20 de julho de 2012

O Iluminado (1980) - Críticas de Adaptações


Sinopse
Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

Comparar originais e adaptações é complicado. Sempre fica difícil conseguir fazer uma obra inspirada em outra mantendo qualidade, afinal ela foi pensada e formulada para determinado veículo e qualquer transposição representará diferenças e muito possíveis perdas.

Em O Iluminado de Stanley Kubrick ficam claras estas discrepâncias em relação ao livro homônimo de Stephen King; este mais detalhado e que passa nuances bem maiores sobre o drama e a relação familiar dos personagens. 

Nunca fui crítico de cinema, mas é possível perceber a preocupação do consagrado diretor em criar a atmosfera do Hotel Overlook através de tomadas que valorizam as dimensões do local no comparativo com a perspectiva dos protagonistas; sobretudo da iluminada criança linda (como minha mãe fez questão de repetir diversas vezes) Danny.

Fica claro nos exemplos que os focos de filme e livro são diferentes, cada um optando por valorizar uma forma de contemplar a história sobre a criança especial que visita o hotel assombrado por forças misteriosas malévolas. 

Surpreendentemente, porém, o filme consegue fazer jus a proposta do livro de maneira geral sendo até superior em criar a sensação de imersão no clima que mistura suspense, loucura e um toque de paranoia. 

Enquanto King tem boas ideias na obra literária O Iluminado mas (na minha opinião) não consegue ser bem-sucedido nas suas descrições sem profundidade; Kubrick opta por desconsiderar alguns fatores, entretanto se sai melhor na hora de aclimatar o espectador. Para tanto, um dos principais trunfos do diretor é a atuação extremamente crível dos protagonistas nos papéis de louco (Jack Nicholson), desesperada (Shelley Duvall) e criança estranha/iluminada  (Danny Lloyd). 

Porém, não posso avaliar a adaptação do livro como muito boa, pois a produção cinematográfica peca na hora de denotar a força do hotel sobre os residentes. O protagonista Jack Torrance - que no livro é completamente levado a se descontrolar pelo ambiente opressor do local - parece sempre um maníaco em potencial no filme que só precisava de um pequeno gatilho para ficar insano.

Assim, posso dizer que O Iluminado é uma versão bastante honesta do original literário sabendo passar a tensão que o livro deseja transmitir até com melhor desenvoltura. Porém, alguns problemas incomodam um pouco como o papel menos expressivo de Danny e o já citado Jack que beira a loucura desde sempre.

De toda forma, quem aprecia o livro, deve se contentar com a elogiada produção de Kubrick que sabe criar ambientes de opressão psicológica como poucas. 


3 de 5 (Bom)



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