31 de janeiro de 2012

Morre O Desenhista Brasileiro Al Rio

Foi encontrado morto em sua casa nesta terça-feira (31/01) o desenhista brasileiro Alvaro Araújo Lourenço do Rio com apenas 40 anos de idade. Al Rio, como era conhecido, foi um dos primeiros artistas brasileiros a trabalhar nos quadrinhos dos EUA, desenhando por exemplo super-heróis como Homem-Aranha e o grupo de mutantes X-Men.


Rio que nasceu no Ceará era bastante famoso também graças as seus traços que destacavam a sensualidade das personagens femininas, no que era muito bom por sinal como pode ser visto em alguns exemplos abaixo.

capa de edição da hq Grimm Fairy Tales #1

Vampirella

Canário Negro, Batman e Mulher-Gato
As circunstâncias da morte permanecem misteriosas, muito embora alguns sites como o Bleeding Cool especulem a hipótese de suicídio. Al Rio deixa esposa e três filhas.

Com informações de Bleeding Cool e IG

30 de janeiro de 2012

Editora Underworld Divulga Programação de Lançamentos Para 2012

A editora Underworld divulgou recentemente em seu blog a previsão para boa parte de seus lançamentos deste ano. A lista que você pode ver na tabelinha colorida abaixo não inclui algumas obras como o terceiro volume da série Morganville de Rachel Caine (autora que me lembra aquelas vovós simpáticas da ficção) porque ainda estão em processo de tradução.

No post da Underworld não há menção há possíveis atrasos, mas levando-se em conta que imprevistos quase sempre ocorrem é melhor considerar a lista realmente como uma previsão dependente da boa vontade das circunstâncias, por assim dizer.

Pré-Vendas da Underworld:

Pré-Venda e Lançamento de "13 Pequenos Envelopes Azuis" de Maureen Johnson 

Édipo Rei (Sófocles) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa
Informações:

Título: Édipo Rei
Autor: Sófocles
Escrita: 427 a.c. (estimativa)
País: Grécia


Sinopse
A peça "Édipo Rei", escrita por Sófocles, é considerada uma das mais perfeitas tragédias gregas já escritas. Conta a história de Édipo, filho de Laios, rei de Tebas, o qual foi amaldiçoado, de forma que seu primeiro filho seria um assassino e se relacionaria com a própria mãe. O rei manda matar a criança, mas ele sobrevive e vai morar em uma cidade distante. Já adulto, Édipo descobre sobre a maldição e para que ela não fosse cumprida, foge. Mas acaba fugindo para a exata cidade em que sua família o espera. Então inicia-se uma sequência de mortes e verdadeiras tragédias inesperadas. Uma peça realmente fantástica que vai prender sua atenção do começo ao fim.

Leia O Livro Online Abaixo


31 de Janeiro: Aniversário de Grant Morrison

Nascia há 52 anos no dia 31 de janeiro o famoso escritor de HQs Grant Morrison, um dos mais elogiados e conhecidos roteiristas da história atuando agora na DC Comics onde já assinou sagas célebres comandando a Liga da Justiça, participando de algumas das Crises da editora e criando alguns dos maiores clássicos do homem-morcego como Asilo Arkhan.



Também são constantemente lembradas as passagens do escocês por títulos como Homem-Animal da DC Comics e sua revitalização do grupo X-Men da Marvel no início dos anos 2000.

Além disso, Morisson criou vários personagens, a maioria secundários, e a elogiada HQ Os Invisíveis pelo selo adulto Vertigo também da DC.


Com informações de Guia dos Quadrinhos

Mais sobre Grant Morisson:

Action e Comics 1 (Os Novos 52) - Crítica / Resenha
Grant Morrison Cria Polêmica Ao Julgar Criadores do Super-Homem no Livro Supergods


Dia do Quadrinho Nacional em Homenagem A Angelo Agostini


Nesta segunda-feira (30/01) é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional em homenagem a Angelo Agostini. Nascido na Itália o desenhista se naturalizou brasileiro e acabou se tornando o primeiro autor nacional de uma história em quadrinho com personagem fixo, no caso As Aventuras de Nhô Quim.

Mas ele também contribuiu como ilustrador para diversas publicações nacionais pioneiras como O Tico-Tico, além de batizar o Prêmio Angelo Agostini (foi nada) que anualmente premia os melhores artistas brasileiros da arte sequencial, o popular HQ.

Nesta segunda foi realizada a 28ª edição do prêmio. Saiba mais sobre Angelo Agostini em artigo do site Omelete clicando aqui.


Com informações de Vírgula e Itaú Cultural

29 de janeiro de 2012

Harry Potter e As Relíquias da Morte: Parte 2 - Crítica


Nunca é tarefa simples adaptar um livro para os cinemas com competência. A saga Harry Potter como um todo demonstrou isso acertando e errando ao longo dos filmes que se não foram brilhantes conseguiram ao menos representar bem os principais personagens e divertir os espectadores.

Entretanto, em Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 1 minha impressão foi mais positiva do que de costume. Como o último livro foi dividido em 2 filmes sobrou tempo e com isso calhou a oportunidade para usar da exploração mais aprofundada dos dramas e relações complexas entre os personagens; coisa pouco vista nas produções anteriores caracterizadas pelo ritmo acelerado dos fatos que se sucediam com pressa.

Porém, este primeiro filme foi tão mais lento que restou muita coisa para contar na parte 2; esta que acabou assim se diluindo numa ação ininterrupta de acontecimentos e resoluções numa correria muito incômoda que só conseguia explicar sem convencer.

Mesmo as qualidades vistas nas primeiras adaptações, como o desenvolvimento dos três protagonistas, acabou deixada de lado. Hermione, por exemplo, esteve em uma de suas piores apresentações, quase sempre surgindo para reafirmar a paixão que tinha por Rony. A intenção era clara; tentar dar um arcabouço para a relação romântica pouco (ou nada) explorada nas produções anteriores. Mas colocar tal elemento em algo que já estava superlotado corria o risco de soar forçado e apressado e foi justamente o que aconteceu.

O pior é que esta intenção de reforçar o romance dos dois acabou por resumi-los a isso. Chegando ao ponto de existirem cenas onde Hermione age no melhor estilo "namorada orgulhosa" da coragem do seu parceiro; o que nada tem a ver com sua personalidade.

Harry não tem muitos problemas; se mostra herói. Mas os confrontos finais não causam nenhum impacto especial ou tão grandioso como se espera. Além disso, ele não foge da superficialidade que atinge todos os elementos dramáticos do filme que apenas é ação sem profundidade, onde várias mortes importantes acontecem e são pouco ou nada sentidas.

Dentro do contexto de fim de saga a decepção é menor, mas ainda acontece pois o filme é de fato muito aquém daquilo que se espera de um final.

A obra, claro, ainda é divertida, tem bons efeitos especiais e é um fim que como tal sempre emociona os fãs. Para quem já viu todas as anteriores (meu caso) há um incômodo com a qualidade muito baixa, mas não tem como deixar de assistir. Agora para os que nunca viram nenhuma das produções anteriores não faz qualquer sentido conferir esta.

Ah, cabe sempre uma menção honrosa ao "envelhecimento" de 19 anos completamente risível dos protagonistas. Só Harry parece que envelheceu no máximo uns 5 anos garças ao bigode ralo e barba "por fazer" porque os outros dois ficaram praticamente idênticos.



2 de 5 (Regular/Fraco)


Os Miseráveis (2000) - Papel & Película (Coluna)


Victor Hugo (1802 – 1885) é um dos maiores nomes da literatura francesa. Seus sucessos incluem “O Corcunda de Notre-Dame” e o imenso romance “Os Miseráveis”, publicado em 1862 e originalmente composto por quatro volumes, cada um focalizando a trajetória de um personagem, embora os destinos de todos se cruzem durante a história. Tamanho esforço literário não podia deixar de ser levado para as telas, em sua totalidade ou apenas em parte. 

A primeira adaptação foi feita em 1907 e seguiram-se várias outras na era muda. Em 1935, uma versão francesa recebeu boas críticas e chegou a ser indicada ao Oscar. Na década de 1980, um musical foi feito baseado no livro, e dele faz parte a bela e famosa canção “I Dreamed a Dream”. No ano 2000, uma minissérie francesa de quase seis horas reuniu um grande elenco para contar a emocionante história passada na primeira metade do século XIX.

Jean Valjean (Gérard Depardieu) ficou preso durante dezenove anos por roubar um pão para sua irmã e seus sobrinhos e por uma série de tentativas de fuga. Na prisão ele fez um grande inimigo, Javert (John Malkovich), que desejava mais do que tudo mantê-lo encarcerado por toda a vida. Isso não acontece e, quando Jean é libertado, ele aprende uma lição de um bondoso monsenhor e decide lutar para viver com dignidade, sob uma nova identidade. Quem também luta para sobreviver é Fantine (Charlotte Gainsbourg), abandonada grávida pelo namorado. Ela dá à luz uma filha, Cosette, que entrega para um casal aparentemente amoroso criar, indo procurar emprego na mesma cidade em que Valjean é agora prefeito. Suas trajetórias se cruzam quando Fantine pede a Jean que ele cuide de sua filha. Ele cumpre a promessa, comprando a menina do casal Thénardier (Christian Clavier e Veronica Ferres) e criando-a como se fosse sua filha. O problema é que Javert continua a persegui-lo. 

Condensar uma história de 1200 páginas em um filme suportável é tarefa complicada. A longa duração da minissérie deixa claro que a produção conta com uma impressionante riqueza de detalhes. Um deles, comumente notado por aqueles que assistem a várias adaptações do clássico, é o papel fundamental de Eponine (Asia Argento, filha do conhecido diretor Dario Argento), filha do casal Thénardier que se interessa pelo rico revolucionário Marius (Enrico Lo Verso), apaixonado por Cosette.

A série, feita inteiramente na França, teve Depardieu também como produtor, além da ilustre presença da atriz Jeanne Moreau interpretando a Madre Innocence, freira superior do convento onde Cosette estuda. A reconstrução da época também é primorosa, assim como os efeitos especiais durante os combates resultantes das revoltas populares de 1848. Infelizmente, muito disso se perdeu na versões em inglês, pois a produção foi reduzida a apenas três horas para exibição na TV de língua inglesa.

Uma trama tão comovente e popular não poderia ficar num só meio. A primeira adaptação teatral foi feita pelo filho de Victor Hugo no ano seguinte à publicação do romance. A versão de 1987 foi o terceiro show que ficou mais tempo em cartaz na Broadway. O sempre ambicioso Orson Welles, antes de ir para o cinema, adaptou e estrelou uma versão para o rádio em 1937. A história deu origem a animações e até a um jogo de videogame. No Brasil, foram feitas duas telenovelas baseadas no livro, em 1958 e 1967. E, é claro, foram centenas de adaptações para o cinema, em diversas línguas. Uma nova versão cinematográfica será rodada em 2012 e promete novamente emocionar a plateia com uma história que nunca envelhece.

28 de janeiro de 2012

DC + Aventura 5 - Crítica / Resenha

Panini Comics - Dezembro de 2011
Como eu já cheguei a afirmar antes em uma das críticas, comprar as edições de DC + Aventura é um hábito que tenho independente do conteúdo da revista. Só a iniciativa de vender uma HQ a 2 reais para mim já é razão suficiente para adquiri-la todas as vezes que encontro na única e minúscula banca de revista aqui da minha cidade.

Em razão disso, decepções são naturais e foi justamente o que ocorreu ao ler esta edição de número 5 do quadrinho. A história apresentada é uma homenagem ao antigo seriado do Batman da década de 60; tosco como poucos o programa apresentava o sombrio herói de uma forma escrachada e divertida, o que era visto também em quadrinhos da chamada Era de Prata.

O problema é que fora alguns vídeos do youtube eu nunca acompanhei esta série, já ouvi e li sobre mas nada que me permitisse ter uma visão mais profunda de personagens ou maiores detalhes narrativos e esse desconhecimento provavelmente impediu que eu tivesse alguma simpatia por DC + Aventura 5.

Mesmo para aqueles que, como eu, só conhecem o seriado por alto fica evidente a homenagem prestada. Basta ver os socos e pontapés acompanhados de onomatopeias e balões coloridos. O problema é que fora o aspecto alusivo a história não tem qualquer qualidade de destaque.

Toda a narrativa parece projetada realmente para os fãs do seriado e não sendo um destes não posso falar nada nesse aspecto. Mas, avaliando como a extensa parte do público que só queria ler uma boa história não posso deixar de dizer que a HQ é uma decepção.

A trama é construída de forma confusa e atropelada com elementos clichês sem razão de ser e diálogos pobres de sentido mas que pretendem ser mais inteligentes do que são. Há várias citações de filósofos e escritores que são completamente desnecessárias destoando da superficialidade que caracteriza a história do início ao fim.

O roteiro de Lee Allred feito sobre o argumento do seu irmão Mike é assim uma junção de irrelevâncias e ideias mal construídas que não convencem, nem de longe comovem e que não chegam a propiciar um divertimento já que a história é um tanto arrastada e sem ritmo.

Por fim, temos a arte pobre do já citado Mike Allred que, novamente, pode despertar um interesse ao fãs da série de TV por se inspirar na fisionomia dos atores. Mas, aos olhos de um visão crítica, tem vários problemas de representação anatômica de movimentos, expressões faciais e detalhes de cenário.

Se você é um fã da série até recomendo comprar esta HQ, afinal mesmo não sendo boa o preço baixo pode ser motivo suficiente para relembrar um pouco da ingenuidade dos heróis televisivos na década de 60. Agora, se sua intenção é mesmo ler uma boa história, DC + Aventura 5 pode ser evitado com total tranquilidade permitindo a economia de 2 reais para comprar um pastel de carne, ou se você estiver evitando as frituras alguma fruta... 

Mais DC + Aventura:







1 de 5  (Ruim)


Os Livros Mais Vendidos da Semana - 1 de Fevereiro de 2012


A grande mudança desta lista foi  queda do livro Silêncio para o quinto lugar depois de ter ficado em primeiro na semana anterior. A posição de liderança acabou herdada pelo best-seller Um Dia de David Nicholls

Abaixo você poderá ler maiores detalhes sobre os "vencedores", para os livros mais vendidos da semana referente ao dia 25 de janeiro clique aqui.


Ficção: Um Dia (David Nicholls)


Depois de impulsionada pelo filme homônimo cujo roteiro é assinado pelo próprio David Nicholls, a obra escrita já figura na lista de mais vendidos por muito tempo e agora beneficiada pela queda do livro Silêncio para a quinta colocação e de As Esganadas de Jô Soares para a quarta ela assume a liderança.

Um Dia é uma história romântica que inova ao mostrar em cada capítulo um mesmo dia (daí o nome) da vida do casal protagonista ao longo de vários anos.

Em segundo lugar aparece o bom épico Guerra dos Tronos que já há muito tempo permanece entre os primeiros colocados. Em seguida o também constante O Cemitério de Praga de Umberto Eco.


Mais sobre Um Dia:



Não Ficção: A Privataria Tucana (Amaury Ribeiro Jr.)


Mais uma vez o livro que acusa a administração tucana de práticas ilícitas nas privatizações permanece em primeiro, beneficiado pela exposição midiática e pela ausência de lançamentos fortes que possam superá-lo.

Novamente o pódio desta categoria continua sem quaisquer alterações com o livro Steve Jobs de Walter Isaacson ocupando a segunda posição e a biografia  O Livro do Boni a terceira.


Mais sobre o livo:



Autoajuda e Esoterismo: O X da Questão (Eike Batista)


Eike Batista mais uma vez fica em primeiro com seu livro de autoajuda direcionado aos empresários. Mas a obra acaba entrando no imaginário como uma espécie de guia para o enriquecimento, departamento onde o empresário dono da EBX é mestre.

Evidentemente isso impulsiona as vendas e a editora não vai e nem quer se preocupar em explicar a especificidade do livro. Até porque ele pode funcionar como uma biografia sem maiores dificuldades como fica claro no texto localizado no canto superior esquerdo da capa.

Esta é mais uma categoria sem mudanças nas três primeiras posições com Ágape do padre Marcelo Rossi aparecendo em segundo e É Tudo Tão Simples de Danuza Leão logo a seguir em terceiro.

Veja abaixo a matéria do bilionário no Fantástico:




Mais sobre o livro:


Confira o top 10 completo da revista Veja em cada categoria:



Com informações de Veja



Entrevista - Roberta Spindler & Oriana Comesanha

Roberta Spindler & Oriana Comesanha são duas amigas (e autoras) nacionais que tiveram o talento e a disposição de escrever um épico fantástico de ares medievais com mais de 600 páginas. A obra acabou aceita e publicada pela nacional Dracaena e já se encontra à venda.


montagem sobre fotos do blog Amigo do Livro e Dracaena
Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos traz a terra convencional e o mundo paralelo de Meigan onde vivem as criaturas (humanas na aparência) conhecidas como magi que possuem a capacidade de manipular os elementos de Aristóteles (água, terra, fogo e ar) e mais alguns adicionais como sombra e tempo. Mas a história é bem mais complexa que isso e por essa razão convém conhecer mais no site oficial atualizado pela Roberta através deste link.

Nos últimos dias as autoras com muita simpatia responderam algumas perguntas para nós sobre seu livro e alguns aspectos gerais da literatura e do sempre curioso modo de escrita em quatro mãos. Veja abaixo toda nossa conversa e no final saiba mais como prestigiar o trabalho delas.


Leia Literatura: Sempre é bom começar por aquelas perguntas de sempre. Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Maya Muskaf por João Silveira
(fonte: site da autora)
As autoras: A ideia para escrever Contos de Meigan surgiu quando ainda éramos adolescentes e estávamos no Ensino Médio. Já escrevíamos fanfictions do seriado Arquivo X juntas, mas então surgiu a vontade de criar algo nosso. Começamos com pequenos contos sobre um mundo novo, que acabamos chamando de Meigan. Depois de um tempo, já tínhamos várias anotações sobre esse lugar e percebemos que podíamos levar nossa criação mais a sério. Então, a história de Maya Muskaf foi ganhando forma e se destacando das demais.


Qual a dinâmica que vocês usaram para escrever a quatro mãos?

Somos amigas desde a época do colégio e partilhamos o gosto por escrever. Normalmente, trabalhamos da seguinte forma: Traçamos o enredo em conjunto e depois delegamos tarefas. Ao final de um capítulo, por exemplo, marcamos uma reunião (real ou virtual) para revisar o texto e discutir novas ideias.


O livro Contos de Meigan com certeza exigiu muito de vocês tanto em razão da história cheia de detalhes quanto no número de páginas. Como permaneceram motivadas para concluir uma obra assim sem a perspectiva de uma publicação garantida?

Com o passar do tempo, Contos de Meigan se tornou uma paixão, um sonho. Terminá-lo era uma meta, mesmo que não tivéssemos chance de publicá-lo. Muitas vezes chegávamos a brincar que, se tudo desse errado, cada uma iria imprimir uma cópia caseira do livro para guardar de lembrança e honrar a história e nossas personagens. Ainda bem que a Editora Dracaena reconheceu o nosso trabalho e nos proporcionou a realização desse sonho.


O livro entra num cenário onde a fantasia medieval já está estabelecida tanto com clássicos como em best-sellers atuais. Vocês se preocupam com comparações? Qual o diferencial de Meigan frente aos demais do gênero?

Comparações são normais em qualquer mídia. Obviamente, nós fomos inspiradas pelos clássicos do gênero. Entretanto, é importante que se veja além das influências. Contos de Meigan é uma fantasia em um cenário medieval, mas nos preocupamos em utilizar uma mescla de culturas para caracterizar o mundo de uma forma diferente. Dessa forma, o leitor perceberá características da cultura ocidental, mas também da cultura oriental. Além disso, a relação dos magis (habitantes do mundo Meigan) com a natureza e os elementos (chamados por eles de mantares) é especial. Eles respeitam a natureza, pois fazem parte dela.
Podemos salientar também, que a história de Contos de Meigan não se passa exclusivamente no mundo dos magis. Também temos alguns momentos na Terra e dessa forma há uma mistura entre o medieval e o moderno, natureza e tecnologia.


Desde o início Contos de Meigan foi pensado como uma série ou a história se desenrolou durante a escrita?

Sim, já tínhamos esquematizado que o livro seria uma trilogia. Queríamos ter o tempo e a liberdade para contar a história da melhor maneira possível.


Já há alguma ideia das cenas dos próximos livros e do fim da saga?

Keyth Feon Azvanon por Jõao Silveira
(site da autora)
Já sabemos como a trilogia irá terminar e do segundo livro temos alguns capítulos escritos. Agora é trabalhar para colocar todos os nossos planos no papel.


Vocês foram publicados pela Dracaena, conhecida por dar espaço a muitos escritores nacionais de fantasia. Como avaliam apoio que a empresa forneceu?

A Dracaena foi muito importante e nos apoiou de uma maneira incrível. São ótimos profissionais e prezam pela qualidade dos livros que publicam. Estamos muito felizes de fazer parte do excelente catálogo que possuem.


Há alguma pretensão de escreverem livros individualmente, ou seja, não mais em dupla?

Roberta: Sim, além de Contos de Meigan também tenho outros projetos. Já publiquei contos em antologias e pretendo participar de mais algumas este ano. Além disso, tenho um projeto de um romance pós-apocalíptico e também de uma história em quadrinhos com temática fantástica.

Oriana: Atualmente, estou mais focada na produção de material para a área de psicologia e na produção do segundo volume de Contos de Meigan. Entretanto, tenho alguns contos com temática fantástica ainda em fase de execução.


Nossa pergunta temática: Por que ler literatura?

Ler literatura, seja ela fantástica ou não, é uma forma de estar em contato com pensamentos, opiniões e pessoas diferentes. Em outras palavras, é a oportunidade de conhecer mundos diversos e de desfrutar do aprendizado que eles podem trazer. Justamente por isto, ler se torna uma atividade tão prazerosa e significativa.


Muito obrigado pela participação. Teria como adiantar alguns detalhes dos próximos livros para os fãs (rs)?

Bom, vamos tentar não dar spoilers, ok? (rs) Os leitores podem esperar mais momentos que se passam na Terra e nos Infernos (mundo dos cártagos). Novas personagens vão surgir e antigas vão encontrar seu fim. Prometemos muitas surpresas. =)

Links úteis:

twitter:

26 de janeiro de 2012

Fahrenheit 451 (1966) - Cinefilia Literária (Coluna)


Os níveis crescentes de alienação da sociedade (vide BBB’s e fenômenos musicais duvidosos da vida) como um todo estão cada vez mais nítidos, próximos, assombrosos e desestabilizantes, isso tudo claro para quem não faz parte de tal processo, para quem ainda insiste em ser alguém que pensa, reflete e acima de tudo se posiciona perante a massa uniforme.

Tal massa é constituída principalmente por indivíduos que caminham na vida achando que o importante é estar na moda, é ter o carro do ano, é possuir esse ou aquele aparelho tecnológico qualquer, bens materiais acima de sentimentos humanos, acima de valores, acima da essência do que é viver, afinal essas criaturas realmente não sabem e nem perdem tempo imaginando o que poderá significar a vida, sua novela ou time preferidos merecem mais atenção.

E o que todo esse meu discurso metido à besta aí em cima tem a ver com este Fahrenheit 451, aliás, de onde tiraram esse título? Hummm e pensando mais um pouco o famigerado Michael Moore não fez um documentário com um nome meio parecido? Hahahahaha conversar comigo mesma é ótimo!

Bem, mas voltando ao “normal”... Vamos às explicações. O livro Fahrenheit 451 foi publicado pela primeira vez em 1953 por Ray Bradbury e tal título significa a temperatura necessária para que livros possam ser queimados. O filme inspirado inteiramente na citada obra foi realizado em 1966 pelo grande François Truffaut. Já o documentário de Michael Moore foi feito em 2004 e chama-se Fahrenheit 9/11 fazendo referência tanto aos livro/filme quanto aos acontecimentos do afamado 11 de setembro de 2001.

Vamos à história a aos Spoilers...

Os créditos iniciais do filme nos dão pistas do que está por vir, eles são falados por um narrador que não chegamos a ver, para entrarmos num clima assim de não leitura, enquanto isso, vemos muitas casas, todas elas possuidoras de antenas, o que talvez para a época (tou chutando aqui) não fosse algo tão comum, por isso o enfoque dado.

Entramos em contato com uma sociedade em que possuir livros e o hábito da leitura são infrações graves, escrevendo isto aqui neste exato momento, me ocorreu que tanto eu como você, não poderíamos estar fazendo o que estamos fazendo agora... hahahahaha...

Gracinhas à parte, o fato é que nesta história “hipotética” ler é considerado algo nocivo, mau, livros levam as pessoas à tristeza, a acreditar em coisas que não existem e a fazer com que, por exemplo, quem tenha lido algum dos livros de Aristóteles (é um exemplo dado durante o filme) se ache melhor do que as outras pessoas, então algo assim só pode ser ruim para a sociedade como um todo, pois ela deve ser composta de pessoas “iguais”.

O personagem principal Guy Montag é um bombeiro, mas o trabalho dos bombeiros neste enredo não é apagar incêndios, aliás, as edificações são à prova de fogo, os bombeiros são os responsáveis pela caça e incineração dos livros e também das pessoas que ainda insistem em mantê-los. Montag é alguém que inicialmente não se incomoda tanto com o trabalho que faz, a profissão que ele desempenha já foi também a do seu pai e do seu avô, ele está seguindo uma “tradição” de família apenas, no filme ele é casado com Linda, no livro com Mildred, há nisto verdadeiramente uma curiosidade interessante (Ahhh não vou dizer mais nada...hehehe)

Linda é alguém completamente absorvida pela estrutura totalitária imposta pela “Família”, é assim que se autodenomina o sistema existente. Há duas cenas em que enxergamos isso de maneira clara e para mim, particularmente, emblemática, revelando aspectos facílimos de serem encontrados em nossos dias. Numa, ela está sentada em frente à TV, literalmente aprendendo todo tipo de coisa por meio dela, até as mais simples, não lembro mais da sequência dos acontecimentos, mas ela chega a participar de um programa, porém de maneira genérica, não vou explicar os detalhes, e não percebe isso, está completamente fascinada por aquele aparelho, pelas imagens, pelas pessoas e tudo que fazem... Isso lembra algo? Em outra cena vemos Linda e suas amigas reunidas conversando sobre?

Por sua vez Montag, é “despertado” durante uma viagem de Metrô por uma moça chamada Clarisse, ela é diferente, cheia de questionamentos, radiante. A partir desse momento, Montag vai passando por um processo de descobrimento e revelações maravilhoso de ser acompanhado e aos poucos vai escondendo livros em sua própria casa e os lê com enorme intensidade.

Fica fácil de adivinhar que em algum momento sua “má” conduta vai acabar sendo descoberta.

O capitão dos bombeiros parece desconfiar, mas Montag não quer mais fazer parte da corporação, deseja sair, porém o capitão o convence a realizar um último trabalho...

Montag chega a ser perseguido pelos seus ex-colegas de profissão não só pela posse ilegal de livros, mas também por assassinato, a sociedade “comum”, obviamente acompanha todos esses acontecimentos pela TV que oferece sua versão bizarra. Nela vemos um Montag fake correndo assustado, sendo encurralado e ASSASSINADO em frente às câmeras, nada mais equivocado, Montag consegue fugir e encontra outras pessoas em condições parecidas com as dele, poeticamente pessoas que se tornaram livros...

Tudo que acabei de relatar no parágrafo acima, me fez lembrar muito, guardadas as devidas proporções, de um acontecimento recente, a “caçada” e “morte” de Osama Bin Laden, mas neste caso, incrivelmente eu diria, a “encenação” repassada a nós telespectadores (as) foi ainda pior, já que não vimos nem mesmo a morte de um Osama fake, o corpo foi jogado no mar? Sinceramente, para euzinha acreditar em tudo que dizem ter acontecido é deveras difícil, porém, não é o que parece acontecer com boa parte das pessoas, já que se deixam enganar por reportagens muito mais estúpidas advindas de setores da mídia que há tempos se sabe produzir um jornalismo péssimo, feito exclusivamente com o intuito de agradar quem detém o poder.

Então como denominar esta história contida em Fahrenheit 451 de hipotética e ficção? Ok, os livros, pelo menos agora, não estão sendo queimados, MAS estão sendo lidos? Quais são os grandes fenômenos de vendas? Somos uma sociedade repleta de leitores (as)? Quem lê realmente entende o que está lendo? A resposta para todas estas perguntas é uma só.

Tanto para a sociedade representada nesta obra como para a nossa, o real “perigo” que a leitura de livros pode trazer, é o aprofundamento dos conhecimentos, é o questionar-se e refletir sobre o mundo à nossa volta e tais questionamentos podem provocar mudanças que não são bem-vindas em um mundo no qual os papéis já foram estipulados, há mandantes (bem pouc@s) e mandad@s (a maioria), o esforço empregado para que tudo continue como está, podemos ter certeza que beira ao infinito!


Ficha técnica:
Lançamento: 1966
Livro escrito por: Ray Bradbury
Direção: François Truffaut
Elenco: Oskar Werner, Julie Christie, Cyril Cusack, Anton Diffring.

27 de Janeiro: Aniversário do Escritor Lewis Carroll

foto: wikipédia
Neste dia 27 de janeiro há 180 anos nascia Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo pseudônimo Lewis Carroll. O escritor se tornou célebre graças ao clássico infantil Alice no País das Maravilhas e sua posterior continuação Alice no País dos Espelhos (Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá).

Alice Liddell vestida como mendiga em foto do próprio Carroll
Alice foi uma menina real, amiga do escritor, que serviu de inspiração para Caroll; durante uma viagem ao rio Tâmisa ele criou o esboço do que seria Alice no País das Maravilhas para entretê-la. Só que a garota, à época com 10 anos, gostou tanto da narrativa que insistiu para que ela fosse escrita. Anos depois, em uma versão com muitas adições, a obra foi finalmente publicada.

O destaque de ambos os livros sobre Alice eram seus problemas de teor adulto como enigmas e desafios lógicos, além das críticas sociais e hierárquicas que permeavam a sua narrativa com uma história fantástica realmente pouco usual. Assim, o livro transcendeu o público infantil e se tornou um clássico admirado por adultos e crianças.

A relação próxima de Carroll com as crianças, porém, causa até hoje desconforto e polêmicas sobre uma possível pedofilia do autor considerado excêntrico por muitos e que abertamente tinha a Alice como sua musa mirim. O que se sabe com certeza é que sua relação de proximidade com as crianças era grande e que desenhou e fotografou meninas seminuas com o consentimento de seus pais.

Carroll faleceu em 1898 na Inglaterra tendo escrito outras obras de menor expressão.

Mais sobre Lewis Carroll:



25 de janeiro de 2012

O Demônio Familiar (José de Alencar) - Leitura Online e Download

imagem meramente ilustrativa

Informações:

Título: O Demônio Familiar
Autor: José de Alencar
Primeira Publicação: 1857
País: Brasil

Sinopse
A comédia O Demônio Familiar (1857) é considerada uma de suas melhores peças teatrais. Foi escrita na mocidade do grande homem de letras. José de Alencar já ingressou no teatro com um propósito definido, armado de uma teoria. Escreveria com o intuito de melhorar o teatro de seu , que procurava ganhar as boas graças do público, pelo riso fácil. Em o Demônio Familiar, Alencar alcançou plenamente seu ideal de comediógrafo.
O enredo da peça gira em torno das confusões armadas pelo escravo doméstico Pedro, um menino que deseja ser cocheiro, mas para isso precisa casar seu senhor, o médico Eduardo, com uma mulher rica. Para tentar realizar seu sonho, mente e engana, desmanchando prováveis casamentos e arranjando outros. Com essa comédia realista, José de Alencar louvava a família burguesa, mostrando-a como exemplo a ser seguido por uma sociedade que se pretendesse civilizada.

Leia o Livro Online Abaixo:




25 de Janeiro: Aniversário da Escritora Virginia Woolf

Virginia Woolf por George Charles Beresford (img: wikipédia)

Em Londres nascia neste mesmo dia 25 de janeiro, só que de 1882, Virginia Woolf. A escritora inglesa foi um dos maiores nomes do Modernismo com sua narrativa pouco usual de divagações e descrições não-lineares.

Em Mrs. Dalloway, considerada por muitos como sua obra-prima, Woolf usa e abusa do seu estilo ousado para contar um acontecimento prosaico; um dia na vida da personagem Clarissa  Dalloway que dará uma festa. Pelo argumento parece bem simples mas devido ao estilo cheio de peripécias que vai e volta no tempo dentro da mente desorganizada da personagem - o chamado fluxo de consciência - a obra não é um título facilmente compreensível.

Porém a autora tem diversas outras obras brilhantes além desta como Rumo Ao Farol e Orlando - Uma Biografia

Adeline Virginia Woolf  se suicidou em março de 1941 depois de sofrer um colapso nervoso. A Wikipédia disponibilizou e traduziu a transcrição do bilhete que ela deixou ao marido Leonardo Woolf antes de morrer, leia abaixo:

Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V.

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