15 de julho de 2012

O homem de La Mancha (1972) - Coluna Papel & Película


Uma das obras mais importantes da Literatura mundial e uma alegoria da época renascentista, “Don Quixote” é o melhor e mais famoso escrito do espanhol Miguel de Cervantes Saavedra, um soldado e funcionário público espanhol de vida atribulada, que passou alguns anos na cadeia e viajou por diversos países. Sem dúvida, o autor teve aventuras muito mais emocionantes que seu mais famoso personagem.

A história de Alonso Quijano, um homem que, após ler exaustivamente novelas de cavalaria, pensa ser ele próprio um cavaleiro, tornou-se mundialmente famosa. Don Quixote de La Mancha, o cavaleiro da triste figura, enxerga em um burrico o poderoso cavalo Rocinante, transforma o vizinho gorducho Sancho Pança em seu fiel escudeiro e, como não podia faltar, tem na vulgar Aldonza sua donzela Dulcinéia. O autor quis fazer uma grande crítica aos hábitos medievais, que estavam naquele momento sendo trocados pelas ideias do Renascimento.

Foram várias as adaptações para o cinema e, em especial, para o teatro. Esta versão surgiu através das mãos de Dale Wasserman, responsável tanto pelo musical quanto pelo roteiro da película. Em 1959, Dale fez um especial para a televisão tomando como base a narrativa de Cervantes. O programa foi um sucesso de crítica e contou com dois bons atores da época, Lee J. Cobb e Eli Wallach.

Em 1964, ele usou a mesma trama e boa parte dos diálogos para escrever o libretto do musical. Na Broadway a peça originou a famosa canção “The Impossible Dream”, que ganhou uma versão brasileira bastante difundida. Foram 2238 apresentações após a estreia, cinco prêmios Tony, o Oscar do teatro, e quatro outras montagens.

Em todas essas adaptações Cervantes e seu escudeiro vão para um calabouço, à espera de julgamento pela Inquisição. Miguel de Cervantes é interpretado por Peter O’Toole, e conta a história de Don Quixote para que seus companheiros de prisão não destruam seus manuscritos. Com uma maquiagem que o envelhece, Peter também interpreta o cavaleiro, e James Coco é Sancho Pança. A bela atriz italiana Sophia Loren é Dulcinéia. Peter ficou famoso ao protagonizar “Lawrence da Arábia” dez anos antes e, apesar de ter sido indicado ao Oscar em oito ocasiões, nunca ganhou. Sophia, pelo contrário, foi a primeira atriz que não falava inglês a ganhar a cobiçada estatueta.

A produção foi gravada na Itália. Peter teve sua voz dublada por Simon Gilbert, enquanto Sophia cantou a plenos pulmões. Todos os cenários demonstram uma incrível acuidade de construção e parecem mesmo nos remeter à época dos cavaleiros. Mas não pensem que todos esses pontos positivos amoleceram o coração dos críticos: durante muitos anos o filme só recebeu críticas negativas. Mesmo a fidelidade ao texto de Cervantes e a beleza das músicas (em especial ao final do filme) não ajudaram.

Mas não pensem que foi só desastre: o filme foi indicado a um Oscar e dois Globos de Ouro, ganhando apenas o prêmio de Melhor Ator da Associação de Críticos, que também o apontou como um dos 10 melhores filmes do ano. Na semana em que o grande Peter O’Toole anunciou sua aposentadoria, nada mais justo do que uma homenagem a essa lenda da sétima arte que, como Dom Quixote, não se deixou abater por oito Oscars perdidos e continuou nos presenteando com atuações fantásticas.

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