10 de outubro de 2012

A Esperança (Suzanne Collins) - Crítica / Resenha

Editora Rocco

Sinopse

Contra todas as probabilidades, Katniss Everdeen sobreviveu duas vezes aos Jogos Vorazes. Mas agora que ela conseguiu sair viva da arena sangrenta, ela ainda não está segura. A Capital quer vingança. 
Quem eles acham que deve pagar pela rebelião? Katniss. E o que é pior: o presidente Snow deixou claro que ninguém mais está a salvo. Nem a família de Katniss, nem seus amigos, nem os habitantes do Distrito 12.


Chegamos ao fim da trilogia Jogos Vorazes. E finais de obras que mexem positivamente comigo sempre me deixam um pouco triste, me acostumei com facilidade a esperar determinados momentos do dia para “encontrar-me” com o universo de Katniss Everdeen, não foi com facilidade que cheguei ao final deste livro, mas enfim... 


Fiquei procurando a esperança do título e confesso que não encontrei, algumas pessoas podem enxergá-la pelo menos ao fim de tudo, mas eu só fiquei ainda mais arrasada, destruída. Suzanne Collins é bastante cruel em relação ao destino dado aos seus personagens, não poupando fãs, não imagino verdadeiramente como deva ser um romance juvenil comum, como insistem em denominar este, porém, não acredito que haja tanta destruição, tanta dor física, mental e quase nenhum momento feliz. 

Com o final abrupto do segundo livro, chegamos neste com inúmeras perguntas, as respostas vão sendo dadas aos poucos, mas à medida que tais respostas aparecem, novas perguntas surgem. Nossa heroína está diagnosticamente perturbada, neste livro, idas ao hospital e vindas deles são constantes, ela está fisicamente e mentalmente fragilizada, porém, não pode se dar ao luxo de se afastar da guerra em pleno processo, pois ela é o Tordo, o símbolo a ser seguido, a pessoa admirada pela população sofrida e explorada dos distritos. 

Panem é um mundo que pode ser encarado como distante e ficcional por quem quiser vê-lo assim. Oras, crianças e adolescentes se sujeitando a um espetáculo cruel para entretenimento de pouc@s. Pode ser que isso especificamente (ainda) não aconteça, mas a ideia geral não está tão distante da sociedade na qual vivemos. Imagem está acima de tudo e tudo pode ser visto e filmado por qualquer um (a). As pessoas hoje em dia se expõem de bom grado, digamos assim, certas redes sociais são exemplos claríssimos disso, espetáculos no mínimo de péssimo gosto são transmitidos pela TV para entretenimento da massa acostumada a ser guiada como gado. 

Em Panem a “massa” se cansou de ser guiada. O cansaço chegou ao seu máximo pela morte hedionda de suas crianças. Qual será nosso máximo? Às vezes penso que talvez nosso máximo em degradação humana não exista. 

Neste livro, surgem novos personagens, destaco a quantidade de personagens femininas importantes, além da heroína principal ser mulher e ter todas as características já citadas por mim em algum lugar, ou seja, não ser frágil, não pautar suas ações por um amor romanceado, ter suas opiniões próprias, sem participação de qualquer figura masculina, Collins nos dá de presente outras várias mulheres com participações fundamentais à trama, todas fortes e destemidas à maneira delas, o que para alguém como eu, é um ingrediente a mais de satisfação. 

Pode haver spoilers. 

O nível de horror aumenta... a destruição também, praticamente todos os distritos estão em guerra contra a Capital. Descobrimos que o Distrito 12 de nossa heroína foi destruído e que o 13 ainda existe e que esse acolhe as poucas pessoas que sobreviveram à eliminação do 12. Em meio a esse caos continuamos a acompanhar a indefinição de Katniss sobre quem e se ela realmente ama Peeta ou Gale, o que descobriremos enfim. O momento de tal definição é verdadeiramente um dos mais emocionantes de todos os livros. 

Emoções não faltam, se isso é possível fiquei mais aterrorizada do que em vários outros momentos tensos dos livros anteriores, há mais mortes de personagens importantes e um em especial que eu não imaginaria. Penso que tal acontecimento deve ter gerado grande surpresa entre os fãs. O ápice tão esperado, ou seja, o confronto com o Presidente Snow é também outro momento emblemático. 

As saídas e desfechos elaborados por Collins respeitam toda a trilogia e a força que nossa heroína sempre apresentou. Embora sejamos praticamente destroçad@s nesse final, ele é condizente com tudo que acompanhamos já que a história nunca foi leve, um fim “fácil” não seria digno depois de tantas lutas e sofrimentos de Katniss.




4 de 5 (Muito Bom)





Leia as nossas críticas dos livros anteriores: Jogos Vorazes / Em Chamas

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