18 de novembro de 2012

O Bebê de Rosemary (1968) - Coluna Papel & Película


O dia das bruxas já passou, mas isso não é desculpa para perder um dos melhores filmes de terror da década de 60, baseado em um livro igualmente famoso. Roman Polanski, Mia Farrow, Ruth Gordon e John Cassavettes se juntaram e fizeram um filme assustador a partir de uma situação tão normal quanto uma gravidez. Afinal, se “O Bebê de Rosemary” não foi um bom método contraceptivo, deve ter feito muitas mulheres pensarem duas vezes antes de ter um filho.

Rosemary Woodhouse (Mia Farrow) é uma dona de casa recém-casada com o ator Guy (John Cassavetes) que já participou de duas peças de teatro e comerciais de TV. Eles acabam de se mudar para um apartamento, mesmo com o amigo Hutch (Maurice Evans) advogando contra a mudança. Logo que chegam eles são abordados pelo solícito casal de vizinhos idosos formado por Roman Castevet (Sidney Blackmer) e sua esposa Minnie (Ruth Gordon). Rosemary confidencia a eles o desejo de ser mãe em breve e aí começa sua tormenta.

No dia ideal para a concepção, Ro desmaia, mas isso não impede que o marido transe com ela. Durante seu tempo desacordada Ro tem um pesadelo, que é a sequência mais assustadora do filme e nos levar a questionar se foi Guy mesmo quem a engravidou. Com o passar do tempo, Ro adota um corte de cabelo que assusta seus conhecidos e fica ela própria muito assustada com os problemas e mal-estares que enfrenta durante a gravidez. Enquanto os tormentos da esposa se multiplicam, crescem também as oportunidades de emprego para Guy, mesmo que para isso um ator tenha que ficar cego de repente.

A primeira experiência de Roman Polanski com uma adaptação de um livro para as telas se revelou bem sucedida. Ele seguiu a obra original quase sem fazer modificações, apenas retirando algumas cenas supérfluas. Muitas descrições contidas no livro foram usadas para o filme, como cores de cenários e detalhes de vestimentas. O livro foi escrito por Ira Levin e se tornou um best-seller antes mesmo de virar filme. Ira viria a escrever nove anos depois o também famoso “Os Meninos do Brasil”. Em 1997 o autor voltaria à sua mais conhecida história para escrever “O filho de Rosemary”, livro que dedicou a Mia Farrow.

Tanto no livro quanto no filme o espectador sabe o mesmo que Rosemary: é pelos olhos dela que a história nos é contada, o que adiciona muito suspense e várias hipóteses. Os praticantes de uma estranha seita também são mostrados de maneira mundana, diferente do que acontecia em filmes de terror anteriores. Polanski, sendo ateu, não acreditava em seitas demoníacas e cuidou para que toda a situação fosse mostrada de forma ambígua, nos levando a crer que tudo poderia ser apenas uma neurose de Rosemary.

O sucesso do livro com certeza contribuiu para o êxito de um filme sem muitos atrativos: seus atores não eram, na época, grandes nomes do cinema, Roman Polanski era um diretor estrangeiro em início de carreira e, afinal, era um filme de terror, o que por si só já afastava muita gente dos cinemas. Na verdade, pouco de “O Bebê de Rosemary” é realmente assustador. Ao contrário do que começava a ser visto na época, filmes com banhos de sangue e cabeças rolando, aqui o horror é levemente sugerido e surge de situações normais com alguns toques de anormalidade.

O filme rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante a Ruth Gordon, que antes havia escrito, junto com seu marido Garson Kanin, os roteiros de vários filmes clássicos. Depois do Oscar, as ofertas de emprego como atriz se multiplicaram para a senhora de 72 anos. Mia Farrow foi muito elogiada como protagonista. Detaco o momento em que ela vê seu filho pela primeira vez e, embora a criança não nos seja mostrada, temos a ideia de como ela seria pela expressão da mãe: uma cópia perfeita do famoso quadro “O Grito”, de Edvard Munch. Sustos à parte, é um excelente clássico para se ver e se surpreender em qualquer época do ano.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e Dê sua Opinião Sobre O Tema.

Lembrando que qualquer opinião com boa educação é muito bem-vinda, mas ofensas são excluídas.

(obrigado pela visita, volte quando puder)