8 de agosto de 2012

Capitães da Areia (Jorge Amado) - Crítica / Resenha

Editora Record
Sinopse
Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.
Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.


Este ano comemora-se o centenário do grande escritor baiano Jorge Amado (10 de agosto) e aproveitei a ocasião para reler um dos livros nacionais mais divertidos que eu já conheci: Capitães da Areia.

A obra que retrata com rara fidelidade o cotidiano da Bahia tem uma clara conotação de propaganda ao regime revolucionário de viés comunista. Entretanto, estes pontos tão lembrados em descrições básicas, ao meu ver, não são o que há de mais forte nesta história.

Capitães da Areia se destaca por ser constrangedoramente crível na descrição dos seus personagens que, apesar de simples e até esteriotipados em certo nível, convencem o leitor há todo momento de sua profundidade pela coerência com que são construídos.

Todos os meninos pobres que compõe o cativante grupo de ladrões se formam aos olhos de quem lê não como marginais; Jorge Amado consegue de maneira extremamente bem-sucedida mostrar crianças fortes e independentes que tiveram de recorrer à criminalidade como consequência de uma vida de abandono. 

A maneira como os personagens interagem representando diferentes tipos humanos clássicos da Bahia (e do Brasil) cria uma sensação de identificação muito grande que surpreende pelo estilo absurdamente simples do autor. É um desafio não se sentir comovido de alguma forma pelas diferentes personalidades e situações formadoras de caráter pela qual cada um dos membros do grupo se envolve.

Finalmente, Jorge Amado ainda insere um tom lírico na trama que alguns podem julgar excessivamente militante, mas que se coaduna com a narrativa fornecendo mais um elemento de interesse à história. 

Capitães da Areia consegue assim ser um livro muito bom demonstrando mais uma vez que ser extremamente simples de entender não significa menos qualidade. A única falha mais incômoda são algumas situações "corridas" em excesso que não passam a mesma sensação de realismo dos personagens.

No mais, o livro de Jorge Amado é uma leitura rápida, muito divertida e que ainda sugere uma bem-vinda reflexão. Quem tem horror ao Comunismo pode se incomodar durante a leitura, mas àqueles com mente pouco menos inflexível, neste sentido, devem admitir e se entregar às qualidades desta bem contada história sobre crianças, sobre a Bahia, sobre amizade e sobre liberdade.


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