22 de agosto de 2012

Entrevista - Mirella Ferraz Nogueira

fotos: blog da autora 
O Brasil tem ganho constantemente novos escritores de talento, sobretudo no gênero fantasia. Uma destas é Mirella Ferraz Nogueira que não só assinou a obra Sereias - O Segredo das Águas como vivencia a experiência de ser (de alguma forma) esta criatura mística. 

Simpaticíssima, a autora nos concedeu a entrevista abaixo onde falou sobre sua obra e vários outros assuntos da literatura. No final vocês conferem os links para conhecê-la ainda melhor e, se gostarem da conversa, saber mais sobre o livro.


Leia Literatura: Com o seu livro falando sobre Sereias, não podemos deixar de perguntar: de onde surgiu o fascínio por estas criaturas?

Mirella Ferraz: Primeiramente, quero dar um olá a todos os queridos leitores de seu blog. Bem, de onde surgiu meu fascínio pelas sereias é uma pergunta bem difícil, por assim dizer, porque simplesmente eu não sei..rs. Ele surgiu junto comigo, assim que eu nasci. Minha mãe sempre disse que minha primeira palavra foi “sereia”, e até para meus pais isso é um mistério, pois esse amor que nutro por esses seres, veio antes que eu pudesse ter visto qualquer filme ou desenho com a representação de uma sereia. Eu simplesmente nasci com elas em meu coração e esse amor por elas é tão grande que direcionei toda a minha vida em torno do mundo delas. Casei-me na praia com conchinhas no cabelo e um colar de sereia no pescoço; fiz faculdade na área ambiental e trabalhei com golfinhos em diversas praias maravilhosas desse país. Quando eu era criança e me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, eu respondia categoricamente: Sereia! E acho que talvez, só isso, já explique tudo.


Fale um pouco sobre o seu trabalho de "sereia" para além de literatura. Vimos alguns dos seus belos vídeos inclusive.

Jura que vocês viram meus vídeos? Hahaha. Que legal! Fiquei feliz! Pois é, isso é outra grande paixão minha que consegui realizar depois de adulta. Eu sempre sonhei com o dia em que nasceriam em mim, a almejada cauda de sereia, e como ela, infelizmente, não veio, eu resolvi confeccionar uma! Hahaha. Deu uma trabalhei enorme, mas hoje já estou com a terceira cauda e faço uma das coisas que mais gosto: mergulhar com elas. Depois de um tempo, resolvi postar esses vídeos no youtube e acabou virando um tremendo sucesso. Tenho vídeos lá que contam com mais de 2 milhões de visualizações! Eu nem imaginava que as sereias eram tão queridas assim. E hoje em dia eu me divirto a beça, pois ajudo outras pessoas (não digo crianças só, pois tem bastante adulto também) com esse mesmo sonho que o meu e recebo mensagens do mundo inteiro. Até da Ilha de Java! Hahaha.


Escrever por si só não é uma atividade que causa grande retorno financeiro. Onde começou o seu desejo de colocar suas ideias no papel mesmo diante das dificuldades?

Novo autor brasileiro é um guerreiro por excelência! Pois não é fácil ter que lidar com o preconceito dos leitores com a literatura brasileira, ainda mais a literatura fantástica, e também com os “portões fechados” da maioria das grandes editoras, que preferem publicar livros de autores estrangeiros ou de brasileiros quando esses são famosos ou celebridades. Por isso eu tiro o chapéu a TODOS os autores brasileiros, principalmente os novos autores. Realmente a literatura é para quem ama, e não para quem almeja ganhar dinheiro com ela (claro que unir os dois não seria nada ruim, hein?... hahaha).

Meu desejo por escrever também veio bem cedo e alavancada por uma já predisposição genética, pois meu avô foi escritor, poeta e compositor, e meu pai, que é meu maior ídolo, é um escritor maravilhoso (eu babo nos escritos dele, e não é porque sou sua filha que digo isso, mas o cara é fera), e poeta. Meu primeiro livro eu escrevi aos 8 anos de idade. Depois me interessei por poesias e chegava até a ser “contratada” pelas amigas para escrever poemas para os namoradinhos delas... hahaha. Eu acho que certas pessoas, como nós autores, tem a necessidade de externalizar os sentimentos, ou simplesmente fugir da realidade e alçar voo. É assim que eu me sinto. E escrever pra mim é, antes de uma realização pessoal, uma paixão.


Como foi o processo de escrita de "Sereias - O Segredo das Águas"? Houve Momentos onde você pensou em desistir?

Bem, há muito tempo eu já pensava em começar a escrever um livro. Eu já sabia que seria sobre sereias, mas com a correria do trabalho, nunca tinha parado mesmo pra escrever. Então certo dia em que eu estava meio “jururu”, minha mente começou a vagar e eu meu vi ainda mais deprimida com o fato de que havia muito tempo que eu não ia para uma praia (explico: eu meio que passo mal quando fico muito tempo sem ir para o mar. Fico emburrada, chata e chorona, só meu marido, pobrezinho, me aguenta!). Então eu pensei assim: “Ah, de hoje não passa! Vou começar a escrever meu livro e espantar essa tristeza”. E foi assim que tudo começou. Eu peguei tanto gosto pela coisa, e já tinha muito da história na minha cabeça, que num curtérrimo período de dois meses eu escrevi o livro. Não pensei em desistir em momento algum.


Geralmente é um momento de grande felicidade quando o autor vê seu primeiro livro ser aceito para publicação. Como foi a sensação?

Foi maravilhosa! Eu nem consegui dormir por umas duas noites consecutivas... hahaha. Como sou ariana e bem dramática, comigo é “oito ou oitenta”. Ou eu explodo de alegria intensa, ou eu me acabo na tristeza. Então você deve imaginar a euforia que tomou conta de mim.


Existe uma resistência de muitas pessoas com a fantasia. Qual a importância você atribui a este gênero que trabalha com a imaginação?

Realmente aqui no Brasil eu sinto essa resistência. E não entendo porquê. E isso não é somente na literatura não, e sim em todos os âmbitos artísticos. Eu noto muito isso comigo, por causa de minha “cauda de sereia”. Nos outros países como os EUA, Japão ou mesmo vários outros países da Europa, parece que o povo vive mais a fantasia, curte mesmo esse universo. A gente vê nas convenções de cosplays, nos desfiles de ruas, enfim. Parece que eles tem a cabeça mais aberta, liberal, do que o brasileiro, que costuma tem vergonha de tudo e se preocupar deveras com a opinião alheia. Infelizmente nós estamos nos tornando um povo chato! Esses dias eu estava conversando com meu marido sobre as novelas brasileiras, já que são uma das maiores representações artísticas e populares em nosso país. Antigamente as novelas enfocavam bem a fantasia. Era mulher que virava onça, homem que virava flor, o outro que tinha que ser amarrado pelos pés para não sair voando até a lua...rs. Enfim, era muito legal! Hoje em dia só vemos novelas que tratam do realismo cotidiano, frio e implacável, e a fantasia foi relegada ao esquecimento. Isso é muito triste, pois um povo que não sonha, não idealiza.


Como conhecedora do assunto, você poderia recomendar alguns livros e outros bons trabalhos artísticos sobre as sereias.

Nunca! Não quero concorrência! Hahaha. Brincadeirinha. Bem, infelizmente (mais uma vez) aqui no Brasil o tema das Sereias não é muito abordado. Nos EUA esse tema anda crescendo bastante e já tem alguns livros de lá que foram lançados aqui, como o “Sereia” da Tricia Raiburn (que é bem legal, mas eu tenho severas birras com ele, já que não gosto quando colocam nós, sereias, como as más da história... eu acho que isso é intriga da oposição! Hahaha), e o recém “Mermaid”, da Carolyn Turgeon, que é bem interessante, pois dá uma versão diferente, sombria e adulta, do conto de Hans Cristian Andersen, o “pai” da Pequena Sereia.


Nossa pergunta temática: Por que ler literatura?

Porque literatura é vida, é sonho, é desejo, é tristeza, é sabedoria, é tudo. Não ter literatura na sua vida é ser pobre de alma, é viver uma vida insossa.


Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite. Para encerrar fale um pouco sobre os seus projetos futuros na literatura.

Eu que agradeço a oportunidade, o contato e a gentileza. Adorei demais participar dessa entrevista e espero que seus leitores também gostem.

Sobre os meus trabalhos, estou bem empolgada. Meu livro “Sereias – O Segredo das Águas” acabou de ser lançado e já está tendo uma repercussão maravilhosa. Pretendo viajar pelo Brasil todo divulgando-o. Fora isso, fui convidada para participar de uma Coletânea de Contos, junto com mais 12 autores brasileiros. É um projeto que está sendo feito com muito carinho por todos nós e estamos acreditando muito nessa antologia. O tema proposto para os contos é “o amor”, esse sentimento tão importante, e meu conto será logo o primeiro do livro. O título do meu texto é “Amor e vinho”, e eu conto a história de uma mineira que conhece Dionísio, o Deus do Vinho na Mitologia Grega (sou apaixonada por Mitologia Grega) e esse encontro dos dois promete muitas surpresas.

E também já estou escrevendo meu segundo livro (que estou na metade). Dessa vez a obra englobará não só as sereias, como os vikings (uma das civilizações que mais foi fascinada pelas sereias e não poderia deixar esses guerreiros loiros para trás..rs).

Enfim, e isso é tudo pessoal! Um grande beijo a todos, e muitos mergulhos!

E não se esqueçam: boa leitura... ouça seu canto... é difícil resistir!

Gostou da nossa conversa? Então conheça mais sobre o livro e o trabalho da autora nos links abaixo:


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