11 de julho de 2012

Juízo Final (Sidney Sheldon) - Crítica / Resenha

Edições Bestbolso - 2012

Sempre tive grande curiosidade em conhecer a literatura de Sidney Sheldon, mas não vou negar que tinha um certo preconceito negativo vendo as capas e títulos de seus livros. Felizmente, uma promoção que trazia duas obras do autor no esquema vira-vira (onde ambas ficam numa mesma encadernação) me fez conhecê-lo afastando essa ideia errada.

O primeiro livro lido por mim foi Juízo Final que conta uma inusitada história sobre alienígenas (pela péssima capa da edição , ninguém imagina) e vou dizer que a sensação foi de surpresa muito feliz. Mesmo com o argumento aparentemente difícil de desenvolver por não ser assim tão comum (alguém lembra de um bom livro sobre ets?), Sheldon consegue construir toda uma trama cuidadosa e instigante.

Ler o autor que também foi um dos grandes roteiristas Hollywoodianos é adentrar numa narrativa de mistério concebida para conquistar os leitores e isso sem precisar de maiores ganchos óbvios; o próprio desenvolvimento já é um grande estimulante para continuar a leitura em suas descrições que se destacam pela objetividade e pertinência.

Outro ponto de destaque que não pode ser esquecido são os personagens. Sheldon não é exatamente um meste no aprofundamento (esteriótipos são comuns), mas o que lhe falta em detalhes acaba sobrando na variedade dos tipos humanos interessantes apresentados; quase todos parecendo críveis aos olhos do leitor.

Em termos de inovação é difícil avaliar o autor, pois sua estrutura narrativa nesta obra lembra e muito várias outras histórias que você eventualmente já leu ou viu. Mas a sensação de repetição é até esperada uma vez que ele ajudou a construir esse modo de história como roteirista de várias produções estadunidenses que estão de forma direta ou indireta em nosso imaginário. 

Aliás, como estadunidense que é, Sheldon aproveita as ambientações em outros países para desfilar alguns preconceitos típicos da sua Nação. O destaque fica mesmo por conta da descrição absolutamente negativa e trágica da União Soviética que sinceramente incomoda bastante pois revela com clareza o autor que em teoria deveria estar oculto pela força da história.

De toda forma, porém, o livro se sai muito bem na missão de entreter sendo uma ótima opção para quem deseja boa leitura recreativa. A história que mistura investigação e perseguição é interessante e bem divertida cativando o leitor em seu desenvolvimento gradativo cheio de boas descrições e mudanças de foco narrativo que destacam de forma breve, mas contundente, a vida de outros personagens importantes além do protagonista Robert e sua amada Susan.

Juízo Final pode não ser um livro perfeito, mas de maneira geral consegue desenvolver muito bem sua proposta de entreter com qualidade. 

A mensagem de Sheldon no final sobre a existência dos alienígenas (sim, ele acredita nos cabeçudos de olhos grandes) não se justifica pelo livro que algumas vezes quer se levar um pouco a sério demais, mas nada que prejudique o que há ali de principal: o divertimento de uma história muito bem contada. 

Depois eu trago minha opinião sobre o outro livro da edição: As Areias do Tempo.


(3 de 5 / Bom)


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