28 de agosto de 2012

Sonhos: The Soul Seekers #1 (Alyson Noël) - Crítica / Resenha

Editora Leya
Sinopse
Daire Santos é uma adolescente de 16 anos, filha de uma maquiadora de Hollywood, que namora estrelas de cinema e viaja com a mãe por todo o mundo. Até que coisas estranhas começam a acontecer com ela: visões com corvos e pessoas brilhantes, o tempo que para de andar, sonhos com um belo menino de olhos azuis-gelo.
Os médicos acham que se trata de um caso psiquiátrico. Sua avó, curandeira respeitada na pequena cidade de Encantamento, Novo México, afirma que pode curá-la com suas ervas e poções. Sem alternativa, Daire vai para uma cidade perdida no meio do nada, longe da mãe, e com a avó que até então não conhecia.
O que parecia ser o fim, no entanto, revela-se o início de uma grande aventura: guiada pela avó, Daire descobre ser uma Buscadora de Almas, descendente de uma linhagem poderosa que, através dos tempos, vem garantindo o equilíbrio entre o bem e o mal tanto no nosso mundo quanto em outros mundos e outras dimensões.


Muitos dos livros para adolescentes na atualidade seguem um modelo de sucesso. A receita é contar a história de uma menina com vida aparentemente normal que se descobre detentora de poderes mágicos ou que encontra essas mesmas capacidades especiais em um misterioso e sedutor amante.

Sonhos cumpre esta estrutura ao narrar a história de Daire Santos como uma jovem que vê sua vida mudar quando começa a ter estranhas visões. Como manda o figurino, ela inicialmente rejeita tudo aquilo como indicativo de doença, mas ao ir morar com sua simples e e mágica avó ela abre os olhos para um mundo místico que foi esquecido pela ignorância da civilização tecnologicamente avançada.

Todo este escopo, como fica claro, pode ser visto em diversas outras tramas que tem a magia como foco. Noël não parece se preocupar em bombardear o leitor de clichês: relação com a natureza, casas simples, roupas modestas... Tudo isso coroado por mais uma trama que segue aquele velho esquema do mestre ensinando a jovem promissora que tem potencial para ser a mais forte de toda a sua linhagem.

Essas repetições teriam um efeito minimizado se a autora, por exemplo, desenvolvesse mais a fundo seus personagens, mas isso não ocorre. Daire, a protagonista, é uma adolescente irritadiça e sua personalidade não vai muito além disso antes que ela aceite seus poderes; é  tão genérica quanto o seu entorno.

Nem sequer a narrativa em primeira pessoa é capaz de dar uma tonalidade mais forte à jovem que realiza descrições com uma dramaticidade pouco pessoal.

Assim, Noël se demora em grande parte da obra contando uma história sem maiores diferenciais que é pouco cuidadosa quando a intenção é desenvolver detalhes de trama que poderiam tornar a leitura algo mais prazeroso.

O livro, porém, melhora um pouco quando o ambiente muda para a escola. Não é um contexto  muito diferenciado, mas Noël minimiza esse aspecto conseguindo um desenvolvimento um pouco mais profundo e portanto mais convincente; ela parece ter mais naturalidade quando o pano de fundo é o colegial.

Até Daire fica pouco mais interessante pois ganha o contorno de ser uma "buscadora de almas"; tudo bem que continua não indo muito além disso, mas é um ganho ao menos do ponto de vista emocional onde ela ganha todo um grupo que conta com namorado, amigos e atraente inimigo.

Os personagens novos. é verdade, também seguem a cartilha dos esteriótipos (deficiente visual sábia, grupo de 3 meninas populares e cruéis, gêmeo bom e gêmeo mal), entretanto eles dão uma tonalidade maior de identificação com o aspecto humano da narrativa, se fossem mais desenvolvidos seriam uma grande qualidade. 

Já na parte sobrenatural tem algumas coisas que são próprias, mas há certa pobreza na descrição deste mundo alternativo, principalmente quando se compara com algum livro de fantasia clássico. Não há grande coerência ou consistência no desenvolvimento do mito que salta aos olhos do leitor como mal elaborado.

Noël demonstra em Sonhos que sabe escrever bem, mas escorrega ao fazer uma história genérica e um tanto superficial que não tem capacidade para conquistar aqueles que não são fãs do gênero. 

Quem, por outro lado, gosta deste tipo de estrutura narrativa pode até se divertir com o livro, mas dificilmente ele ocupará uma posição entre seus prediletos com sua história que soa como repetição sem grandes elementos de destaque. Talvez seja algo que possa ser consertado nos livros seguintes da série, mas que não muda o começo consideravelmente fraco.



2 de 5 (Regular / Fraco)




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