9 de setembro de 2012

Bonequinha de Luxo (1961) - Coluna Papel & Película


Um dos clássicos mais queridos da nova geração e sem dúvida um marco na carreira da bela e talentosa Audrey Hepburn, “Bonequinha de Luxo” pode representar uma vida de sonho para muitas meninas, mas não tinha muito glamour em sua forma original, uma novela de Truman Capote.

Holly Golightly (Audrey) é, no filme, uma moça boêmia e festeira que vive de presentinhos de seus admiradores. No livro, fica quase escancarada sua vida de garota de programa. Em ambos ela tem como vizinho o escritor Paul Varjak (George Peppard), que logo ao chegar ao novo apartamento se encanta com ela. No cinema a vida da moça teve de ser suavizada, uma vez que a censura ainda não permitia que uma personagem prostituta fosse explorada, ainda mais como protagonista. No prédio também mora o senhor Yunioshi (Mickey Rooney), personagem secundário que se irrita com Holly toda vez que ela se esquece das chaves. E com Holly mora também um gato anônimo que ela encontrou na rua.

Em meio ao amor platônico de Paul, Holly continua vivendo normalmente, dando festas em seu apartamento, relacionando-se com homens estranhos e visitando semanalmente o gangster Sally Tomato (Alan Reed) na cadeia, indo depois das visitas levar “informações meteorológicas” ao advogado de Sally. Sempre procurando um homem rico para casar, Holly acaba encontrando um pretendente perfeito: o milionário brasileiro José Ybarra-Jaegar (José Luis de Vilallonga), que não é brasileiro nem de nome. O passado de Holly também é revelado no filme com o aparecimento de uma figura importante de sua juventude. 

O livro é todo narrado pelo escritor, que só no filme recebe o nome Paul. Holly o chama de Fred devido à semelhança que ele guarda com o irmão dela. A protagonista do livro tem apenas 19 anos, enquanto Audrey tinha 31. Quando Truman Capote escreveu o livro, ele tinha em mente Marilyn Monroe como Holly. A bela loira, aconselhada por seu professor de atuação, recusou o papel, considerando-o uma repetição do estereótipo de moça sensual que ela estava acostumada a interpretar. Hoje não há dúvidas de que Audrey Hepburn é insuperável como Holly, mas a morena sempre achou que não deveria ter sido escalada para o papel. Só podemos fazer suposições sobre como seria a Holly de Marilyn, mas é quase certo que o que sobraria em sensualidade faltaria em carisma. Fica como curiosidade o fato de que Capote batizou a personagem, nos primeiros rascunhos do livro, de Connie Gustafson.

Alguns personagens de destaque no livro, como Mag Wildwood, a amiga de Holly, e o almofadinha Rusty Trawler estão apenas na divertida cena da festa, uma demonstração da maestria cômica do diretor Blake Edwards. Um ponto surpreendente em que livro e filme coincidem é no visual de Holly: até seu icônico vestido tubinho preto usado na abertura do filme está descrito no livro, embora ela seja, na imaginação de Capote, uma moça de cabelos curtos. Aliás, não apenas o visual de Holly neste filme é icônico: a música “Moon River”, composta pelo mestre Henry Mancini e cantada por Audrey numa cena idêntica à do livro, se tornou uma das mais populares melodias da história do cinema.

O filme ganhou dois Oscars: Melhor Canção e Trilha Sonora. Audrey foi indicada como Melhor Atriz e por sua interpretação ganhou um prêmio internacional, o David Di Donatello, na Itália. Na década de 1960 tentou-se adaptar a história para o teatro, com a queridinha da TV Mary Tyler Moore interpretando Holly, mas o projeto fracassou. Só na década de 2000 que Bonequinha De Luxo chegou aos palcos. Não sei qual foi a reação de Truman Capote ao saber que sua história original saiu de outro jeito no cinema, com direito até a um novo final. Mas sem dúvida seu livro, terminado com um sorriso amargo no canto da boca, jamais chegaria à popularidade que o filme tem, mesmo 50 anos após sua estreia.

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