6 de novembro de 2012

A Noite das Mulheres Cantoras (Lídia Jorge) - Crítica / Resenha



Sinopse
Há uma pergunta que percorre este romance de Lídia Jorge, da primeira à última página: quantas vítimas se deixam pelo caminho para se perseguir um objetivo? A ação do romance decorre no final dos anos 80 do século XX e invoca um tema de inesperada audácia - o da força da idolatria e a construção do êxito -, visto a partir do interior de um grupo 21 anos mais tarde, na forma de um monólogo. Como é habitual na obra da autora, a questão social é relevante - a força do todo e a aniquilação do indivíduo perante o coletivo são temas presentes neste livro. Mas aqui, tratando-se de um grupo fechado e dominado pela música, a parábola social submerge perante a descrição de um ambiente de grande envolvimento humano e de densidade poética. Servido por uma narrativa ao mesmo tempo rude e mágica, A Noite das Mulheres Cantoras propõe a quem o lê a história de seis figuras que passam a viver para sempre no nosso imaginário. A história de amor comovente que une as duas personagens principais, Solange de Matos e João de Lucena, é, por certo, um daqueles episódios que iluminam a realidade, e torna a grande literatura sobre a vida de hoje indispensável, com os ingredientes próprios da cultura dos nossos dias.


Atualmente nos deparamos com best-sellers de ritmo frenético onde vários acontecimentos ocorrem no intervalo de pouquíssimas páginas e a história sofre com diversas reviravoltas que surpreendem conquistando o leitor.

A Noite das Mulheres Cantoras foge completamente desta regra tendo um ritmo lento em que autora faz o pouco se prolongar por páginas e mais páginas de reflexões cheias de analogias poéticas e assuntos líricos. 

Algumas dessas imagens linguísticas são realmente muito bem empregadas e essa talvez seja a maior força do livro. Porém, não é uma qualidade que se mantém inalterada já que por vezes as comparações são um tanto empobrecidas fazendo com que o livro tenha momentos inspirados e outros apenas aceitáveis. 

A história em si, como eu já antecipei, praticamente não evolui ficando do início ao fim quase no mesmo ponto. Claro que coisas importantes acontecem incluindo fatos inesperados (um deles tive que ler duas vezes para ter certeza do ocorrido), mas nada que extraia a obra de sua atmosfera ao melhor estilo "fim de tarde de domingo".

A Noite das Mulheres Cantoras é assim como uma ode pouco pretensiosa a uma nostalgia consideravelmente potencializada pelo sentimentalismo da protagonista. É verdade que certos problemas sociais são mencionados, mas nunca desempenham o papel vital que é ocupado do início ao fim pelas reflexões pessoais daquela que narra a história. 

Assim, o livro funciona por ser inegavelmente bem escrito e por conter trechos verdadeiramente inspirados. No mais, a leitura mantem-se em um nível de qualidade bom sem nunca ser genial mas também nunca afrontando o leitor. 

A conclusão é uma obra que certamente não arrebatará, mas que tem a possibilidade de tocar aqueles que se identificam com o estilo e/ou com os personagens representados.

Uma observação importante é que a versão da Leya não foi adaptada para português brasileiro; o que não chega a dificultar a compreensão mas que pode exigir uma consulta na internet para pleno entendimento de alguns termos. 


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