4 de setembro de 2012

Uma Duas (Eliane Brum) - Crítica / Resenha

Editora Leya

Sinopse
Em seu romance de estreia, Eliane Brum - conhecida no jornalismo pela sensibilidade e força do seu texto - mergulha num novo, mas não menos delicado desafio: transformar em palavra a intrincada relação entre mãe e filha. De que material são feitos os laços que as amarram? Como é tecida a trama de ódio e afeto entre duas mulheres (des)unidas pela carne? Uma duas é um retrato expressionista tão dramático quanto nauseante que foge de clichês e eufemismos que costumam cercar o tema. Dotada de um humanismo visceral, a autora entrelaça os narradores do mesmo modo que o acaso embaralha integrantes de uma família numa teia de subjetividades.


Quando terminei a leitura de Uma Duas me vi com certa dificuldade para escrever esta resenha. A experiência que tive ao ler não foi boa, entretanto eu não posso negar que o livro tem competência em realizar aquilo que propõe.

Com um estilo pouco usual, a obra mistura elementos estilísticos e diferentes focos narrativos para passar uma sensação de visceralidade e realismo na trama de "obsessão/loucura/ódio" entre mãe e filha; ambas com sérios problemas emocionais. 

Nessa ideia de causar choque no leitor, a narrativa usa e abusa de um relacionamento repleto do que há de pior em termos violência escatológica. Não é raro você se sentir num daqueles filmes "trash" que tem como grande chamariz causar uma ruptura com os valores do sistema social vigente através de acontecimentos tão simples quanto incômodos.

Como visceral, direto e degradante que é, o livro não funciona para todos os gostos (o meu, por exemplo). Porém, não se pode negar que Uma Duas chega no seu objetivo; desconstruir de forma violenta a ideia usual do relacionamento mãe-filha, por meio de uma dupla de personagens literalmente desgraçadas e unidas de forma carnal, medonha e estranhamente amorosa.

Mas, mesmo neste exercício de análise objetiva, fica claro que a obra é bem limitada sendo apenas a história agressiva de dois parentes que fogem (fortemente) ao padrão numa relação de união quase animalesca. Se tirarmos isso, vemos que não há nada de muito arrebatador, original ou poderoso o suficiente para fazer desta narrativa algo mais do que uma descrição pouco usual do cotidiano de duas pessoas.

Uma Duas assim é uma obra que realiza bem o que deseja mostrando a qualidade que a  autora possui, podendo ser uma boa leitura para quem gosta de forte dose de uma violência-escatológica-emocional. Entretanto, mesmo em seu "gênero" ela não é o que há de melhor.

Metaforicamente, digamos que seja uma refeição não espetacular, mas boa para alguns paladares específicos e indigesta para outros.


(3 de 5 / Bom)



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