7 de outubro de 2012

A Volta Ao Mundo em 80 Dias - Coluna Papel & Película


A adaptação de romances para o cinema pode resultar em sucessos de público e de crítica, em filmes grandiosos e com um elenco maravilhoso. Com sorte, tudo isso se reúne e o filme pode até mesmo ganhar o Oscar. Como em muitas ocasiões na história da premiação, nem todos ficam felizes com o resultado. Foi isso que aconteceu em 1956, quando um bem-feito filme inspirado na obra de Júlio Verne roubou a atenção na noite do Oscar.

O milionário Phileas Fogg (David Niven) faz uma aposta no clube que frequenta, dizendo ser possível dar a volta ao mundo, passando exclusivamente por países do hemisfério norte, em apenas 80 dias. Feita a aposta, ele logo começa a jornada, acompanhado de seu intrépido criado Passepartout (Cantinflas).

O livro foi publicado em 1873 e escrito durante uma época difícil da vida de Júlio Verne. O autor havia perdido o pai recentemente e trabalhava vigiando a orla marítima durante a Guerra Franco-Prussiana. Ele passava dificuldades porque os direitos de suas obras anteriores não haviam sido totalmente pagos. Há várias histórias sobre como surgiu a ideia para o livro, mas é certo que estava na ordem do dia a discussão de viagens longas com um prazo determinado a ser cumprido. Verne sempre foi entusiasta das inovações tecnológicas de sua época e até mesmo antecipou invenções feitas futuramente. O livro foi publicado na forma de folhetim, um capítulo por semana, e isso fez com que muitos leitores acreditassem que a viagem estava de fato ocorrendo e Júlio Verne estava apenas informando o que acontecia com os viajantes.

Antes de 1956 foi feito um filme mudo baseado no livro em 1919, mas infelizmente o filme hoje é considerado perdido. Em 1938 começaram as filmagens de uma nova adaptação que focava na história da princesa indiana Aouda, interpretada em 1956 por Shirley MacLaine. Este filme nunca foi terminado. Em 1946 foi a vez do megalomaníaco Orson Welles levar a história para o teatro em um fracassado musical. Welles inclusive ficou muito chateado por não ser convidado a participar do filme.

Em 1955 o produtor da Broadway Michael Todd, então marido de Elizabeth Taylor, resolveu se arriscar no mundo cinematográfico e produzir uma versão do livro de Júlio Verne. Apesar de David Niven ser o protagonista, quem muitas vezes rouba a cena é o mexicano Cantinflas, que inclusive foi favorecido quando os roteiristas decidiram dar mais destaque a Passepartout na tela. A cena das touradas na Espanha, aliás, foi inteiramente escrita para o ator, que dispensou dublês para cena.

Além de Cantinflas, outros atrativos do filme são várias participações especiais de grandes atores e personalidades, como Frank Sinatra e Marlene Dietrich. Isso tudo sem falar na música, homônima ao filme e que com certeza você já ouviu em algum lugar.

As filmagens foram trabalhosas, sendo realizadas em 13 países, empregando quase 69 mil pessoas como extras, 8500 animais e também mais de 74 mil figurinos. Apesar de tantos detalhes, as filmagens duraram menos que uma volta ao mundo no século XIX: apenas 75 dias. Mesmo assim, o filme custou quase seis milhões de dólares na época.

Dezoito meses após a estreia o produtor Michael Todd faleceu em um acidente de avião, deixando a bela Liz Taylor viúva. Antes disso, porém, ele teve tempo de ver a consagração de sua película. Logo após vencer o Oscar de Melhor Filme, Todd deu uma festa para 18 mil convidados que foi um caos total. Além do prêmio principal, o filme conquistou outras quatro estauetas: Melhor Edição, Roteiro Adaptado, Cinematografia e Canção, este um prêmio póstumo. Na noite da cerimônia “A Volta ao Mundo em 80 Dias” derrotou os também grandiosos “Assim caminha a humanidade” e “Os Dez Mandamentos”. Com quase três horas de duração e seis minutos só de créditos finais animados, o filme começa com um clipe de outra famosa produção inspirada na obra de Júlio Verne, “Viagem à Lua”, de 1902, e nos convida a uma viagem maravilhosa, capaz de ser vista só nas telas do cinema ou nas páginas de um bom livro.

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