27 de dezembro de 2012

Júlia: As Aventuras de Uma Criminóloga - Crítica


Enquanto HQs de super-heróis costumam ser, com justiça, sinônimo de histórias tontas; há ainda na atualidade diversas publicações regulares de boa qualidade, sobretudo na Europa. 

Um destes celeiros de boas narrativas é sem nenhuma dúvida a Sergio Bonelli Editore da Itália, casa do extremamente famoso Tex e de outros vários personagens interessantes em suas tramas bem desenvolvidas.

Dessa mesma casa temos a criminóloga Julia Kendall. Pouco conhecida no Brasil, a personagem enfrenta os mais terríveis bandidos sempre armada de sua coragem e de seu vasto conhecimento sobre o comportamento e modus operandi dos mesmos. 

Nessa edição número 1, publicada no Brasil pela Mythos, vemos uma apresentação interessante da personagem mostrando os integrantes do seu universo (a empregada Emily é o maior destaque) e os dramas que enfrenta como a adaptação de seus feitos para a TV.

Julia poderia em outros contextos ser a típica heroína sexualizada, mas na verdade ela se opõe a isso. O autor aproveita-se deste esteriótipo para criar ferramenta narrativa: Julia ganha uma versão televisiva e acaba completamente decepcionada quando sua representação é o clichê exato de mulher que usa dos dotes físicos para solucionar os crimes.

No entanto a história, obviamente, está centrada na investigação e nesse primeiro volume ela é apenas razoável. Sabe aquele gostinho típico dos romances policiais de ver uma trama sendo desvendada tal qual uma teia? Pronto, aqui ele praticamente não existe. O processo é um pouco superficial demais e a solução vem com vários componentes de sorte. 

Entretanto, a trama e os personagens vão se construindo bem (quem já leu Tex, o estilo é felizmente similar) de forma que você se interessa pela história sem sua inteligência ser  subestimada. O resultado é uma opção realmente boa de leitura recreativa para divertir e entreter com qualidade.

Hepburn e Julia
O traço que também segue o estilo das outras HQs da editora é bom. Por si só não impressiona nem acrescenta, mas  também não chega a prejudicar o desenvolvimento e passa bem a ideia do autor. Nesse ponto cabe destacar que Julia é evidentemente inspirada em Audrey Hepburn. Mesmo eu que assisti pouquíssimos filmes com a atriz pude reconhecer a semelhança durante a leitura. 

De forma geral, Julia: As Aventuras de Uma Criminóloga é uma ótima opção para aquele momento em que você quer ler uma história boa, bem escrita e despretensiosa. A sensação final com certeza não será de tempo perdido. 

Pena que a HQ que ainda é serializada na Itália deixou de ser publicada no Brasil.

 
(3 de 5 / Bom)


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