser um leitor antes de tudo, portanto manter o hábito não é normalmente difícil. Mas a leitura não só ajuda na hora de melhorar a escrita em si, outra função é não abitolar o escritor à sua história fazendo aquele contraponto para a trama não ocupar 24 horas do dia.

Por isso também cabe aqui fazer várias outras atividades para "desanuviar a mente". Vale qualquer coisa que colabore para reduzir a apreensão e ansiedade; o melhor é que ideias enriquecedoras podem surgir.


4 - Pedir Para Pessoas Lerem e Anunciar que Está Escrevendo

Na maioria dos casos, frustrar os próprios planos é bem mais fácil quando ninguém sabe que eles existiram algum dia. Como seres criados na coletividade, nós humanos levamos muito em conta a opinião dos outros (para o bem e para o mal). Portanto vale avisar alguém de confiança que está escrevendo um livro pois amplia sua responsabilidade em concluir o projeto.

Se você pedir para que esta pessoa confiável leia os trechos do livro pode ser ainda melhor porque as cobranças serão maiores e ainda mais regulares. Tomando sempre o cuidado, evidentemente, de não seguir demais as dicas do amigo correndo o risco de tornar o seu livro o livro dele.


Conclusão

As ideias expostas não são grandes novidades, mas podem ajudar uma ou outra pessoa com problemas em concluir sua obra literária se o escritor não esquecer o sempre essencial comprometimento.

Fica o espaço nos comentários para que cada um dê também sua sugestão de auxílio. Mesmo que ela pareça óbvia, pode ser de grande utilidade àquele que sofre este grande e por vezes ignorado drama de concluir um romance.

24 de julho de 2012

As Areias do Tempo (Sidney Sheldon) - Crítica / Resenha



Sinopse

O cenário do livro é o conflito entre nacionalistas bascos e o governo espanhol dos anos pós-Franco. O líder guerrilheiro basco do ETA, Jaime Miro, e o corrupto e sádico Colonel Acoca estão dispostos a brigar até a morte por seus objetivos. Quando Acoca saqueia brutalmente um convento em busca de Miro, quatro freiras decidem fugir, estimuladas pela irmã Lúcia, que se escondia no convento desde que se vingou do homem que pôs seu pai na cadeia. A bela irmã Graciela, a irmã Megan e a irmã Teresa - que está à beira de um colapso - escapam pela floresta com Lúcia, onde são auxiliadas a contragosto por Miro.

Já comentei aqui no site sobre a edição que trazia dois livros do escritor estadunidense Sidney Sheldon numa mesma encadernação. Na postagem anterior falei sobre Juízo Final e desta vez o tema será o romance As Areias do Tempo.

Como você pode conferir na sinopse, a obra insere personagens fictícios na história real do conflito civil (com finalidade separatista) ocorrido entre rebeldes do País Basco e o governo da Espanha.

O foco, porém, nem é tanto assim na guerra pois o livro está centrado na dramática fuga de quatro freiras acompanhadas do revolucionário Jaime Miró. No final das contas, o livro mostra que a vida de todas as religiosas muda sensivelmente depois do episódio; algumas com finais felizes e pelo menos uma de forma trágica.

Neste enredo, Sheldon parece querer dar uma conotação mais humanista e compreensiva aos "rebeldes separatistas" que são efetivamente os heróis da narrativa em contraposição a figura cruel e distante que o governo desempenha.

Entretanto, o escritor não cai na apologia descarada e incômoda sabendo valorizar os personagens como seres humanos reconhecíveis e até certo ponto cativantes pelas suas histórias de vida e personalidades distintas. Ele só não se sai melhor neste quesito porque recorre demais a esteriótipos. 

Agora todo o aspecto dramático é bem desenvolvido tornando o livro bastante envolvente; marca registrada de Sheldon que sabe como poucos criar uma história com os mecanismos e momentos-chave de trama exportados com sucesso para os roteiros hollywoodianos. 

As Areias do Tempo tem lá suas limitações é verdade, sobretudo por preferir impactar o leitor ao invés de tratar os elementos narrativos de forma mais aprofundada e por isso mais realista. Nada porém que impeça o livro de ser mais uma opção muito boa de leitura recreativa sobre assuntos sociais bastante interessantes.

23 de julho de 2012

O Homem que Sabia Javanês (Lima Barreto) - Leitura Online e Download

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Informações

Título: O Homem que Sabia Javanês
Autor: Lima Barreto
Primeiro Lançamento: 1911
País: Brasil

Sinopse
O homem que sabia javanês é um conto do escritor brasileiro de Lima Barreto que narra a história de Castelo, um malandro que, no começo do século XX, finge saber o javanêspara conseguir um emprego e afinal fica famoso como um dos únicos tradutores desse idioma. O conto foi publicado pela primeira vez no jornal Gazeta da Tarde do Rio de Janeiro, em 28 de abril de 1911, e posteriormente incluído na coletânea O homem que sabia javanês e outros contos.

Leia o livro online abaixo:

22 de julho de 2012

Ficção é Apenas Passatempo? - Coluna Ler é Compreender


Não foram poucas as vezes que vi olhares  decepcionados quando falei em público que gostaria de ser escritor de ficção. Aparentemente, as pessoas esperavam algum sonho maior e mais útil tanto do ponto de vista financeiro como no aspecto de uma suposta relevância social.

O motivo disso é que em vários ambientes (acadêmicos diversas vezes) costumamos ouvir o velho e ignorante discurso relacionando literatura de ficção a uma espécie de entretenimento sem grande valor de conhecimento; o que popularmente nos acostumamos a chamar de "passatempo". 

A ideia surge de uma valoração superficial do texto; útil apenas como meio de adquirir uma informação prática a respeito de algo que vá ser usado futuramente. Nada poderia ser mais coerente com o valor de investimento "lucrativo/financeiro" que a sociedade atual atribui ao conhecimento de forma geral.

Neste contexto, infelizmente, quem tem uma forte identidade com a ficção acaba sofrendo preconceito porque seu hábito ou profissão não parece útil quando comparado com os ofícios usuais; entre eles o próprio ato de escrever só que com finalidade jornalística e rigor científico. 

Nós que entendemos de literatura ao menos um pouco sabemos, porém, que a deficiência de parecer inútil está tão somente na visão estreita e rudimentar de quem julga desta maneira. 

Uma observação nem tão profunda, mas um pouco menos alienada, revelaria com facilidade que as histórias ficcionais, em seu papel representativo e alegórico, às vezes são bem superiores ao texto somente descritivo. Estão aí os clássicos que mudaram e conduziram a humanidade e estão aí também aqueles modestos livros que apesar de talvez não terem alcançado este status, influenciaram de forma irrevogável vidas particulares como a minha e a sua.

Hoje em dia é triste perceber como o pensamento alienado, tão arraigado em nossa sociedade, fez com que muitas pessoas entendessem a inutilidade daquilo que pode ser transformador. Por meio disso, a ficção é desvalorizada e a ignorância (essa sim de valor duvidoso) persiste para alegria daqueles que comandam uma massa que tem dificuldade de pensar por si.


21 de julho de 2012

Livros Mais Vendidos da Semana - 25 de Julho de 2012


A novidade da semana ficou por conta de Uma Breve História do Cristianismo (eu quero) que conseguiu a liderança mesmo já tendo sido lançado há algum tempo. Nas outras categorias, os líderes permanecem os mesmos da semana anterior.

Ficção: A Escolha (Nicholas Sparks)



Nicholas Sparks reina essa semana com 3 livros entre os 5 primeiros colocados (eu quero ele na minha editora). O autor best-seller só não fica com o pódio todo para si por causa de A Guerra dos Tronos. A obra de George Martin mantém a saga As Crônicas de Gelo e Fogo no topo mesmo com A Dança dos Dragões só voltando (depois do erro com o capítulo faltante) a ser lançado no início de agosto.

Além do líder A Escolha e do já presente Um Homem de Sorte; a novidade de Sparks desta vez foi a estreia do livro O Casamento que já sai pela Arqueiro (selo da Sextante); nova casa do autor aqui no Brasil. 


Não Ficção:  Uma Breve História do Cristianismo (Geoffrey Blainey)



Nenhuma estreia entre os 5 primeiros lugares, mas temos mudança de líder: Uma Breve História do Cristianismo coloca uma das interessantes obras de Geoffrey Blayney na primeira posição superando a até então imbatível dupla Para Sempre e Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.

Guia Politicamente da História do Brasil também volta ao top 5, o que vez por outra acontece e não é nenhuma novidade.


Autoajuda e Esoterismo: Agapinho (Padre Marcelo Rossi)



Nietzsche Para Estressados e A Fascinante Construção do Eu voltam esta semana ao top 5 mas param por aí as diferenças pois a dupla Agapinho Ágape continua firme dividindo as duas primeiras posições.

As obras religiosas revelam o público pouco explorado que são os leitores (e não leitores também) de fé católica e a força do Padre Marcelo Rossi dentro da religião que não é caracterizada pela grande popularidade nos últimos tempos.

Com informações de revista Veja



20 de julho de 2012

O Iluminado (1980) - Críticas de Adaptações


Sinopse
Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Comparar originais e adaptações é complicado. Sempre fica difícil conseguir fazer uma obra inspirada em outra mantendo qualidade, afinal ela foi pensada e formulada para determinado veículo e qualquer transposição representará diferenças e muito possíveis perdas.

Em O Iluminado de Stanley Kubrick ficam claras estas discrepâncias em relação ao livro homônimo de Stephen King; este mais detalhado e que passa nuances bem maiores sobre o drama e a relação familiar dos personagens. 

Nunca fui crítico de cinema, mas é possível perceber a preocupação do consagrado diretor em criar a atmosfera do Hotel Overlook através de tomadas que valorizam as dimensões do local no comparativo com a perspectiva dos protagonistas; sobretudo da iluminada criança linda (como minha mãe fez questão de repetir diversas vezes) Danny.

Fica claro nos exemplos que os focos de filme e livro são diferentes, cada um optando por valorizar uma forma de contemplar a história sobre a criança especial que visita o hotel assombrado por forças misteriosas malévolas. 

Surpreendentemente, porém, o filme consegue fazer jus a proposta do livro de maneira geral sendo até superior em criar a sensação de imersão no clima que mistura suspense, loucura e um toque de paranoia. 

Enquanto King tem boas ideias na obra literária O Iluminado mas (na minha opinião) não consegue ser bem-sucedido nas suas descrições sem profundidade; Kubrick opta por desconsiderar alguns fatores, entretanto se sai melhor na hora de aclimatar o espectador. Para tanto, um dos principais trunfos do diretor é a atuação extremamente crível dos protagonistas nos papéis de louco (Jack Nicholson), desesperada (Shelley Duvall) e criança estranha/iluminada  (Danny Lloyd). 

Porém, não posso avaliar a adaptação do livro como muito boa, pois a produção cinematográfica peca na hora de denotar a força do hotel sobre os residentes. O protagonista Jack Torrance - que no livro é completamente levado a se descontrolar pelo ambiente opressor do local - parece sempre um maníaco em potencial no filme que só precisava de um pequeno gatilho para ficar insano.

Assim, posso dizer que O Iluminado é uma versão bastante honesta do original literário sabendo passar a tensão que o livro deseja transmitir até com melhor desenvoltura. Porém, alguns problemas incomodam um pouco como o papel menos expressivo de Danny e o já citado Jack que beira a loucura desde sempre.

De toda forma, quem aprecia o livro, deve se contentar com a elogiada produção de Kubrick que sabe criar ambientes de opressão psicológica como poucas. 


3 de 5 (Bom)



19 de julho de 2012

Toriko (Vol. 1) - Crítica / Resenha


Quem conhece mais a fundo o universo manga/anime certamente já deve ter escutado ou lido algo sobre Toriko. A obra de Mitsutoshi Shimabukuro é uma das mais populares da super bem-vendida revista Weekly Shonen Jump; ficando quase sempre no top 5 dentro do ranking que a empresa faz para avaliar quais séries estão indo melhor (onde se inclui a que mencionamos aqui) e quais são sérias candidatas ao cancelamento. 

O sucesso do mangá, porém, é um surpresa para muitos já que a história está centrada no inusitado tema comida. Na trama, temos o protagonista Toriko que trabalha como fornecedor de alimentos em um mundo de fantasia onde comer é praticamente uma obsessão. Porém, ele não é apenas um homem de negócios; na realidade é um aventureiro extremamente forte e extremamente faminto (nível Magali para cima). A sua profissão consiste em lutar contra criaturas gigantes que vão servir de alimento ou que estejam no caminho até chegar ao mesmo.

Nesse volume inicial temos dois arcos basicamente. No primeiro, Toriko vai em busca de um jacaré gigante de 300 anos acompanhado do cuidadosamente medroso Komatsu; por meio dele temos a apresentação de alguns personagens e todo o confronto maluco do protagonista contra a criatura que é gigantesca num universo cheios de bichos bizarros já muito grandes

No segundo momento temos mais uma busca por comida. Dessa vez Toriko é chamado para conseguir uma fruta e, acompanhado novamente de Komatsu (frouxo mas sempre ali), luta com vários macacos gigantes de 4 braços antes de pegar o que veio buscar.

Assim, esse primeiro volume como um todo reúne vários elementos clássicos dos mangás shonen. A mais evidente destas características é o protagonista que segue bem o estilo simples, bronco, lutador fortíssimo e esganado na hora de comer. Entretanto, além dele, toda a estrutura inicial também segue o padrão deste gênero trazendo um argumento básico (busque tal comida extremamente perigosa) para fomentar a porrada.

Desta forma, a HQ não tem absolutamente nada de inovador ou surpreendente (exceto o tema) e aposta em clichês. A ideia da comida e dos alimentos até que encaixa bem com o super-faminto Toriko mas nem sequer é trabalhada a contento pois o volume foca mais na aventura e na batalha com os bichos do que propriamente no ofício de cozinhar. Mesmo Komatsu, que é um chefe de cozinha, passa mais tempo sendo alívio cômico nas cenas de ação do que preparando qualquer coisa.

Já arte de Shimabukuro é boa. Nada digno de grandes elogios, mas cumpre bem o papel. Os trechos mais interessantes dos desenhos são aqueles que mostram as pessoas salivando enquanto comem pois passam uma sensação de veracidade digna de nota.

Toriko, como um todo, lhe dá a impressão de que pode ser divertido mais para frente com a provável chegada novos personagens e criando novos modos de enredo. Porém, nesse primeiro volume o título é superficial e genérico em excesso provocando uma sensação de "eu já vi isso antes" gigantesca que tem toda capacidade de afastar aqueles que acompanham vários outros mangás. 

Assim, cheio de esteriótipos, o meia-boca Toriko do primeiro volume conta com o futuro para que cheguem as boas histórias. Se elas vieram eu não sei; até porque esta primeira parte não me convenceu a continuar acompanhando.

Concursos Literários - Agosto de 2012


Como já é da praxe, voltamos com a nossa sessão reunindo os principais concursos literários do mês. Porém, optamos agora por fazê-la com uma certa antecedência para permitir um maior tempo a vocês que podem querer participar dos concursos.

Aqui nesta matéria poderão ser conferidas algumas informações básicas para passar uma ideia geral sobre a natureza dos concursos, se realmente quiser participar visite os links com o regulamento completo pois neles estão contidas informações necessárias aos possíveis participantes.

Então é isso, sem mais delongas fiquem com a nossa listinha e boa sorte a todos.


Bolsas de Criação e Circulação Literária Biblioteca Nacional/Funarte
Tema: Livre
Prazo: 02/05/12
Modalidades Textuais: Variadas (Narrativas e Líricas)
Inscrição: Correios
Premiação: 30 bolsas de R$ 15,000 e 20 bolsas de R$ 40,000
Clique aqui para ver o regulamento completo e se inscrever no concurso


Concurso Cultura Poesia Urbana
Tema: Livre
Prazo: 05/08/12
Modalidades Textuais: Poesias
Inscrição: Site
Premiação: Nenhuma (Publicações em sacos de pães e em outros veículos sem pagamento de direitos autorais)

1° Concurso de Contos de Ituiutaba
Tema: Livre
Prazo: 06/08/12
Modalidades Textuais: Contos
Inscrição: Correios
Premiação: R$ 5,000 ao ganhador

Concurso Literário - Prêmio "Professor Mário Clímaco"
Tema: Livre
Prazo: 10/08/12
Modalidades Textuais: Poesia e Crônica
Inscrição: Correios
Premiação: Nenhuma (Medalhas e Diplomas)

XI Concurso Literário Faccat - Jornal Panorama
Tema: O Fim do Mundo
Prazo: 10/08/12
Modalidades Textuais: Conto, Crônica e Poema
Inscrição: Correios
Premiação: 1° 700 reais / 2° 350 reais / 3° 200 reais (Apenas 1 fora do Território)

6° Prêmio UFF de Literatura
Tema: O Contador de Histórias
Prazo: 15/08/12
Modalidades Textuais: Conto, Crônica e Poesia
Inscrição: Correios / Presencial
Premiação: Exemplares

Festival de Música e Poesia de Paranavaí
Tema: Livre
Prazo: 24/08/12
Modalidades Textuais: Conto e Poesia
Inscrição: E-Mail
Premiação: R$ 1,000

IV Festival Aberto de Poesia Falada de São Fidélis
Tema: Livre
Prazo: 24/08/12
Modalidades Textuais: Poesia
Inscrição: Correios
Premiação: 1° R$ 5,000 / 2° R$ 4,000 /  3° R$ 3,000


III Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil
Tema: Livre
Prazo: 30/08/12
Modalidades Textuais: Livro Infantil
Inscrição: Correios
Premiação: 1° R$ 8,000 / 2° R$ 5,000 /  3° R$ 3,000

4° Concurso de Poesia - Poetizar o Mundo
Tema: Quadros do Artista Plástico Carlos Zemek
Prazo: 30/08/12
Modalidades Textuais: Poesia Minimalista
Inscrição: E-Mail
Premiação: Nenhuma (Troféu e Diploma)

XIII Concurso Literário de Poesias
Tema: Livre
Prazo: 31/08/12
Modalidades Textuais: Poesias
Inscrição: Correios
Premiação: 1° R$ 500 / 2° R$ 300 /  3° R$ 200

XV Concurso Nacional de Contos 'Prêmio Jorge Andrade'
Tema: Vários
Prazo: 31/08/12
Modalidades Textuais: Poesias
Inscrição: Correios
Premiação: 1° R$ 1.200 / 2° R$ 800 /  3° R$ 600


IV Concurso de Poesia Popular da UBT-Maranguape/2012
Tema: Vários
Prazo: 31/08/12
Modalidades Textuais: Poesias
Inscrição: E-mal e Correios
Premiação: Nenhuma (Troféu e Diplomas)

Prêmio Paraná de Literatura
Tema: Livre
Prazo: 31/08/12
Modalidades Textuais: Livro (Romance, Conto e Poesia)
Inscrição: Correios
Premiação: 40.000 reais aos vencedores de cada categoria




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