4 de julho de 2012

Modo de Ler - Coluna Insolência Quinzenal


Cada pessoa tem seu modo de ler. É convivendo com a leitura que toda leitora saberá como melhor dar proveito de todo livro. Demanda tempo. Que nem tudo na vida. Portanto... Paciência! Não vamos prestes a sair lendo sociologia por exemplo. Também não é demais lembrar: precisamos ler bastante para compreender mais e melhor o que lemos. Repito: ler bastante. Nem demais. Tampouco de menos. O meio termo? Cada qual saberá do seu.

Meu caso talvez é peculiar. Minha família sempre manteve muitos livros em casa. Na maioria didáticos: os acúmulos da parentela de quem me gerou. Tenho gratidão por vários deles serem recheados de figuras. Ao ter interesse por elas asinha quis descobrir o conteúdo dos sinais gráficos que ladeavam quase todas. E, pueril, sempre bagunçava minha casa com livros fora de lugar ou mal colocados até rasgados e rabiscados. Acabou que muitos foram queimados para meu desprazer.

Entretanto me recordo da grande felicidade quando consigo pela primeira vez ler uma palavra. No pré. Feliz fico por demais! A sala toda: só vibrações. Um abraço daqueles recebo de minha professora... Com Ana Deborah li de vez para sempre. Sem esquecer por certo dos esforços de minhas anteriores professoras queridas: Veridiana mais Verônica. Nem deixar de dar graças ao principal: minha mãe que pacientemente me fazia praticar as lições de casa... Verdade seja dita: quem me deu rudimentos de leitura de fato foi mainha. Não desconsidero minhas professoras mas os acompanhamentos maternais constantes e precisos são o maior quinhão do meu saber ler.

Daí quem me segura? Mais bagunça! Por um momento tal vontade de mexer em livros uma séria conseqüência traz. Por alta madrugada fui parar em um hospital sem respirar direito... Calhamaços guardados anos a fio pós inúmeros trazem consigo. Mas... Um susto passageiro. Meu sistema respiratório vai bem. Tanto que posso ler os volumes da biblioteca central na federal de Pernambuco: porém com todos os cuidados necessários.

Os que detêm um interesse meu bem elevado são os históricos. As pinturas ilustrativas dos eventos narrados têm papel principal no crescimento da minha vontade de ler. E mais uma vez o pictórico lançando seus encantos... Atraindo-me para ler mais e devotamente. Bem... Adoro livros ilustrados. Cá deixo minha gratidão a quem os belíssimos quadros das passagens e personagens históricas pintou. Não mais esqueço das impressões profundas quando vi Santa Joana com seu pavilhão a tremular... E das de Vênus então? Assim História se torna minha ciência predileta. Pena que na faculdade não a lecionem... Pelo contrário! Somente militância...

Depois Sansinha, Moura Gonçalves Maior, leitora de revistas científicas se torna. Curiosamente pego muitas delas. Assiduamente começo ler: assim. E cada matéria jornalística descortina paulatinamente boa parte do que pode ser conhecido. Quando me torno pessoa de religião: acompanhar O Domingo, jornal que contêm o ritual da missa, me faz entender o quão vasta pode ser a possibilidade de compreensão do que nos rodeia... No rito posso conviver com a mensagem para mim transmitida do papel! Para terminar em uma leitura mais atenta dos livros é questão de tempo. Mais adiante nas minhas mãos, diante de meus olhos, pus o Mundo de Sofia: jamais filosofia largo! Por Fernando Pessoa, na sua Mensagem, consigo por completo de seguida ler o Camões d’ Os Lusíadas. Independente do tipo de leitura meu fascínio pela letra lida cresce...

Por hoje leio concomitante tantos exemplares que chego na casa da centena. Santa Virgem de Cimbres! Quantos são lidos por completo? Pode demorar: mais um dia... Todos. E por qual motivo tal número? Nunca consigo ler um único livro por vez. São vários, com apreensões e velocidades de leitura variegadas, de minha convivência. Convivência? Quem lê bem traz sua leitura para qualquer vivência. Nunca sendo pedância mas absorvendo tudo que foi lido para conseguir entender a realidade na qual qualquer indivíduo faz parte. Tal compreensão certamente faz viver bem. Aristotelicamente viver bem. Adquirir conhecimento na verdade vem a ser adquirir uma vida digna. Digo logo: se for para ler só babaquice melhor não ler.

Ler naturalmente, consultando, soletrando, recitando, com atropelos, relendo, de ponta-cabeça, rabiscando... Para quem entrou na brincadeira só não vale deixar de ler!




Imagens: Connie Francis

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