18 de dezembro de 2012

Jogador N° 1 (Ernest Cline) - Resenha

Editora Leya

Quando o leitor se depara com a edição nacional de Jogador N° 1 logo pode notar um excerto do jornal estadunidense USA Today denominando a obra como "Um Novo Matrix". É verdade que o universo alternativo de OASIS, onde os personagens se refugiam de um mundo em crise, tem certa conexão com o universo de Neo. Mas o conteúdo não poderia ser mais diverso.

Enquanto o filme dos Irmãos Wachowski se caracteriza pela ligação essencial com um a discussão filosófica/social; o livro de Ernest Cline é claramente lúdico tendo como maior preocupação divertir o leitor.

Em nenhum momento durante a leitura é possível verificar qualquer pretensão do autor no sentido de discutir com seriedade o mundo em crise que criou. Todo este pano de fundo tem um objetivo claro: criar o contexto para que a realidade do OASIS surja como extremamente convidativa. 

No mais a temática da gincana que move a história conduz igualmente a proposta adotada: brincadeira despretensiosa. Ainda que a ideia seja mostrar uma disputa de âmbito global entre bons e maus (claramente delineados), a sensação é de estar acompanhando um historinha simples cujo maior chamariz é o entretenimento.

O estilo de escrita básico (facilmente acessível mesmo para leitores de autoajuda) é a tônica de toda história que não se preocupa em aprofundar coisa alguma. Tudo ali está posto com a intenção de agradar sem exigir maiores reflexões. 

Personagens, conceitos, trama... Nenhum deles foge da superficialidade causando diversos momentos ingênuos e previsíveis, mas que conseguem divertir se o leitor não vier armado de um senso crítico sisudo.

A obra só não é acessível a qualquer um porque possui certo público definido; aquele capaz de entender as alusões "nerds". Talvez até seja possível um leigo nestes assuntos ser conquistado pela aventura clichê bem montada, mas quase tudo que diferencia o livro seria perdido no processo.

Assim, Jogador N° 1 é uma obra empolgante que funciona por replicar com competência uma estrutura muito velha e simplória (mas bem-sucedida) de criação narrativa. A identidade do livro fica mesmo nas referências que tem a capacidade de causar aquela nostalgia e/ou identificação por parte do leitor. 

Este é aquele tipo de publicação que não muda vidas e nem gera grandes reflexões, mas que é excelente para enfrentar a sempre gigantesca fila de um banco. 


 




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