23 de setembro de 2012

Drácula Invade As Telas - Coluna Papel & Película



Esqueça as sagas de vampiros românticos e supostamente bonitos. O cinema e a literatura se interessam por seres mordedores de pescoço há muito tempo. Conde Drácula, o primeiríssimo e abominável vampiro, surgiu num romance de Bram Stoker no final do século XIX e já esteve presente em mais de 300 filmes e programas de televisão diversos, além de 14 videogames. 

O romance de Bram Stoker é epistolar, ou seja, a história é contada através de cartas e outras anotações escritas pelo protagonista, o vendedor Jonathan Harker, que recebe a missão de vender um imóvel na cidade ao conde Drácula e, para isso, deve encontrar o estranho cliente em seu castelo na Transilvânia. Publicado em 1897, não foi um sucesso imediato, embora histórias de ameaças externas ao povo britânico estivessem na moda. O livro foi ganhando cada vez mais atenção conforme foram sendo feitos filmes baseados nele.

A primeira versão surgiu no cinema mudo alemão e causou, além de sustos, polêmica: a família de Bram Stoker não autorizou que o estúdio utilizasse a história para um filme, por isso a solução foi mudar os nomes dos personagens, embora mantendo muito do livro original. Mesmo assim, veio um processo e todas as cópias foram destruídas. Felizmente, uma se salvou e hoje podemos apreciar a obra-prima que é “Nosferatu” (1922). Um filme realmente de arrepiar, com direito a um estranho e feioso ator (Max Schreck) interpretando Conde Orloff, o vampiro que espalha a peste negra na Alemanha. Tudo neste filme silencioso ainda mexe com nossos medos mais primitivos: as sombras sinistras projetadas na parede, os sons e a música macabra. Marco da sétima arte, nunca param de surgir novos estudos e teorias acerca desse filme, incluindo um que o analisa como um aviso sobre o perigo comunista.

Em 1931, já com a situação dos direitos de adaptação do livro legalizada, a Universal Studios escolheu Drácula para ser seu primeiro filme de terror sonoro. O ator perfeito para o papel, o homem de mil faces Lon Chaney, havia falecido em 1930, por isso se iniciou uma grande busca pelo ator principal. Quem ficou animado com isso foi Bela Lugosi, o húngaro que já interpretava Drácula nos palcos. Sua imagem ficou tão fortemente relacionada com a do personagem que Lugosi quis ser enterrado com a capa que usou para o filme.

Enquanto a versão em inglês era filmada de dia, o Drácula espanhol era filmado à noite nos mesmos cenários. Embora a história seja idêntica, alguns pontos fazem toda a diferença. O Drácula americano é inesquecível por seu intérprete, enquanto o filme espanhol tem movimentos de câmera e jogos de luzes mais interessantes, além de uma mocinha mais participativa na ação, embora não conte com um monstro impecável. 

A partir daí a Universal Studios entrou na onda de continuações bizarras e fez “A Filha de Drácula”, “O Filho de Drácula” e “A Casa de Drácula” durante as décadas de 1930 e 1940, além de vários filmes em que o vampiro encontrava outros monstros famosos, como Frankenstein e o Lobisomem.

A Inglaterra produz seu primeiro filme sobre Drácula em 1958, com Christopher Lee no papel principal. “O Vampiro da Noite” toma algumas liberdades com a história original, mas foi um grande sucesso e a ele se seguiram sete filmes em que Lee interpretou o mais famoso vampiro do cinema.

Em 1979 o diretor alemão Werner Herzog resolveu refilmar Nosferatu, um de seus filmes favoritos. Para os papéis principais ele escalou Klaus Kinski, ator com quem trabalhou várias vezes, e Isabelle Adjani. A cores e falado, o filme perde a atmosfera macabra do original, embora várias cenas pareçam cópias e nos deem sustos. Mesmo assim, este versão contém seu “charme”. 

Acima de tudo, a história de Drácula é universal. Apenas mudando alguns detalhes a trama pode ser ambientada em qualquer país. O vampiro já espalhou terror pela Turquia, pelo Velho Oeste, pela França, pela Dinamarca e até no espaço sideral. O diretor Mel Brooks se encarregou de transformar a história em uma comédia em 1995, com Leslie Nielsen no papel principal.

Em 1992 Francis Ford Coppola mergulhou fundo no livro original e fez sua própria versão, que inclui a história de como o conde se transformou em vampiro. Interpretado por Gary Oldman, Drácula até tem um interesse amoroso, tornando-se muito mais que um personagem sedento por sangue.

Drácula não invadiu apenas as telas do cinema. Foram inúmeras peças de teatro, incluindo vários musicais, e histórias em quadrinhos, havendo até um combate entre o vampiro e o homem-morcego. Virou personagem de desenho animado, sitcoms e continuações foram escritas para o livro de Bram Stoker. Drácula passou despercebido no lançamento, mas até hoje continua firme e presente na cultura popular.

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