2 de dezembro de 2012

Monteiro Lobato nas Telas - Coluna Papel & Película



A recente polêmica sobre a censura na obra infantil de Monteiro Lobato volta nossos olhos para um clássico constante nas escolas. Não estou falando das dicussões didáticas sobre o que é correto mostrar para as crianças, mas sim do próprio autor, presente na vida escolar de tantos brasileiros. Ele, que sempre esteve com a turma do Sítio do Picapau Amarelo nas salas de aula de todo o Brasil, até hoje não tinha sido responsabilizado por formar cidadãos preconceituosos, o que acredito que ele nunca fez nem teve intenção de fazer, pois era um homem de seu tempo que escrevia com a mentalidade da época. Vale lembrar que nos livros o poderoso pó de pirlimpimpim era aspirado pelo nariz, e já na década de 1970, ao ser feita uma adaptação da história para a televisão, foi exigido que o pó não fosse usado nas histórias, pois poderia servir como uma alusão à cocaína. Polêmicas à parte, Monteiro também proveu o cinema brasileiro de boas histórias para contar.

Já em 1923 um conto de Monteiro serviu de argumento para o filme mudo “Os Faroleiros”. No ano de 1951 foi às telas a primeira versão de seu conto “O Comprador de Fazendas”, divertido filme protagonizado por Procópio Ferreira, pai de Bibi Ferreira. O enredo era com certeza bem familiar ao autor, criado no campo: um fazendeiro arma um golpe para vender suas terras a um jovem que diz ser rico. A história voltaria ao cinema em 1974, com um tratamento igualmente engraçado, porém menos ingênuo.

Monteiro também foi responsável por diversas traduções, muitas delas de livros que viraram filmes. Para citar só algumas das obras que ele traduziu: Dom Quixote, Adeus às Armas, Caninos Brancos, As Viagens de Gulliver, Por quem os Sinos Dobram, A Ceia dos Acusados e As Aventuras de Huckleberry Finn. Sua importância no mundo dos livros vai muito além, pois ele foi pioneiro como editor, uma vez que em sua época os livros de autores brasileiros eram editados e impressos na Europa. Ele revolucionou com livros esteticamente atraentes e uma rede de vendedores e distribuidores a seu serviço espalhados pelo país. 

Obviamente, seu mais conhecido trabalho surgiu na literatura infantil: a turma do sítio foi criada em 1921 e fez parte da infância de milhões de brasileiros não apenas em forma de livro, mas também em seriados de televisão. A série de 23 livros trata dos mais variados temas sempre com uma linguagem acessível às crianças e também de maneira lúdica. O que ocorria nas telas do cinema la nos tempos de Lobato era também retratado no sítio: o Gato Félix influenciou a criação de um sósia felino nas histórias de Narizinho e o marinheiro Popeye apareceu nos livros como um vilão. Dadas as semelhanças, é possível que a obra “O Maravilhoso Mágico de Oz” tenha também influenciado o escritor.

Durante dez anos, de 1952 a 62, a escritora Tatiana Belinky ajudou a transportar o Sítio para a recém-nascida televisão. Este foi o primeiro programa da TV brasileria a exibir propagandas. A TV Tupi exibia os episódios ao vivo, de modo que não restaram imagens gravadas dessa primeira versão. Um ano antes, Narizinho, Pedrinho e companhia já tinham aparecido nas telas do cinema, no filme “O Saci”. Em 1957 a TV Tupi do Rio de Janeiro imitou a de São Paulo e formou sua própria turma do Sítio, e sete anos depois o elenco foi para TV Cultura, permanecendo apenas seis meses no ar. Fica como curiosidade o fato de as atrizes Lúcia e Leonor Lambertini, mesmo tendo apenas dois anos de diferença, interpretarem, respectivamente, a jovem boneca Emília e a vovó Dona Benta.

Depois de dois anos na Rede Bandeirantes, surgiu a versão mais conhecida: a de 1977, na Rede Globo, a primeira a contar com o famoso tema de abertura composto por Gilberto Gil. Assim como na versão posterior, de 2001, nesta também foram criadas histórias exclusivas para a televisão quando terminaram as tramas dos livros originais, assim como contavam também histórias conhecidas mundialmente, como contos de fada. A partir de 2011 vem sendo produzida também uma série animada do Sítio do Picapau Amarelo.

Monteiro Lobato foi o homem que disse que um país é feito de homens e livros. Com certeza, os homens e mulheres que leem são os mais aptos a governar um país e quem concilia a leitura atenta e crítica de Monteiro Lobato com o estudo de suas obras nos mais variados meios de comunicação, para aprendizagem ou diversão, será um cidadão mais consciente para fazer o bem para seu país.

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