6 de dezembro de 2012

O Hobbit (J. R. R. Tolkien) - Crítica / Resenha

Editora WMF Martins Paulista


Sinopse
No início do século XXI, cinemas do mundo todo foram invadidos pelo primeiro filme da trilogia O Senhor dos Anéis , baseada na obra do escritor J. R. R. Tolkien. A legião de fãs fiéis das obras do escritor começava a ganhar, a partir daquele momento, proporções antes inimagináveis. Ainda que os livros de Tolkien já fossem lidos em diversos idiomas há décadas, uma euforia poucas vezes vista na história do cinema e da literatura tomou conta do planeta. Mas o novo exército de fãs e leitores do universo fantástico de Tolkien implorava por mais. Foi quando o premiado diretor Peter Jackson viu no livro O Hobbit – prelúdio deO Senhor dos Anéis – a oportunidade perfeita de retomar, no cinema, os caminhos da Terra Média. Agora, uma nova geração se prepara para conhecer os hobbits, seres muito pequenos, menores do que os anões. A história tem como personagem central o hobbit Bilbo Bolseiro, que vive muito tranquilo até que o mago Gandalf e uma companhia de anões o levam numa expedição para resgatar um tesouro guardado por Smaug, um dragão enorme e perigoso. Leia mais este livro mágico de J. R. R. Tolkien, assista ao filme e faça parte dessa festa.


O universo da Terra Média é hoje um inegável ícone da cultura pop e o início de tudo foi a simples e bem-escrita aventura O Hobbit publicada pela primeira vez em 1937.

O livro que conta a trajetória do caseiro Bilbo sendo incluído em uma missão completamente inesperada, é curiosamente aquele tipo de trama que não se vende por certo fato marcante concebido para impactar.

Toda a história é desenvolvida num ritmo leve e descompromissado onde os fatos vão se desenvolvendo sem grande alarde. Mas enquanto isso ocorre, o leitor vai se descobrindo também um fã, pois a narrativa conquista justamente pela construção competente e coerente de sua proposta.

Tolkien tem grande controle sobre sua criação e consegue ir conduzindo com maestria as empreitadas de seu protagonista que, apesar de não ter jeito para herói mítico, consegue ser um notável exemplo de capacidade e eficiência mesmo quando todos (incluindo ele próprio) desconfiam de sua relevância para a aventura.

Este é aliás um ótimo exemplo de como o escritor britânico insere camadas em suas histórias. Normalmente nos deparamos com tramas, sobretudo infantis, onde os valores que por elas são pregados ficam em tamanha evidência que a história acaba se tornando apenas uma justificativa para ensinar algo. 

Em O Hobbit, porém, a aventura sempre aparece como o grande destaque e possíveis discussões morais ficam completamente submetidas à esta empreitada nas tonalidades mitológico-imaginativas que lhe constituem.

A preocupação primordial de Tolkien em O Hobbit parece ser criar uma boa história de grandes feitos. Nesse sentido, se preocupa em descrever um mundo congruente com personagens próprios que lhe deem identidade na medida certa.

Enquanto Bilbo e Gandalf são exemplos de tipos completamente únicos, a maior parte dos anões aparece na obra sem grande personalidade exclusiva representando na verdade uma espécie de recorte demonstrativo de um povo. Através disso, o autor consegue manter o protagonismo pessoal daquele hobbit ao mesmo tempo que apresenta um elemento proporcionalmente maior do universo.

As análises do cuidado de Tolkien nos detalhes poderiam prosseguir bastante, mas elas talvez desvirtuem em certa medida a impressão emocional que a obra passa ao ser lida: diversão e simplicidade sem agredir a inteligência.

Mesmo sendo voltado ao público infantil, O Hobbit é o tipo de livro que pode cativar qualquer um justamente por fazer muito bem a sua proposta de poucas pretensões.

Assim, esta é uma publicação que se mostra como uma trivial e muito bem-feita aventura que quer entreter somente; o que já bastaria para ser uma boa obra com a habilidade que Tolkien possui em sua escrita. 

Mas além de sua proposta aparente, o livro ainda consegue ir mais longe em seu mundo encantador, nos seus personagens que fogem ao simples clichê e em vários outros detalhes menos perceptíveis; todos esses contribuindo na construção de uma narrativa que consegue ser fantástica em mais de um sentido sem nunca deixar de ser completamente simples.


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