14 de novembro de 2012

Como Fazer Uma Boa Adaptação? - Coluna Ler é Compreender



Felizmente, a cada dia nos deparamos com mais adaptações de livros para outras mídias, sobretudo para o cinema; motivando assim que o público audiovisual comece também a se interessar pela leitura. 

Se comercialmente a iniciativa é louvável, em questão de fidelidade às vezes conferimos umas "liberdades" adaptativas incômodas que subvertem completamente a obra original.

Um exemplo disso é o filme "Eu, Robô" que toma toma o livro homônimo de Isaac Asimov apenas como uma espécie de inspiração distante. No final das contas, a adaptação é muito mais um filme "Will Smith em ação" do que qualquer outra coisa. 

Mas aí está posto um problema não tão simples de resolver; como fazer uma adaptação competente de um livro para outra mídia com linguagens e estilos narrativos diferenciados?

A resposta pode englobar detalhes específicos, mas muitos deles são variáveis e outros podem soar um tanto quanto evidentes em sua dimensão generalista. Por isso, acho que cabe mencionar um aspecto global: a fidelidade.

Tudo bem que ao se pensar em adaptação fidelidade é algo bastante óbvio, mas nem sempre é possível seguir rigorosamente o original em razão da própria natureza diferenciada do meio de comunicação. 

A minha impressão é de que a essência deve ser preservada. Se olharmos com atenção toda história boa tem características que precisam permanecer para ela não se tornar alguma outra coisa. Este tronco é basicamente o que deve ser preservado.

No mais, o autor da adaptação tem total liberdade para adequar a história. O que não pode acontecer é uma Alice no País das Maravilhas de Tim Burton que muda justamente aquilo que não deveria ser modificado, retirando o que individualiza a obra e pondo seus próprios conceitos.

A ideia de uma adaptação bem-feita reside no próprio conceito da palavra no final das contas. Adaptar não significa recriar a história à sua maneira e sim pegar uma história já criada e adequá-la a um novo contexto.

É claro que existem muitos obstáculos a este entendimento aparentemente básico, mas ele é necessário para a transposição genuína dos conceitos. Enquanto isso não for feito podemos falar de obras apenas inspiradas em outras, infelizmente essas em geral acabam por ser ofensas ao original.


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